Meios de comunicação social mantêm as mulheres fora de jogo

O futebol no feminino só teve lugar durante algumas transmissões da selecção, e durante o jogo SB Braga - Sporting CP.
O futebol no feminino só teve lugar durante algumas transmissões da selecção, e durante o jogo SC Braga – Sporting CP.

Os meios de comunicação social podem desempenhar um papel importante no combate aos estereótipos de género e à promoção da igualdade entre mulheres e homens no desporto e na vida.

Existem diferenças muito significativas na cobertura mediática dos desportos a nível feminino e a nível masculino, havendo pouca equidade neste capítulo.

Quando se observa o peso que, por exemplo, o futebol ocupa na agenda dos meios de comunicação social e o espaço que é reservado à modalidade quando praticada por mulheres, constata-se uma tremenda discrepância – quer ao nível da imprensa escrita, da rádio e, também, da televisão.

No entanto, não é aceitável que, neste como noutros campos da vida, possam existir mulheres fora de jogo. Urge tomar medidas para combater a invisibilidade das mulheres no desporto e o futebol, tendo em conta a sua popularidade e divulgação, pode desempenhar um poderoso parceiro que ajude a abrir um caminho de maior igualdade na cobertura noticiosa do desporto no feminino. Mas este é um património reivindicativo das mulheres que praticam todas as modalidades.

Os aspetos acima referidos devem forçosamente ser respeitados, designadamente, quando falamos de Serviço Público, que deve ter um papel determinante no combate à invisibilidade e às barreiras culturais que obstaculizam uma maior participação desportiva das mulheres.

É também premente promover a visibilidade de atletas femininos e das modalidades desportivas praticadas por mulheres por forma a influenciar positivamente a sociedade, sobretudo, as crianças e os jovens.

Em 2014, Portugal tinha 16,6% de adultos obesos, valor superior à média da União Europeia, e, segundo a Eurostat, no nosso país há mais obesidade entre as mulheres (17,8%) do que entre os homens (15,3%). A inatividade física é apontada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das principais causas para a existência de obesidade, sendo que, em Portugal, o número de mulheres que não pratica qualquer desporto é superior ao dos homens. No caso dos menores entre os 11 e os 15 anos, a OMS recomenda que nestas faixas etárias haja pelo menos 60 minutos diários de “atividade física moderada a vigorosa”. No nosso país, aos 11 anos só 16% das raparigas cumprem as recomendações da OMS e aos 15 anos o valor desce para 5%.

É evidente que não basta promover uma maior igualdade ao nível da cobertura mediática do desporto no feminino. É claro que essa questão não se pode limitar ao futebol e antes deve ser contemplada em todas as modalidades.

Subscrevemos este texto porque defendemos que a igualdade entre mulheres e homens no desporto e na vida é um direito e porque consideramos que têm de ser tomadas medidas urgentes que no sentido do reconhecimento da necessidade que o desporto no feminino tenha uma maior cobertura mediática.

Apelamos a todos os responsáveis – políticos, desportivos, órgãos da comunicação social – que tomem as medidas que materializem dignamente estas aspirações.

 

A equipa do Portal Futebol Feminino em Portugal

Joana Lima

Desde 2011 comecei a assistir a alguns jogos na TV. Depois da final da Champions, apaixonei-me por este desporto. Não escrevo com o Novo Acordo Ortográfico.

One Reply to “Meios de comunicação social mantêm as mulheres fora de jogo”

  1. 2015
    População residente: 10.358,1 masculino: 4.912,6 feminino: 5.445,5
    Fontes/Entidades: INE, PORDATA
    Última actualização: 2017-03-10
    Se as mulheres boicotarem os meios de comunicação social, TV, jornais, revistas, os meios de comunicação social ficaram reduzidos a cinzas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *