A pseudo polémica com as entradas pagas no jogo Albergaria – Sporting Clube Portugal

Factos:
  • O comunicado oficial n° 1 para a época 2017/2018 estipula o valor máximo permitido nos jogos da Liga Allianz;
  • O regulamento da competição em questão determina um conjunto de requisitos para a emissão de bilhetes;
  • O mesmo regulamento, no artigo 81, diz que os “clubes visitantes têm direito, em cada jogo, a requerer lugares que totalizem 10% da capacidade do estádio (…)”. Em outros regulamentos de provas organizadas pela FPF, o “requerer” é substituído por “comprar” pelo que se assume que a cedência de bilhetes é a custo zero;
  • O Sporting Clube de Braga tem entradas pagas nos seus jogos como visitado;
  • O Albergaria decidiu cobrar entrada para o jogo contra o Sporting Clube Portugal;
  • O Albergaria, aparentemente, nem oficiosa nem oficialmente, informou o Sporting desta sua intenção. Deveria tê-lo feito por uma questão de respeito institucional. Os vários suportes de informação relativamente ao jogo não abordam a questão de ter entradas pagas;
  • Não tendo conhecimento da pretensão do Albergaria, o Sporting não pode, em tempo útil, requerer os bilhetes a que tem direito dentro do prazo estipulado no regulamento (antecedência mínima de 8 dias).


Consequências:

  • O Sporting revela a sua indignação nas redes sociais chegando a pedir desculpas por uma situação prevista no regulamento e devidamente enquadrada. Pessoalmente, considero que foi uma atitude extemporânea e despropositada;
  • O Albergaria não teria que passar pela acusação de que se aproveitou “da boa vontade”. Quanto muito aproveitou-se do nome grande de um clube de futebol nacional para fazer receita adicional. Fará, com toda a certeza, o mesmo contra o Sporting Clube de Braga;
  • Os responsáveis do Sporting, ao chegarem ao estádio e depararem-se com a existência de bilhetes pagos, deviam ter requerido ao Albergaria a sua quota parte de bilhetes para distribuir pelos adeptos e, desta forma, salvaguardar os seus interesses. Se o tivesse feito teria marcado a sua posição logo de imediato;
  • Caso o Sporting tenha detectado irregularidades nos bilhetes impressos, não cumprindo os requisitos exigidos pela FPF, deve apresentar protesto sobre o caso em sede própria. Caberá à FPF julgar a situação e ao Albergaria assumir as punições, caso existam;
  • Os adeptos do Sporting são dos mais fiéis que algum clube pode ter. Mereciam saber ao que iam sendo que não acredito que deixariam de ir apoiar a equipa se antecipadamente conhecessem as intenções do Albergaria.


Conclusão:

  • O Sporting deveria sentir-se orgulhoso e lisonjeado por ter entradas pagas nos seus jogos e, ainda assim, conseguir que o estádio estivesse composto (foi isso que vi em Albergaria). Afinal é o detentor dos três troféus nacionais, há que fazer jus à enorme qualidade da sua equipa;
  • O Sporting teve uma oportunidade fantástica para assumir uma posição pedagógica no que diz respeito a este assunto. Não soube lidar com ela;
  • O Sporting não precisa de cobrar bilhetes? É pena. Devia dar o exemplo do que é uma equipa profissional. Mesmo que o valor do bilhete fosse simbólico, é criar cultura de que o desporto feminino, a exemplo do masculino, deve ser pago como qualquer outro espetáculo.
Não é este o caminho? Vejam-se os bons exemplos dos grandes clubes europeus que possuem equipas (também grandes) de futebol feminino!
In http://passesemprofundidade.blogspot.pt/

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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