“Poderemos ver uma cadência de movimentos agradável”, Opinião Ana Pereira

 

Apesar de os estudos dizerem que as mulheres podem jogar tão bem futebol quanto os homens, um grande número de pessoas continua a por um sorriso de escárnio nos lábios quando se fala de futebol feminino como se fosse contranatura uma mulher dar uns chutos na bola ou correr atrás dela.

Homens e mulheres têm estilos diferentes a vários níveis e na prática do futebol essas diferenças também se fazem sentir. E se a performance física dos homens é melhor do que a das mulheres (a biologia explica) nas questões técnicas não se encontram diferenças avassaladoras.

A velocidade e a intensidade com que homens e mulheres jogam é distinta até porque a percentagem de massa muscular e de gordura são também diferentes em homens e mulheres. Mas, se a técnica for trabalhada desde cedo, homens e mulheres podem ter desempenhos similares. E, ultrapassado o preconceito, poderemos ver no futebol feminino uma cadência de movimentos agradável que tira ao futebol os excessos de virilidade que tantas vezes dão mau nome à modalidade.

Vem este introito a propósito da recente conquista do Sporting de Braga na modalidade de futebol feminino. Em jogo disputado em Viseu (o politicamente correto da descentralização dos grandes eventos leva a campos absurdos onde nem água quente há para as atletas tomarem banho) o Sporting de Braga venceu nas grandes penalidades a equipa do Sporting de Portugal, grande rival dos últimos anos e a quem nunca tínhamos conseguido ganhar uma competição.

O primeiro troféu bracarense no futebol feminino coroa uma luta e um investimento com vários anos numa modalidade que está a crescer mas que ainda é invisível para uma grande maioria da população portuguesa.

Em menor número mas com a mesma ênfase também em contexto do futebol feminino surge o palavrão, turpilóquio que assume na nossa cidade contornos tipicamente minhotos expressos em termos representativos da região a que se juntam pitadas de sexismo que, a espaços, mandam as atletas para sítios recônditos que não só abaixo de Braga, catalogando-as em espécies animais que fazem corar os mais pudicos.

Em Viseu também ele esteve presente e confesso que também eu me senti prenhe de vontade de vilipendiar duas ou três atletas sportinguistas que nas suas mais recentes conquistas em jogos disputados contra a equipa bracarense demonstraram um comportamento muito pouco correto, grassando uma grosseria inconcebível num total desrespeito pelas adversárias. O futebol é feminino mas na modalidade o glamour nunca existiu.

As meninas do Braga mereceram a conquista da supertaça e a cidade encheu-se de orgulho do seu desempenho tendo-as recebido de uma forma entusiasta e calorosa. António Salvador ficou duplamente feliz: trouxe o troféu e não teve de se sentar ao lado do trauliteiro Bruno de Carvalho, parece que definitivamente arredado dos destinos dos leões.

O Sporting escolheu um médico para curar as mazelas do clube e parece ter escolhido bem apesar de no seu primeiro dia como presidente se ter visto na obrigação de ter de curar as mazelas da leoas do futebol.

In https://www.diariodominho.pt

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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