Albergaria-Ovarense: um jogo igual ou nem por isso

Plantel do Albergaria – Foto Tony Dias/Global Imagens

A jornada sete marca um confronto entre as únicas equipas do distrito de Aveiro na I Liga de futebol feminino. Com desejo de mais apoiantes na bancada, ambas querem, naturalmente, vencer

A noite está fria (talvez um bocadinho mais que isso, visto que caíram os primeiros nevões da estação), chuvosa e veem-se relâmpagos ao longe. Ainda assim, sob os holofotes do Municipal de Albergaria-a-Velha as atletas do Clube de Albergaria reúnem-se sob as ordens da treinadora Paula Pinho.

Plantel da Ovarense – Foto Tony Dias/Global Imagens

A 38 quilómetros dali, no Complexo de Ovar, é Sérgio Barreto quem dá as ordens, distribuídas pelo campo com a ajuda das rajadas de vento. O objetivo que as move é o mesmo: vencer o dérbi aveirense deste domingo.

Um dérbi regional é sempre empolgante… ou não. “Vivo-o como qualquer jogo. Toda a preparação do embate com a Ovarense está a ser idêntica, dentro das particularidades que cada partida tem, à que fizemos com os outros adversários. São adversários do nosso campeonato, temos objetivos idênticos, que passam pela manutenção, e o jogo está a ser preparado nesse âmbito”, revelou Paula Pinho.

O rival desta jornada não concorda. “É exatamente como no masculino. São rivalidades, muitas delas conhecem-se, são dois clubes próximos, aqui de Aveiro, e as emoções vão estar ao rubro”, disse Sérgio Barreto.

Há, no entanto, dois aspetos em que coincidem: vai trazer mais adeptos para as bancadas e ambas as equipas querem ganhar. E já se aperfeiçoam-se as melhores estratégias. “O ponto forte da nossa equipa é a garra, o querer ganhar. Penso que no Clube de Albergaria, o ponto forte talvez seja a experiência, estão há muito tempo juntas e isso é uma mais-valia para elas. O Albergaria já está há muitos anos nesta divisão e tem feito bons campeonatos”, apontou o técnico da Ovarense.

“Em condições normais será um jogo com resultado aberto até ao fim. Uma das características do adversário, tal como o Albergaria, é não dar um resultado como um dado adquirido, independentemente do tempo de jogo que vai correndo”, analisou a treinadora de Albergaria.

Às 15 horas, quando soar o apito inicial, as dúvidas começam a dissipar-se. E o frio também!

Nas últimas três épocas, Sara Oliveira defendeu as cores do Albergaria. Agora na Ovarense, sabe as dificuldades que vai encontrar. “Conhecendo o Albergaria como conheço, sei que elas vão dar tudo em campo, nós vamos ter que dar mais ainda para poder ir lá buscar pontos”, avançou a guarda-redes que não pode jogar, por cumprir castigo.

“Gostava de jogar. Ia ser um duelo… é normal, ia custar um bocadinho, mas agora estou na Ovarense e vou fazer tudo para conseguir ajudar a equipa”, afirmou. Na equipa da casa, Patrick é de Ovar. “Mas nunca joguei na Ovarense”, esclareceu. O mesmo não pode dizer Noémia, que aí passou duas épocas.

“É um jogo de gestão de emoções, é sempre estranho, não é? É só antes, é normal ficar aquele nervoso, porque é o clube da minha terra, é a terra que eu gosto, mas neste momento o meu compromisso é com o Albergaria”, concluiu. Numa coisa estão de acordo, trará “mais adeptos para as bancadas”.

Taça repete encontro aveirense

Houve anos em que o Albergaria foi a única representante de Aveiro na I divisão feminina, seca quebrada pelo União Ferreirense. Desde que subiu da II divisão, em 2017/18, os dérbis de Aveiro tem sido travados entre o Albergaria e a Ovarense e o deste domingo é o primeiro da época. Mas terá “repetição” a curto prazo.

É que as duas equipas voltam a defrontar-se, a 22 de dezembro, na Taça de Portugal. “São jogos diferentes, com outro ambiente”, esclareceu Sérgio Barreto. A treinadora do Albergaria concorda. “Até dia 22 ainda temos mais três jornadas, muita coisa pode acontecer, os contextos competitivos são diferentes, até porque o jogo será em Ovar, numa competição em que quem perder sai da prova. A abordagem será diferente. Não sei se as mesmas jogadoras, os mesmos treinadores… esperemos que sim!”, brincou Paula Pinho.

Um desafio para as goleadoras

As duas melhores marcadoras destas equipas têm seis golos marcados. Na Ovarense, Beta Silva, 29 anos, só não marcou na jornada dois. No Albergaria é a madeirense Júlia Mateus (na foto), 19 anos, que mais fatura. Instigamos a veloz Júlia – prestes a viver o primeiro dérbi – a desafiar a oponente.

“Temos os mesmos golos, mas nesta equipa tu não marcas!”, atirou entre risos e tentativa de fazer cara séria. Em Ovar, a Beta faltou ao treino, mas deu resposta. “A guarda-redes que vai jogar, a Miriam, vai fazer tudo para travar o ataque do Clube de Albergaria”, clarificou Sara Oliveira.

In https://www.ojogo.pt/

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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