Adriana Rocha pronta para grandes ‘defesas’

 

Adriana Rocha, de apenas 16 anos, é uma das promessas do futebol feminino, em Portugal. Os seus bons desempenhos valeram-lhe, até ao momento, 1269 minutos a defender as ‘redes’ da Equipa das Quinas. 

Foi ainda muito cedo que Adriana Rocha, guarda-redes sub-19 do Sport Lisboa e Benfica, mostrava “entusiasmo a brincar com a bola.” Nunca gostou muito de bonecas “ficava um pouco desiludida quando me ofereciam”, sempre preferiu as “bolas de futebol.

Com apenas 5 anos, a madrinha inscreveu-a, na Escolinha do Benfica de Vila Nova de Famalicão, “onde era a única rapariga quando entrei.” Camisola que vestiu durante 6 épocas. Seguiu-se depois o ADJ Mouquim, a Casa do Povo Martim e o Ribeirão 1968 FC. E foi, é pela família, e em especial pelo avô, que entrou e entra em campo, com a vontade de defender e defender. Mostrando que veio para ficar.

E quando todos querem marcar golos, a jovem encarnada, defende-os. Mas como será que tudo começou? Ela conta-nos que por volta dos 7/8 anos foi a um torneio e “houve um problema com o nosso guarda-redes”e o treinador propôs-lhe que fosse ela para a baliza. E assim começou esta história de amor. Diz que se “portou relativamente bem” e a partir daí começou a treinar como guarda-redes. E sentia que tinha poucas oportunidades a jogar na frente e aceitou o desafio. E que desafio.

Sabemos que ser guarda-redes é uma das posições um pouco ingratas. E há momentos um pouco duros talvez injustos, como diz Adriana, “todos temos direitos de errar e não fazemos milagres.” Sabe que é a “última barreira para evitar o golo” e às vezes há coisas que são ditas no “calor do jogo”, que magoam. Contudo, é os bons que prefere recordar, como o dia em que foi “eleita a melhor guarda-redes num torneio em que a larga maioria do jogadores eram rapazes.” Um dia que a marcou e marca porque “mostrou que não importa o género, o importante é a qualidade que se mostra em campo; e cada vez mais, é reconhecido valor das raparigas.”

E atualmente, com a época terminada, qual é o balanço que faz? “Infelizmente não acabou como queríamos,” a equipa encarnada continuava sem perder, até ao momento em que terminam com a época e “eu tinha o desejo de ser campeã sub-19.” Porém pensa positivo e sabe que ““vão haver mais oportunidades para lutar por títulos.” Destaca o colectivo e todos os aspetos positivos que juntas conseguiram. Para ela o mais importante “é que a segurança e a saúde pública regressem às rotinas das pessoas” e quando as condições estiverem reunidas “fica a certeza que terão de contar com o Benfica.” Depois desta ‘pausa’ “voltaremos super motivadas para lutar por novas conquistas, há muito futuro pela frente,” concluí.

A nível individual fala da alegria de “poder jogar pelo clube do coração e crescer como jogadora.” Desde muito nova sonhava vestir a camisola das águias e poder cumpri-lo é algo inexplicável. No Benfica, a jogadora, tem a certeza que “tenho todas as condições para evoluir” e um dia espera chegar às seniores “e conseguir ser opção para ajudar a equipa na luta pelos objectivos do Clube.”

Outra das suas alegrias é a Seleção. E em 2018 conseguiu a sua primeira internacionalização. Ter chegado às “categorias jovens da seleção nacional foi muito importante,” deu-lhe mais notoriedade e abriu-lhe mais portas “ainda bem que apareceu o Benfica no meu caminho,” referiu. Vestir a camisola da Equipa das Quinas não lhe deu só notoriedade, mas ajudou-a e muito, a ganhar confiança como jogadora. Todos precisamos de um ‘empurrãozinho’. E como terá sido a estreia? “O momento da minha estreia foi emocionante, arrepio-me cada vez que me lembro, poder ajudar o meu país a fazer história é um orgulho.” Naquele instante sentiu que “não podia pedir mais”, mas a verdade é que “quero mais” e “vou trabalhar.” Irá trabalhar para desenvolver ainda mais as suas capacidades e conseguir fazer uma carreira desportiva. A jovem guarda-redes “gostava imenso de participar em mais europeus e quem sabe num mundial. E, claro, um dia chegar à Seleção A.”

E para alguém que respira futebol como estão a ser estes dias? “Custa-me imenso estar sem futebol.” Contudo, mantêm o foco e a forma “para quando voltarmos ” e é o regresso à competição que a motiva. Nestes quase dois meses em casa tem feito o “plano de treino que o Benfica propõe” e tem ainda a possibilidade de ser acompanhada, não só ela, como todo o plantel por fisiologistas, fisioterapeutas e treinadores, “trabalho não falta,” salientou. E para além dos treinos, acompanha as aulas e realiza os trabalhos propostas. Numa altura normal andaria a correr entre escola e treinos, uma vida “cansativa”, por vezes. Mas como “quem corre por gosto não cansa,” tudo acaba por compensar.

Tenta manter sempre a cabeça ocupada. Com as devidas restrições e orientações do Clube e das autoridades de saúde. Acredita que vai ficar tudo bem.

Adriana, respira futebol, mas vive também de outras coisas. Gosta de praticar outros desportos e revela que para além de estar com os amigos, passear e ouvir música, tem uma paixão secreta pela cozinha, “gosto bastante de cozinhar,” confessou.

É uma jovem atenta e com espírito critico. Vive na época de um ‘futebol mais acessível para as meninas’, numa época onde há mais visibilidade, mais tempo e preocupação. No entanto, o que lhe faltará para chegar ao nível de outros países? Na sua opinião “se houver mais escalões de competições na formação, ou seja escalões para mais novas, motivará a entrada de mais raparigas no futebol.” O que significaria o aumento da competitividade e qualidade. Porém, “os clubes e a Federação já estão a contribuir para isto.” Acredita que “há muito futuro no futebol feminino” e afirma que “cabe a todas nós mostrar que temos valor.”

É com base na persistência e no trabalho que Adriana continua a dar tudo todos os dias. É ‘entre os postes’ que se sente feliz. Mas e se o futebol não resultar? “Quero continuar ligada ao desporto.” Tem muitas ideias na cabeça. Todavia, é cedo de mais para falar nisso, com apenas 16 anos o seu principal plano “é empenhar-me ao máximo para conseguir fazer carreira como futebolistas.”

As boas exibições no Benfica e na Seleção, o talento e a vontade, mostram que está no bom caminho para o conseguir.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *