Opinião: A enorme prestação da selecção nacional no Euro

Foto: Getty Images
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portugal espanha

A Selecção Nacional Feminina de Futebol está claramente de parabéns. O seu percurso no Euro 2017 não terminou como esperado, mas a garra das nossas meninas foi inigualável. Algumas pessoas questionaram-se sobre a não utilização das jogadoras disponíveis no banco e conforme o decorrer dos jogos, estando em vantagem ou com empate, porque não se arriscou jogar ao ataque colocando Ana Borges e Dolores nas suas posições ‘naturais’.

Portugal teve oportunidade de crescer e evoluir graças aos bons resultados obtidos no Europeu. Foi a primeira vez que vimos esta selecção numa grande competição e foi por muito pouco que não foram alcançados os quartos de final (bastava a derrota da Espanha – que aconteceu por 1-0 frente à Escócia – e o empate de Portugal – faltou apenas um golo).

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Primeiro jogo (Espanha x Portugal)

A selecção espanhola entrou muitíssimo bem na partida e impediu que Portugal jogasse ‘o seu futebol’ (a posse de bola foi muito elevada por parte da Espanha, e isso fez com que Portugal tivesse que jogar à defesa – o que não é habitual na nossa selecção).

Assim que a selecção nacional estava a perder, Francisco Neto poderia ter subido a defesa e colocar a Ana Borges no ataque.

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Segundo jogo (Escócia x Portugal)

Portugal entrou muito bem no jogo e marcou ainda na primeira parte, aos 28 minutos, Carolina Mendes, aproveitou uma falha incrível de Vaila Barsley na área e não vacilou em frente à baliza. O cruzamento foi de Diana Silva, grande arrancada pela esquerda do ataque nacional!

Na segunda parte houve alterações e aos 69 minutos, Escócia empata o jogo. Mas como as pessoas que seguem o selecção nacional sabem, as jogadoras portuguesas não são de desistir facilmente. Ana Leite entrou aos 72’ e na primeira vez que tocou na bola (aos 73′) fez o segundo golo nacional, que ficará na história do futebol feminino.

Esta jogada surgiu através de um pontapé de baliza da guardiã do Sporting, Patrícia Morais, e com apenas dois toques a bola chegou a Ana Leite que dominou, correu para a área e desviou de pé esquerdo à saída da guardiã escocesa Gemma Fay.

Até ao final do jogo, a Escócia, apostou jogar no contra-ataque e ainda estiveram bem próximas de marcar: um cruzamento pela direita e uma escocesa remata ao poste. Logo de seguida, outro cruzamento, desta vez pela direita, e Patrícia Morais faz uma enorme defesa, evitando males maiores.

Foto: Getty Images
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Último jogo e terceiro (Portugal x Inglaterra)

Jogo bastante equilibrado desde o início. No entanto, a qualquer jogadora de qualidade, acontecem infelicidades. Um atraso para a guardiã Patrícia Morais que chutou para a frente, acertou na jogadora inglesa Duggan, e esta aproveita a oportunidade e faz um chapéu à guarda-redes portuguesa.

Poucos minutos depois, enorme visão da capitã Cláudia Neto: faz o passe longo para Diana Silva, e esta engana a defesa inglesa, cruza mas é aliviado o lance, mas para os pés de Diana, que volta a cruzar, Carolina Mendes aproveita o lance, e marca pelo segundo jogo consecutivo! De realçar também que este era o primeiro golo que a selecção inglesa sofria neste Europeu!

O resultado ao intervalo foi de um empate a uma bola.

O seleccionador inglês (mas de nacionalidade galesa) Mark Sampson, aproveitou para alterar a forma de jogar das ‘lionesses’, e com isto, a selecção nacional ficou mais enfraquecida: a defesa subida da Inglaterra fez com que Portugal tivesse de procurar linhas de passe e jogadas individuais.

Aos 48′, jogada individual de Nikita, a passar por várias jogadoras e a rematar por baixo das pernas de Patrícia Morais. A selecção nacional ainda dispôs de algumas oportunidades, mas não conseguiu o tão desejado golo que daria a passagem aos quartos de final (com a vantagem do goal average, Escócia venceu a Espanha e daria a hipótese de Portugal jogar contra a Áustria).

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Remate final

Para quem não sabe, esta foi a primeira vez que vimos Portugal numa grande competição. Por isso devemos valorizar os bons resultados, pois apesar de serem selecções mais fortes, Portugal não sofreu goleadas, como acontecia há alguns anos atrás. E a diferença de rankings é incomparável.

Esperemos que depois de um destaque dado nos jornais com mais qualidade e frequência, que mais orgãos de comunicação social invistam na transmissão de jogos da Liga Allianz de várias equipas (e não apenas o Sporting e o Braga).

Obrigada Francisco Neto, obrigada PORTUGAL!

Joana Lima

Desde 2011 comecei a assistir a alguns jogos na TV. Depois da final da Champions, apaixonei-me por este desporto. Não escrevo com o Novo Acordo Ortográfico.

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