“A mudança de mentalidades deve começar “por cima” ou seja, pela própria FPF”, Carla Martinho, GD Incansáveis

1) B.I. Futebolístico
Nome completo: Carla Custódia de Oliveira São Martinho
Nome Futebolístico: São Martinho
Local e data de nascimento: Vila Nova de Gaia, 31 de Outubro de 1985
Nacionalidade: Portuguesa
Profissão: Enfermeira
Ano que iniciaste a prática futebol federado: 2002
Clubes que já representaste no futebol: GD Incansáveis
Clube Actual: GD Incansáveis
Posição especifica: Lateral Esquerdo
Títulos Colectivos Conquistados : Campeã distrital da AF Porto em 2005/2006
Títulos Individuais Conquistados : 0
Número de internacionalizações: 0
Clube Favorito: SL Benfica e o GD Incansáveis, claro!
Número Preferido: 3
Jogador preferido: Fábio Coentrão e Javi Garcia
Jogadora preferida: Andreia Silva (1º Dezembro)
Uma virtude: Sinceridade
Um defeito: Orgulho

2)Como é que começaste a praticar futebol?

Em 2001, o clube da minha freguesia, FC Pedroso, iniciou as captações para formar uma equipa de futebol feminino mas nunca chegou a inscrever a equipa e o projecto acabou por “morrer”. Ainda assim, o nosso jogo de apresentação foi contra o GD Incansáveis, clube que conheci nesse dia. Meses mais tarde fiz uns treinos de captação e acabei por ficar.

3)Tiveste o apoio da tua família?

Somos 4 irmãos, 2 rapazes e 2 raparigas, e todos praticamos futebol federado em algum momento da nossa vida. Portanto é fácil de depreender que sim, família e amigos sempre me apoiaram, sem qualquer tipo de preconceito.

4)O futebol foi sempre a única paixão, ou gostavas de fazer desporto em geral?

Desde os meus 12 anos que pratico algum tipo de desporto com carácter competitivo. Primeiro joguei voleibol, mais tarde andebol e por fim o futebol. Pelo meio ainda pratiquei atletismo! Andebol e futebol são as minhas grandes paixões. A vida é feita de opções e eu optei pelo futebol, coisa de que não me arrependo.

5)Qual foi o melhor e o pior momento que viveste no futebol até hoje e porquê?

Houve várias vitórias que me deram um gostinho especial e derrotas que causaram alguma frustração. Gosto de viver as emoções jogo a jogo! Mas é claro que conquistar o título de campeã distrital da AF Porto foi marcante para mim. O pior momento foi, sem dúvida, o falecimento de um dos nossos treinadores, Ricardo Gonçalves, em 2007. Foi um acontecimento muito traumático para todo o grupo mas que provocou também muita união.

6)Como te descreves como jogadora?

Prática, experiente e com um bom sentido posicional.

7)Tens alguma superstição ou ritual antes ou depois dos jogos?

Sim, entro sempre com o pé direito em campo e benzo-me.

8)O que te motiva para continuares a jogar futebol?

A paixão que tenho pela modalidade e o grupo fantástico que tenho na minha equipa.

9)Alguma vez sentiste que o futebol te prejudicava nos estudos ou na tua vida profissional?

Não! Sempre soube estabelecer prioridades na minha vida. Quando estive na faculdade foi mais difícil de conciliar porque estudei e vivi fora da minha área de residência mas, felizmente, acabou por ser possível continuar a jogar futebol com a ajuda do meu clube que foi bastante flexível.

10)A falta de condições e de reconhecimento do futebol feminino é só um problema de dinheiro?

Não é só um problema de dinheiro mas este talvez seja um ponto-chave para a mudança da estrutura do futebol feminino em Portugal. Sabemos da existência de equipas de futebol feminino que terminaram no passado porque o clube deixou de apostar no futebol feminino. Se o escalão feminino fosse economicamente vantajoso para o clube, é claro que isso iria interessar os clubes a procurar e a formar jogadoras e desmotivava-os a desistir com as equipas femininas como bem lhes apetece!
Outro grande problema é a falta de competitividade, principalmente no Campeonato de Promoção. Como é que alguém pode ter um reconhecimento no que faz enquanto atleta quando a FPF só “permite” a realização de uns 16 jogos oficiais (já a contar com a Taça de Promoção) numa época?! São 4 meses apenas a competir e isso é claramente insuficiente. Sem competitividade não há a evolução desejada. A mudança de mentalidades deve começar “por cima” ou seja, pela própria FPF.
Quando estes aspectos, entre outros, mudarem, talvez o futebol feminino tenha uma maior visibilidade.

11)Achas que o futebol feminino ainda está ligado a preconceitos?

Embora menos do que no passado, acho que continuam a haver alguns preconceitos ligados às jogadoras que praticam futebol. A título de exemplo, para muitas pessoas que desconhecem o universo do futebol feminino, a jogadora de futebol é sempre uma rapariga mais masculinizada, ou seja, com cabelo curto, roupas largas e andar mais descontraído. Embora também existam jogadoras que optem por esse visual, eu sou a prova viva de que isso nem sempre é verdade. Sou extremamente feminina e adoro futebol! Muitos pensam que esta combinação não é possível e ficam bastante surpreendidos quando descobrem que jogo futebol.

12)Achas que num futuro próximo vamos ter uma liga profissional em Portugal?

Não. Ainda estamos a “anos-luz” para que isso aconteça. Basta pensar em outros países onde o futebol feminino está muito mais desenvolvido do que em Portugal e continuam sem uma liga profissional.

13)Qual a liga estrangeira que mais te atrai?

Confesso que não sigo muito atentamente as ligas estrangeiras de futebol feminino, motivo pelo qual nenhuma me atrai verdadeiramente e vice-versa.

14)Se te aparecesse uma oportunidade para ser profissional em Portugal ou no estrangeiro aceitavas?

Provavelmente não. Tenho os pés bem assentes na terra e as minhas prioridades bem definidas.

15)Até quando pensas jogar futebol?

Até o dia em que não consiga conciliar a minha vida pessoal com a prática de futebol. Se esse dia não chegar, abandonarei o futebol quando sentir que já dei tudo e não tenho nada mais para aprender.

3 Replies to ““A mudança de mentalidades deve começar “por cima” ou seja, pela própria FPF”, Carla Martinho, GD Incansáveis

  1. É um prazer ter conhecido a Carla inicialmente como atleta, depois como capitã, depois como apoio interno em aspetos diretivos e obviamente como grande amiga e pessoa que é! A Carla é sem dúvida alguma uma atleta de grupo, uma atleta de balneário, preparada para lidar com adversidades extremas e sempre com um objetivo em mente, o melhor para o GD Incansáveis. Sempre conseguiu conciliar da melhor forma a sua vida profissional e pessoal com treinos e jogos, sendo super disciplinada e rigorosa consigo própria. Sem dúvida alguma das atletas que mais prazer me deu trabalhar e uma amiga para a vida. A Carla é a personificação de um capitão apaixonado, que veste a camisola pela camisola e com amor pela mesma (às vezes até demais… eheh). Muita boa sorte para a tua vida em todos os aspetos da mesma.
    Beijinhos.
     
    Diogo Pacheco

  2. Grande Carlinha, grande capita, grande profissional, grande jogadora e acima de tudo? Grande pessoa e grande amiga <3

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