Fundação Laura dos Santos: solidariedade e futebol feminino

Em Moimenta da Serra, a Fundação Laura dos Santos é mais do que uma instituição de solidariedade. Além de prestar apoio social à comunidade, a instituição diferencia-se pela sua equipa de futebol feminino.

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Há cerca de 14 anos a paixão pelo futebol juntou um grupo de alunas do concelho de Gouveia na participação na Taça Coca-Cola. Foi desta forma que começou o futebol feminino na Fundação Laura Santos. “Na altura, a qualidade da equipa nessa competição fez com que tentássemos criar uma equipa de futebol feminino da Fundação Laura Santos que competisse num campeonato do distrito da Guarda”, esclarece o presidente da instituição, Rui Reis.

 

Sílvia: na lavandaria às 8h, no relvado à tarde

O que é que Ana Borges, Sílvia Rebelo, Filipa Rodrigues e Inês Silva têm em comum? Além de serem internacionais pela Seleção Nacional feminina, todas já vestiram a camisola azul da Fundação Laura Santos. Ana Borges, internacional portuguesa campeã em Inglaterra, começou a jogar aqui; Filipa Rodrigues, atualmente no CA Ouriense, também já representou a equipa de Moimenta da Serra; Sílvia Rebelo e Inês Silva ainda se mantêm na Fundação. Perante o seu sucesso, Rui Reis garante que “é um enorme orgulho e uma alegria saber que estas atletas estão ou já passaram pela equipa”.

 

Atualmente com 26 anos, Sílvia Rebelo vestiu pela primeira vez a camisola da Seleção Nacional feminina a 27 de setembro de 2008, no empate a um golo frente à Ucrânia. No entanto, a paixão pelo futebol começou muito antes, nos primeiros anos de escola, quando ainda jogava com os rapazes da turma durante os intervalos. A número 4 da Seleção Nacional não tem dúvidas de que “ainda existe algum preconceito em relação ao futebol feminino”, mas garante que esta mentalidade tem vindo a mudar fruto do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.

 

Sílvia, que se define como “lutadora, trabalhadora e sonhadora”, garante que o seu maior sonho é conquistar um título internacional por Portugal mas, enquanto não atinge o objetivo que cedo traçou, tem de conciliar os jogos pela Fundação Laura Santos com o trabalho na lavandaria da instituição. O dia-a-dia da defesa central começa às oito horas e termina ao final da tarde com os treinos pela equipa que representa. “Apesar de tudo, não é difícil conciliar as duas atividades porque os horários são fáceis de combinar e, com esforço e vontade, tudo se consegue”, simplifica Sílvia por entre um sorriso tímido.

 

Responsabilidade acrescida

Se a integração de uma equipa de futebol feminino numa instituição de solidariedade é algo inovador, o treinador da equipa, Rodrigo Fonseca, garante que esta característica “só aumenta a responsabilidade do grupo cada vez que entra em campo, uma vez que é fundamental representar os valores, ideais e atitudes da Fundação Laura Santos”.

 

A lutar pela permanência no Campeonato Nacional Feminino Allianz, as dificuldades da equipa prendem-se essencialmente com a vida estudantil e profissional das atletas: “Temos um plantel relativamente curto, o que condiciona as nossas opções. Por outro lado, temos muitas atletas que estão a terminar os seus cursos ou estão a fazer estágios, o que limita a equipa em termos de treinos e jogos”, explica o treinador. No entanto, as adversidades têm-se revelado um estímulo para este grupo de jogadoras que, sempre que necessário, “aproveita a união e ao espírito de equipa para atingir os objetivos”, acrescenta Rodrigo Fonseca. Com o final da competição a aproximar-se, a Fundação Laura Santos encara cada jogo como uma final e o técnico antevê uma “luta titânica pela permanência”.

 

In fpf.pt

Joana Lima

Desde 2011 comecei a assistir a alguns jogos na TV. Depois da final da Champions, apaixonei-me por este desporto. Não escrevo com o Novo Acordo Ortográfico.

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