Rosa Cruz é guarda-redes aos 54 anos – TSF

Jogadora da Casa do Povo de Martim garante que, mais do que força nas pernas, é preciso “garra”. Ainda espera jogar “nem que seja um minuto” na final da Taça de Portugal feminina.

Foto: Liliana Costa/TSF
Foto: Liliana Costa/TSF

Rosa Cruz começou a jogar à bola ainda em miúda, na companhia dos irmãos, combatendo o preconceito e os adversários, em nome da paixão pelo futebol.

“Antigamente era muito diferente. Naquela altura, mulheres a jogar à bola só mesmo eu. Quando via pessoas a aproximarem-se até saía para não ser vista a jogar no meio de rapazes, mas depois fui-me habituando e não ligava. Os meus pais não tiveram outro remédio [senão aceitar a opção] pois eu queria muito jogar”, recordou à TSF.

Aos 54 anos, ainda está no ativo e confessa que “sempre que entro em campo é como se fosse a primeira vez, sempre muito nervosa”.

Mais do que força nas pernas, Rosa garante que para estar no futebol é preciso “mais garra, como a que tínhamos antigamente, ser mais duras. Elas agora têm tudo para serem jogadoras. Quando comecei como guarda-redes, a treinar em terra, cheia de lama, os treinos eram muito duros”.

No campo como na vida profissional, não se intimida com as dificuldades. Trabalha numa oficina de camiões e em casa, nos trabalhos agrícolas. “Se tiver que ir para o campo com o trator também tenho que ir. Os trabalhos pesados não me assustam, só me assusto se não houver o que fazer”, atira.

Rosa Cruz tem adiado o fim da carreira. Dos muitos jogos disputados guarda muitas memórias e algumas lesões, como quando abriu o sobrolho durante um lance e se apresentou no jogo do fim de semana seguinte. “Tinha oito pontos [na face], empatamos, ficamos com nove”, ri-se. “Tinha que jogar porque eu dizia que era o último jogo”. Não foi e já passaram oito anos.

Quem a conhece, descreve-a como uma pessoa combativa e temperamental. Apesar disso, só lhe viu ser mostrado um cartão vermelho.

Federada há mais de 30 anos, Rosa Cruz joga na Casa do Povo de Martim, equipa de Barcelos que lidera o Campeonato de Promoção em futebol feminino. Está nas meias-finais da Taça de Portugal de Futebol Feminino e, se chegar ao Jamor, ainda espera jogar, “nem que seja por um minuto” na final da competição. “Aí é que eu acho que acabava mesmo a carreira, e com o Martim na primeira divisão”, admite.

 

In www.tsf.pt

Joana Lima

Desde 2011 comecei a assistir a alguns jogos na TV. Depois da final da Champions, apaixonei-me por este desporto. Não escrevo com o Novo Acordo Ortográfico.

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