“Fiquei bem atenta às nossas jogadoras”, por Joana Lima

Estamos em 2018 e nada melhor que iniciar o ano com uma crónica, a convite do gestor d’A Economia do Golo, para falar de uma grande paixão: o futebol.
Eu comecei a assistir aos jogos disputados por mulheres, se não estou em erro, em 2010 ou 2011, na TV (o canal Eurosport transmite jogos há bastante tempo). Um dos jogos que mais me chamou a atenção, foi a final da UEFA Champions League, entre o Lyon e o Frankfurt. Refira-se que esta última equipa só se dedica ao futebol praticado por mulheres.
No ano seguinte, Portugal apurou-se para o Europeu sub-19 em Antalya, na Turquia. O canal que transmite os jogos da Champions, transmitiu as meias finais, onde chegaram Portugal e Espanha!
Fiquei ‘coladinha’ e bem atenta às nossas jogadoras e já aí via a qualidade da jogadora portuguesa! Tatiana Pinto, Rita Fontemanha, Jéssica Silva, Diana Silva, Bárbara Santos… muitas delas actualmente a jogarem nas equipas convidadas pela FPF na Liga Allianz (nomeadamente o Sporting CP e a Jéssica jogou no SC Braga na época passada).
Portugal lutou até ao fim pela passagem à final, mas a Espanha adiantou-se no marcador perto do final da partida. A guardiã – que jogava na altura na Associação Desportiva “Os Xavelhas” (Campeonato da AF Madeira) e que posteriormente jogou no Clube Atlético Ouriense (Campeonato Nacional da 1ª Divisão), antes de jogar actualmente no Marítimo (Campeonato de Promoção 2ª Divisão) – Bárbara Santos, nada pôde fazer para evitar o golo espanhol, mas evitou-o muitas outras vezes!
Quanto a mim, em 2012 fui convidada para ir aos jogos da SU 1º Dezembro fora, e acedi ao convite.
O mais marcante foi logo da primeira vez (Fundação Laura Santos, que jogaram em Gouveia), quando assisti ao último desafio em que o treinador era o actual treinador das séniores do Sporting!
O segundo mais marcante foi o último da maior parte das jogadoras pelo clube de Sintra, em Albergaria, contra o clube local. Perderam as sintrenses por 4-1 e não vi a mesma determinação que nos jogos que eram treinados pelo professor.
Mesmo assim, tirei fotos com as jogadoras e a actual campeã nacional e que actuou no Campeonato da Europa da Holanda (Patrícia Morais) ofereceu-me as luvas que ela usava nos jogos e nos treinos. A minha mãe diz que os olhos até brilhavam… Mal eu sabia o que ela ia evoluir!
Nesse mesmo ano, tentei jogar futebol mas não tinha o que era preciso para ser como as actuais e ex-jogadoras do Viseu 2001… Eu queria ir para lá para aprender, mas como o clube era federado não foi possível.
Então, teria de recorrer a um clube “amador” (que não participasse em competições da FPF). E já nessa altura, a treinadora Francisca Martins, prometia uma equipa de juniores (sub-19), pois viu que muitas raparigas por volta ou menos dessa idade tinham necessidade de aprender e praticar futebol competitivo. Há duas épocas atrás, o desejo da treinadora “Chica”, cumpriu-se e ela trocou as séniores pelas juniores.

(…)

A Liga Allianz, a Promoção dos 4 convidados e a criação da modalidade no SL Benfica

Já conversei com algumas pessoas sobre o surgimento da Liga Allianz, e nem todas têm a mesma opinião.
Umas dizem que foi bom para a modalidade, porque assim a FPF valoriza o futebol de mulheres, outras dizem que foi mau porque a ascenção dos 4 clubes convidados não foi feita de maneira digna e justa (relembrando que foram promovidas as equipas do SC Braga, do Sporting CP, do GD Estoril-Praia e do CF “Os Belenenses” – este último voltou a descer e desistiu da modalidade).
Como muitos interessados na matéria, a minha opinião é híbrida em relação ao polémico tema. Por um lado, foi injusto para quem luta todos os anos para subir ao escalão maior do futebol feminino, pois a FPF não deu apoios a esses clubes para eles subirem da maneira que subiram aquelas 4 equipas, favorecendo uns em detrimento de outros.
Terá sido devido ao nome que ostentam no futebol nacional? Os clube são as pessoas, não os nomes bonitos dos chamados grandes, ou os mais conhecidos por actuarem na LIGA NOS (futebol masculino)!
Por outro lado se não fosse assim, como já me disseram, iam os clubes conhecidos da Liga NOS comprar os pequenos do Campeonato de Promoção (2ª Divisão) ou até mesmo do Nacional Allianz (1ª Divisão). Se assim fosse também era uma situação triste.
Aliás, segundo dizem, o Benfica tentou comprar o Clube Futebol Benfica para subir sem jogar na Promoção, mas sem sucesso…
Assim sendo na próxima época, teremos o SL Benfica a jogar na 2ª Divisão, o que poderá ser injusto para a equipa que será treinada pelo ex-SC Braga, João Marques. Se uns sem jogar sobem directos à Liga Allianz, porque é que outros não podem?…
Desengane-se quem pensa que esta modalidade evoluiu assim de repente devido à Allianz… Errado!!!
Evoluiu graças ao sacrifício de muitas atletas que emigraram. Ana Borges, jogava em que clubes antes de vir para o Sporting? Atlético de Madrid e Chelsea! No Chelsea tanto jogava a defesa-esquerdo como a extremo esquerdo. Tanto numa, como noutra posição ela jogava lindamente, mas claro que na selecção as coisas são diferentes e é mais complicado corresponder às expectativas pessoais, da equipa e do treinador.
É natural, pois, que a Borges jogue melhor mais à frente, pois quase de certeza que é nessa posição que se sente mais confortável. E foi só para dar um exemplo de uma jogadora, mas temos muitas mais a jogar fora de Portugal: Carolina Mendes, Mónica Mendes, Raquel Infante, Jéssica Silva…
Não sei se será verdade, mas dizem que muitas voltaram ao país de origem, porque recebem mais do que no estrangeiro, com o brinde de estarem mais perto das famílias.

Os Adeptos

Em relação aos adeptos, já antes da Liga Allianz havia jogos com bastante gente: na final da Taça que foi transmitida pela RTP2, entre o 1º Dezembro e Clube de Albergaria, o Estádio Nacional encontrava-se bastante bem composto.
Num dos jogos que o Clube Atlético Ouriense realizou em casa, o Campo estava praticamente cheio(!); nos jogos em que as equipas jogavam para subir ou para a Taça de Portugal, também apresentavam boas assistências.
Apesar de que esse facto aumentou um pouco com os patrocinios da Allianz.
Contudo, o último jogo em Alvalade das equipas femininas teve apenas cerca de 1/3 dos adeptos da 1ª partida nesse mesmo Estádio (o 1º confronto entre Sporting CP e o SC Braga, teve cerca de 12.000 adeptos – fora os que não passaram nos torniquetes; enquanto que no 2º jogo apenas estiveram a assistir à partida 4006 pessoas).

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Joana Lima

Desde 2011 comecei a assistir a alguns jogos na TV. Depois da final da Champions, apaixonei-me por este desporto. Não escrevo com o Novo Acordo Ortográfico.

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