Algarve Cup: Ficou Portugal aquém das expetativas?

Maria João Xavier analisa a prestação da Seleção Nacional.

Foto: FPF

Por altura que escrevo estas linhas, Portugal ainda não realizou o seu último jogo da competição e, na realidade, não terá qualquer influência no que vou escrever.

As expetativas da participação da nossa Seleção nesta 26.ª edição eram elevadas depois do brilhante terceiro lugar alcançado na edição que celebrou as bodas de prata da Algarve Cup.

E, por um período de tempo, Portugal esteve com um pé na final (ainda que não dependesse exclusivamente de si), mas não conseguiu manter essa esperança até ao final dos 90 minutos contra a Suíça.

A vitória (perfeitamente justa e sem mácula) contra a Suécia, alcançada com enorme demonstração de garra, querer e determinação antevia que Portugal podia fazer mais uma “gracinha” e seguir para a final. Deparou-se com uma equipa suíça pouco interessada em “colaborar” com esta ambição e desejo.

Podia falar nos erros de arbitragem que acabaram por ter influência direta no resultado. Mas isso seria muito redutor e iria tirar todo o mérito ao que a nossa Seleção já conseguiu alcançar. Até porque, nem na Algarve Cup, nem em qualquer outra competição, estaremos livres deles ocorrerem.

Para mim faz-me muito mais sentido destacar as coisas positivas que esta Seleção tem feito, caminhando com passos seguros em perseguição do seu crescimento consolidado. O futuro, já o disse várias vezes, avizinha-se risonho e com muitas conquistas. O trabalho de base que tem estado a ser realizado irá dar os seus frutos a curto/médio prazo. Pode não ser perfeito e não ser do agrado de todos os atores que desempenham funções no futebol feminino, mas todos terão “responsabilidade” pelo que o futuro nos irá trazer.

A resposta à pergunta deste artigo pode ter três respostas (sim, não ou talvez), dependendo da perspetiva e análise de cada um.

Eu deixo-vos a minha e esta tem as três opções:

– Sim, na perspetiva de não igualar ou melhorar a classificação do ano passado. A disputa do jogo para a classificação 9.º/10.º fez-nos recuar a um passado mais ou menos recente e obriga a Seleção Nacional e as suas jogadoras a lidar com a desilusão momentânea e reerguer-se. Não há tempo a perder. A qualificação para o Europeu 2021 está aí ao virar da esquina;

– Talvez, Portugal mostrou e transmitiu enorme confiança no jogo com a Suécia que nos fez acreditar que seria possível fazer o mesmo com a Suíça e seguir para a final. Mas não há dois jogos iguais e a determinado momento, animicamente, demos um grande tombo e não conseguimos reagir como já a vimos fazer;

– Não, de todo. A Seleção Nacional conseguiu, nos momentos de adversidade, em que teve de dispensar atletas por lesão/saúde, dar uma resposta firme de que nada iria abalar a sua confiança e determinação. Apresentou-se como uma equipa personalizada e com enorme capital de confiança acumulado.

E reforço, não de todo, senão que dirá a seleção da Holanda, campeã europeia em título, que passa de um extremo ao outro (de detentor do troféu da Algarve Cup a disputar os lugares 11.º/12.º).

E não creio, diz-me a experiência, que estas estejam muito preocupadas com esta situação. Vão aproveitar, seguramente, o que aconteceu neste torneio para aprender e melhorar para o Campeonato do Mundo.

E é esta a perspetiva que a Seleção Nacional deverá adotar!

Levantar e seguir em frente, que novos (e importantes) desafios vos aguardam!

In http://sjogadores.pt

AnaSilva

Adepta do desporto em geral, mas apaixonada pela modalidade REI (Futebol). Passei a fazer parte deste projecto Portal Futebol Feminino em Portugal com a intenção de poder ajudar na divulgação e promoção do Futebol Feminino.

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