Ainda que a França esteja disputando o seu primeiro Torneio Olímpico de Futebol Feminino, Louisa Necib não quer voltar para casa apenas com uma classificação para as quartas de final. Depois de liderar as Bleues em um grupo que incluía Estados Unidos, Coreia do Norte e Colômbia, a meio-campista se prepara para encarar um duelo especial, marcado por reencontros e um inevitável sentimento de desforra.
“A Suécia, especificamente, não nos assusta, porque, a essa altura da competição, você só enfrenta grandes seleções”, comenta a jogadora nascida em Marselha, em entrevista ao FIFA. “Elas nos tomaram uma medalha no último Campeonato do Mundo, mas espero que desta vez a história seja diferente.” Com efeito, na Alemanha 2011, as escandinavas subiram ao terceiro degrau do pódio graças a uma vitória sobre as francesas, que haviam chegado pela primeira vez às semifinais de um Mundial.
As meninas de Bruno Bini agora se sentem mais à vontade nas instâncias decisivas de um grande torneio. “Desde o Campeonato do Mundo, estamos vivendo uma fase magnífica, disputando jogos importantes em belos estádios, e isso é muito prazeroso”, celebra Necib, cabeça pensante de uma França que só fez aperfeiçoar suas armas desde aquela quarta colocação. A meio-campista encara o reencontro com as escandinavas com um sentimento que vai do entusiasmo à moderação. “Será de fato uma desforra, mas, acima de tudo, uma partida difícil de se jogar.”
Após uma derrota indigesta contra as americanas, por 4 a 2, na abertura do Grupo G, as francesas encaram mais uma favorita ao ouro olímpico. Necib sabe que a sua seleção terá de jogar ainda melhor do que na primeira fase, principalmente em relação à última partida, contra a Colômbia, vencida por um magro 1 a 0, apesar do caminhão de golos perdidos no primeiro tempo. “Faltou eficiência”, admite a jogadora. “Como disse o nosso treinador, não temos o direito de desperdiçar tantas oportunidades de golo nos confrontos que virão pela frente.”
Inimiga íntima
Além de rever o carrasco do Mundial neste primeiro jogo eliminatório do Torneio Olímpico, a meio-campista do Lyon terá a oportunidade de reencontrar uma velha conhecida, que estará pronta para punir o menor erro da seleção gaulesa. Ela se chama Lotta Schelin e nesta temporada marcou 38 gols pelo mesmo clube francês, muitos deles com a assistência luxuosa de Necib. “É ao mesmo tempo estranho e prazeroso jogar contra uma colega de clube”, comenta sobriamente a estrela bleue.
Esse sentimento ambivalente será compartilhado pela maior parte da seleção da França, que aposta mais do que nunca em um núcleo de jogadoras bicampeãs europeias pelo Lyon. Se, por um lado, é sempre um prazer cruzar o caminho de Schelin, famosa pela simpatia, por outro, a experiência poderá rapidamente se transformar em pesadelo por conta do espírito competitivo da atacante. “Quando pratica um desporto de alto nível, você necessariamente tem um lado ‘matador’ e faz de tudo para ganhar, mesmo que esteja diante de companheiras de clube”, disse Schelin em entrevista recente ao FIFA. “Não sou uma pessoa má, mas faço de tudo para que a minha equipe vença.”
Há cerca de um ano, na cidade alemã de Sinsheim, a artilheira sueca não teve o menor remorso para abrir o marcador contra a França, e ela certamente tampouco o terá caso tenha a oportunidade de repetir o feito nesta sexta-feira. Do outro lado do campo, porém, Necib não estará pensando diferente…
In pt.fifa.com
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