Eleita pela UEFA como um dos dez talentos emergentes no Europeu de futebol Feminino de sub-19, a guardiã Bárbara Santos, de 18 anos defendeu as redes lusas com grande classe classe, cotando-se como uma das melhores da Selecção Nacional.
Numa entrevista exclusiva ao Desporto Global, a atleta d’Os Xavelhas partilha com o grupo o sucesso das exibições individuais no Europeu e não escondeu o orgulho que sentiu na chegada a Lisboa.
Desporto Global (GD) – Portugal ficou nas meias-finais, mas teve perto de atingir a final do Campeonato da Europa. A desilusão foi muito grande por “morrerem na praia”, ou o facto histórico de terem chegado onde chegaram serviu de consolo e de orgulho?
Bárbara Santos (BS) - Esta equipa partiu para a Turquia com o objectivo de se superar em todas as situações e, no fundo, todas nós tínhamos o sonho de chegar às meias-finais. Conseguimos atingir esse objectivo, por isso o nosso orgulho é imenso. Temos noção de que chegámos onde mais nenhuma outra selecção feminina chegou e abrimos caminho para outras que sonham lá chegar.
GD – À partida para o europeu, estava à espera que Portugal fizesse uma campanha com tanto sucesso?
BS – O nosso optimismo era muito grande e sabíamos que a pressão nunca estaria do nosso lado, exactamente por sermos estreantes, portanto só teríamos de dar o nosso melhor! Nunca foi estabelecido qualquer objectivo desportivo, mas o nosso sonho era ir o mais longe possível e a nossa vontade era muito grande.
GD – Como viveu o grupo toda esta situação, completamente nova para todas?
BS – O grupo é uma verdadeira família, nunca encontrei uma equipa com um sentimento de pertença tão grande. Estávamos mais entusiasmadas do que nervosas, ansiosas por podermos mostrar as nossas capacidades, o que nos levou ao Europeu. Apoiámo-nos muito nos melhores e nos piores momentos, por isso foi fácil lidar com tudo o que envolve uma competição desta natureza.
GD – O que sentiu quando aterraram em Portugal, vindas da Turquia?
BS – É impossível não sentir um pouco de tristeza por não termos chegado à final, mas senti-me muito orgulhosa por ver tanta gente à nossa espera, pessoas que nos felicitaram, que estavam contentes por termos honrado Portugal. É muito gratificante ver que há pessoas a seguirem-nos, atentas ao nosso trabalho e ao nosso esforço. É mais uma página na história da Selecção Nacional que eu ajudei a escrever!
GD – As suas exibições foram muito elogiadas durante o campeonato da Europa. Foi considerada como um dos pilares da Selecção, para ter chegado onde chegou. Como reage a esta avaliação positiva da sua performance?
BS – A equipa toda lutou para chegarmos onde chegámos, não é justo falar só na minha prestação, porque todas contribuímos para o sucesso da Selecção Nacional. Tento sempre fazer o meu melhor e se nestes jogos consegui estar ao meu melhor nível, devo-o às minhas colegas e aos treinadores que nos acompanham. O mérito tem de ser de todos!
GD – Uma das pessoas que elogiou o seu trabalho foi o Hugo Oliveira, actual treinador de guarda-redes do Benfica, e o único licenciado pela FIFA em treino de guarda-redes. Que significado têm para si estes elogios?
BS – Todos os elogios são bem-vindos! Como disse anteriormente, é muito gratificante saber que há pessoas a seguir o nosso trabalho, que apreciam o nosso esforço, é isso que nos faz continuar.
GD – Actualmente joga na Associação Desportiva “Os Xavelhas”, vai continuar? Ou já tem propostas para jogar noutro clube?
BS - Não sei o que o futuro me reserva. Quero apenas continuar a trabalhar, lutar para continuar a merecer um lugar na Selecção Nacional. Sinto-me feliz onde estou, mas a vida por vezes muda sem darmos conta, por isso a única coisa que me interessa é continuar a aperfeiçoar as minhas técnicas.
GD – Este europeu servirá para vos abrir novos horizontes. Gostava de continuar a jogar em Portugal, ou ir para um clube estrangeiro?
BS – Penso que todas as jogadoras têm o sonho de jogar ao mais alto nível e eu não sou diferente, mas não tenho planos nesse sentido. Se acontecer será bem-vindo, mas se não houver propostas fico bem em Portugal.
GD – Olhando para o futuro próximo, como gostava que estivesse o futebol feminino Nacional daqui a 2/3 anos?
BS – Esta nossa presença no Europeu já abriu muitas portas, mostrámos que o Futebol Feminino tem muita qualidade em Portugal e espero que os clubes comecem a olhar para nós com o mesmo respeito e admiração com que olham para o Futebol Masculino. Sei que conseguiremos conquistar o nosso lugar e espero que isso aconteça em breve.
In http://desportoglobal.com














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