“Sempre tomei opções de vida em função do futebol”, Carla Couto, Valadares Gaia/Montra de Talentos

1) B.I. Futebolistico
Nome completo: Carla Sofia Basilio Couto
Nome Futebolístico: Carla Couto
Local e data de nascimento: Lisboa, 12-04-1974
Nacionalidade: Portuguesa
Profissão: Auxiliar de Ação Educativa
Ano que iniciaste a prática futebol federado: 1990
Clubes que já representaste no futebol: Sporting (1990 a 1992); Trajouce (1992/93); 1º Dezembro (de 1993 a 1997; 1998 a 2002; 2003 a 2011); Futebol Benfica (1997/98); Fhosan Guandzon, China (2002); Lazio, Itália (2011/12); AC Milão/Montra de Talentos e Valadares-Gaia/Montra de Talentos (2012/13)
Clube Actual: Valadares-Gaia/Montra de Talentos
Posição especifica: Avançada
Títulos Colectivos Conquistados : 11 titulos campeã Nacional (10 seguidos), 6 Taças de Portugal são os principais
Títulos Individuais Conquistados : Vários títulos desde melhor jogadora e melhor marcadora
Número de internacionalizações: 145
Clube Favorito: Sporting Clube de Portugal
Número Preferido: 9
Jogador preferido: Quaresma
Jogadora preferida: Edite Fernandes
Uma virtude: Pontual
Um defeito : Impulsiva/teimosa

2)Como é que começaste a praticar futebol?

Começei no Futebol 5 nos Valentes da Escola 183 dos Olivais nos Torneios da Cidade de Lisboa e no futebol 11 comecei no Sporting, por imposição do meu pai, eu estava na altura a jogar Andebol e ele “obrigou-me” a ir para o futebol e para o Sporting.

3)Tiveste o apoio da tua família?

Sim, sempre tive o apoio da minha família, para mim sempre foi muito fácil jogar futebol porque os meus pais sempre me incentivaram à prática da modalidade, acho que nesse sentido fui uma privilegiada, porque contrariamente a muitas meninas e muitas raparigas que ainda nos dias de hoje têm alguma dificuldade, porque os pais ainda são renitentes à prática de futebol, eu nunca tive esses problemas pois os meus pais iam ver todos os meus jogos e sempre me apoiaram para jogar.

4)O futebol foi sempre a única paixão , ou gostavas de fazer desporto em geral?

Eu gostava de fazer desporto em geral tanto que antes de ir para o futebol fiz ginástica, natação, atletismo, andebol, enfim fiz várias modalidades e depois adotei o futebol porque era a modalidade que mais gostava

5)Qual foi o melhor e o pior momento que viveste no futebol até hoje e porquê?

O pior momento foi quando parti a perna, estava num estágio da seleção nacional, quanto ao melhor momento a nível futebolístico acho que foi o golo que marquei no Mundialito contra a Finlândia, foi um golão que fica para a história, e depois de ter feito uma coisa tão bonita falho um penalty, falhei eu e falhou outra colega e foi um mau momento sem dúvida, mas o pior foi mesmo quando parti a perna e estive muito tempo parada.

6)Como te descreves como jogadora?

Sou uma jogadora irreverente, criativa e imprevisível.

7)Tens alguma superstição ou ritual antes ou depois dos jogos?

Tenho e posso contar, costumo sempre entrar em campo com o pé direito e visto-me sempre pelo lado esquerdo ou seja, primeiro visto a manga esquerda, calço primeiro o pé esquerdo, portanto entro com o pé direito e visto-me pelo lado esquerdo.

8)O que te motiva para continuares a jogar futebol?

Aos 38 anos o que ainda me motiva neste momento é estar num projeto novo, numa divisão que nunca joguei e logicamente tentar levar o Valadares à divisão principal que é algo que nunca fiz, porque sempre joguei na 1ª Divisão e tentar ir à Final da Taça de Portugal. Por outro lado enquanto me sentir útil à equipa tenho sempre motivação.

9)Alguma vez sentiste que o futebol te prejudicava nos estudos ou na tua vida profissional?

Nos estudos talvez não mas na minha vida profissional sim, porque se calhar fiz opções que me levaram a não ter um emprego melhor, porque sempre tive trabalhos onde pudesse ir à seleção, onde pudesse jogar futebol ao domingo, portanto sempre tomei opções de vida em função do futebol.

10)A falta de condições e de reconhecimento do futebol feminino é só um problema de dinheiro?

Não é só um problema de dinheiro, também é um problema de mentalidades, porque vivemos num país que ainda não vê o futebol feminino com muito bons olhos, mas isso têm tendência em se ir dissipando porque a FPF está a trabalhar muito bem nessa área.

11)Achas que o futebol feminino ainda está ligado a preconceitos?

Acho que sim, como disse anteriormente as pessoas ainda não vêem com bons olhos o futebol feminino, embora ache que ao longo dos anos, as coisas têem vindo a mudar, o que também passa muito pelos resultados da seleção, porque na imagem que passa cá para fora vê-se a qualidade das jogadoras portuguesas .

12)Achas que num futuro próximo vamos ter uma liga profissional em Portugal?

Num futuro próximo talvez por estar a haver um desenvolvimento que pode levar muita gente a pensar que sim, mas na minha opinião pessoal, aponto antes para médio/longo prazo.

13)Qual a liga estrangeira que mais te atrai?

Alemã e Americana

14) Qual foi a tua reação quando te apareceu a primeira oportunidade para jogar no estrangeiro? Aceitaste sem hesitar?

Não! A primeira oportunidade que me apareceu, estava eu no Sporting, tinha 18 anos foi para ir para a Suécia, eu queria ir mas o meu pai não me deixou, se calhar hoje está arrependido de não me ter deixado sair naquela altura, estamos a falar de há 20 anos atras, possivelmente teria sido muito melhor jogadora daquilo que fui, teria ganho porventura títulos que nunca ganhei, mas pronto foi a opção dele, e naquela altura ele ainda comandava a minha vida.
Quando tive a oportunidade de ir para a China, também não aceitei logo, porque tive medo de ir para um país desconhecido, mas ponderei melhor e aceitei, embora com algumas hesitações, e por último quando tive o convite para ir para a Lázio, pensei muito no sentido do trabalho, tinha uma vida cá e sair de Portugal aos 37 anos, para ir jogar futebol para o estrangeiro, tem que ser bem ponderado e  hesitei mas sempre com a vontade de aceitar o que veio a acontecer.

15)Até quando pensas jogar futebol?

Vou-me retirar em breve, se não for este ano, só jogarei mais uma época. Há um aliciante e um projeto muito consistente no Valadares, no qual estou muito envolvida e gostaria de dar alguma continuidade, mas vou pensar no final da época e tomar uma decisão naquilo que vou fazer.

16)Como é vestir a camisola da selecção portuguesa?

Não tenho palavras para definir o sentimento que é servir o nosso país, e sempre tive um orgulho enorme de vestir aquela camisola, acho que é chegar ao ponto mais alto da carreira.

17)Qual a sensação antes de entrar em campo na 1ª internacionalização ? As pernas tremem muito ?

Sim tremem, não só as pernas, foi o corpo todo. Tremi muito e estava com uma ansiedade muito grande. Lembro-me perfeitamente foi em Novembro de 93 no S. Luis em Faro, contra uma seleção sub-20 da Suécia, logicamente tremia e estava muito nervosa. Mas até há bem pouco tempo atras, mesmo após mais de 140 jogos, quando cantava o hino a perna continuava a tremer.
Para mim jogar na seleção foi uma experiência muita enriquecedora, um orgulho muito grande em vestir aquela camisola e representar o meu país.

Tagged . Bookmark the permalink.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>