Benfica A vs Sporting B – a emoção do derby da 2ª Divisão

No mesmo ano em que o Sport Lisboa e Benfica decide criar uma equipa de futebol feminino, e consequentemente disputar a divisão inferior, o Sporting Clube de Portugal cria uma equipa B, de forma a dar continuidade ao seu projecto de formação.

O número de equipas inscritas na 2ª Divisão fez com que ambos calhassem na mesma série.
Domingo, dia 28, na Tapadinha (mítico estádio do Atlético Clube de Portugal e “casa” do Benfica feminino) pelas 15 horas terá início o derby Benfica – Sporting.
Portanto, está encontrado o jogo da jornada, e não, não é na Liga BPI, ao contrário do que seria de esperar.
Em primeiro lugar porque, qualquer jogo entre estes dois clubes, pela sua importância no futebol português e pela rivalidade centenária, se sobrepõe a todos os outros encontros.
Mas, também, porque será o primeiro jogo oficial de futebol feminino entre ambos.
Mas não ficam por aqui as razões para que este jogo seja considerado especial. Vejamos quais os objectivos de cada equipa.
O Sport Lisboa e Benfica, não tendo acedido ao convite da FPF para integrar a Liga Allianz em 2016, decidiu criar equipa feminina só agora, tendo por isso que ir disputar a 2ª Divisão. Não obstante, e tendo como objectivos a subida de divisão e a conquista da Taça de Portugal, formou uma equipa fortíssima, com internacionais brasileiras e portuguesas e com uma estrutura profissional, encabeçada por João Marques, treinador que esteve no arranque do projecto feminino do Sporting Clube de Braga. A qualidade da equipa daria para lutar pelo título, se estivesse na Liga BPI.
O Sporting Clube de Portugal, dominador do panorama feminino nacional nos últimos dois anos, tanto na formação como nas seniores, avançou esta época para a criação de uma equipa B, para jogar na 2ª Divisão, à semelhança de outros emblemas nacionais, como o Estoril Praia, Braga e Valadares. Essa equipa B é formada por jogadoras vindas maioritariamente da sua formação e tem uma média de idades de 17 anos. Os objectivos passam por dar maior competitividade a jogadoras já mais evoluídas, de forma a que o seu crescimento não estagne e ao mesmo tempo manter o vínculo futuro com o clube. Um projecto bastante ambicioso, pensado pela Mariana Cabral, à semelhança do que já tinha feito com as restantes equipas da formação (sub/13, sub/17 e sub/19).
De um lado, um lote de jogadoras séniores, marcadamente experientes, do outro um lote maioritariamente júnior e também com alguma experiência internacional, embora em selecções jovens.
Poder-se-á falar de David contra Golias? Não será despropositado. A diferença é bastante significativa, muito fruto da disparidade etária.
Se por um lado, as ‘miúdas’ do Sporting terão uma motivação extra por encontrarem semelhante adversário, por outro, o facto de jogarem num clube com a obrigatoriedade de jogar sempre para ganhar, pode trazer um fardo psicológico bastante pesado. Mas o que vai valer mais, será a experiência de viver um jogo com estas características.
Para as jogadoras do Benfica fica a responsabilidade de encararem esta equipa com o maior respeito, à semelhança do que se tem verificado nas jornadas anteriores. A sua condição de equipa favorita, mercê de um apetrechamento humano e logístico ao nível do topo português, fará com que entrem em campo com confiança de que ultrapassarão mais este adversário sem grandes dificuldades.
Dir-me-ão que não há vencedores antecipados e mais um sem número de clichés desportivos. Eu gosto bastante do inusitado e da surpresa, coisa em que o futebol até é pródigo, mas neste caso a vantagem é mesmo do Benfica. Não vem mal nenhum ao mundo, nem a derrota deslustra as jogadoras do Sporting, que poderão ainda assim, caso consigam controlar a ansiedade, mostrar um futebol bastante agradável e um bom conhecimento dos princípios do jogo.
Para mim, será certamente um jogo muito interessante para se ver.

 

[texto de Anabela Mendes, originalmente publicado em Passes em Profundidade]

 

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