Seleção Nacional: “Queremos ser uma equipa competitiva em todos os jogos”, Francisco Neto

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Francisco Neto, atual selecionador nacional, esteve à conversa com o Portal Futebol Feminino em Portugal, fazendo um breve balanço da participação de Portugal no Euro 2017 e projetando a próxima época desportiva, focando já os próximos jogos de preparação da seleção A.

A participação no Euro 2017 já lá vai com todos os sucessos e aspectos menos positivos. Quais foram as principais aprendizagens na participação numa fase de uma competição deste calibre?

O balanço é positivo, os aspetos de sucesso foram superiores aos menos bons, o crescimento global da Seleção foi a grande conquista. Tivemos oportunidade de transmitir a nossa ideia de jogo durante um estágio de longa duração e isso permitiu uma grande assimilação e consolidação dos grandes princípios da nossa equipa; conseguimos durante a competição ir crescendo como equipa e na qualidade de jogo apresentado, fazendo com que as diferenças no ranking não fossem sentidas. Isso permitiu-nos estar até ao final do último jogo da fase de grupos a lutar pelo apuramento, algo que poucas pessoas acreditavam ser possível antes do Euro começar.

Na apresentação da constituição das equipas técnicas nacionais para a época 2017/2018, no geral a base mantém-se. Que características atribui à equipa que integra que levam aos sucessos dos últimos anos? 

A direção da FPF tem apostado na estabilidade das equipas técnicas nacionais (juntamente com óptimas condições de trabalho). Isso permite que ao longo do tempo haja muita partilha e pensamento comum em relação ao caminho traçado. Procuramos ser uma equipa que reflete sobre as coisas e discute internamente as decisões tomadas. A diversidade apresentada por todos os treinadores aliada à competência, frontalidade, empenho e profissionalismo permite a evolução.

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Neste momento, o departamento feminino conta com 4 equipas de futebol de formação em contraste com 6 do departamento masculino. A aposta na formação está a ser cimentada nos últimos anos, quais são as principais apostas das equipas técnicas nacionais para os próximos anos?

Não podemos comparar as etapas de formação do masculino com o feminino, o número de praticantes é distinto e as competições de clubes na formação são ainda diferentes, isso faz com que no masculino as seleções de cada escalão sejam constituídas por maioria de jogadores do próprio escalão etário (ano de nascimento). No feminino estamos a iniciar o trabalho de massificação de jogadoras na formação, aumentar o número de competições na formação e isso permitirá o aumento do número de seleções nacionais femininas (este ano iremos iniciar o escalão de sub 15 – 1ª vez em Portugal). Neste momento ainda é difícil conseguir constituir uma seleção nacional de formação onde a maioria das jogadoras são do mesmo ano de nascimento, o aumento do número de jogadoras e consequente aumento da qualidade será importante. O grande objectivo das seleções de formação continuará  ser colocar jogadoras na seleção principal através da criação de contexto de adversidade e competição que permita a evolução das jogadoras no meio internacional.

Existem planos para a criação das seleções nacionais femininas sub-20 ou sub-21?

Essas decisões são sempre da direção da FPF. No entanto do ponto de vista técnico a criação de seleções nacionais têm de ser feita de forma a potenciar as jogadoras em contextos competitivos internacionais, neste momento não há competições internacionais Sub-21 (há nas sub-20 o campeonato do Mundo mas são sempre as equipas que apuram dos campeonatos da Europa sub 19), dessa forma, julgo ser mais importante potenciar seleções mais jovens.
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Já em setembro decorrem jogos de preparação da Seleção A tendo em vista o apuramento para o Campeonato do Mundo. Depois da boa prestação da seleção no Euro 2017 mesmo com a despedida madrugadora, quais as expetativas para o jogo contra a Bélgica já em outubro?

O Euro 2017 foi um torneio que nos permitiu evoluir como equipa, no entanto é num formato completamente distinto do apuramento para o Campeonato do Mundo e isso transforma todo o contexto, estamos inseridos num grupo muito equilibrado (único com 3 equipas presente no Euro) onde todos os jogos serão difíceis contra adversários de muito valor. O nosso objectivo é conseguir sermos competitivas em todos os jogos de modo a permitir reduzir as diferenças do ranking dentro de campo e discutir os jogos. O jogo contra a Bélgica é o primeiro grande desafio.

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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