“Fiquei espantado pela capacidade de afirmação das raparigas”, Pedro Rosário

Pedro Rosário está ligado ao treino de futebol há mais de 14 anos, como treinador de diversos escalões, e como coordenador. Passou por diversos clubes da Marinha Grande, sendo o Atlético Clube Marinhense o mais representativo pois lá passou 10 anos. Nesta época comanda as jogadoras do GD Os Vidreiros.

Apesar de a sua ligação ao futebol feminino só ter começado esta época, “ao longo do trabalho desenvolvido no futebol masculino fui encontrando diversas atletas nos grupos de rapazes que liderei, que sempre me deixaram espantado pela capacidade de afirmação num desporto de rapazes”.

Terminando oficialmente a sua ligação ao GD Vidreiros no final de 2017, de momento a sua ligação ao futebol feminino está reduzida “à ajuda que presto a alguns clubes da Liga Allianz na observação e deteção de talentos em Portugal, assim como ajudar algumas atletas de outros continentes a entrar no futebol europeu. O treino, que é o que gosto mais, está em stand-by até à próxima época”.

Afirmando querer “uma nova experiência e sair da minha zona de conforto” quando decidiu enveredar pelo futebol feminino, Pedro considera que “da dificuldade e desconhecimento da realidade pode sempre sair grande evolução”.

A maior dificuldade que encontrou ao mudar do futebol masculino para o futebol feminino passou pela “falta de respeito que a maioria dos clubes tem para com as atletas e projetos, pois isso reflete-se sempre no nível de compromisso que as atletas têm para com os projetos”.

“Também pensei que a sociedade, clubes e até a FPF já encarasse a modalidade de outra forma, o que vim a constatar não ser verdade”. – acrescenta. “Por outro lado é também muito difícil começar novos projetos pois existem poucas atletas nas regiões, e as poucas que existem estão todas a jogar em diversos clubes. Só para ter uma ideia tivemos de fazer scouting num raio de 40km para conseguir formar um plantel”.

Ao abordar o término da sua ligação ao GD Vidreiros, Pedro Rosário explica que as “relações entre direção e equipa técnica não estavam muito saudáveis. Acho que foi o desgaste provocado por recorrentes “exigências” de melhorias em prol das atletas. O clube estava talvez cansado das exigências e nós cansados de exigir”.

Pedro aponta como próximos objetivos um projeto estruturado de subida a Liga Allianz, ou projeto Sub 17 que ambicione os lugares cimeiros. Garante no então que “seja o projeto que for terá que oferecer acima de tudo seriedade e respeito pelas atletas”.

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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