Anita -“ Para sair do Clube Atlético Ouriense, teria de ter uma proposta, irrecusável.”

 

D.R. ANITA

 

Ana Filipa é ‘prata da casa’. Veste as cores do Clube Atlético Ouriense desde a época 2010/2011.  

Ana Filipa Santos, ou Anita como é conhecida, nascia há 26 anos para o futebol. Segundo começou por dizer  “desde que me conheço que me lembro de andar com a bola atrás.” Um amor que desde sempre a fez sentir “bem e feliz,” sempre que havia tempo livre era para jogar futebol. O local pouco importava “no meio da estrada com os meus amigos e irmão ou sozinha” o importante era a bola.

Mas muito antes de brilhar nos relvados, a atual médio, começou pelo futsal. Aos 12 anos, na época 2004/2005, “no CEF que era a escola para a qual iria estudar,” contou. Havia uma “equipa do desporto escolar” e ainda “a equipa federada que competia no campeonato distrital de Santarém” e foi aí que tudo começou. Em 2010, deu-se a mudança para o futebol de 11 “e o início da minha história com o Clube Atlético Ouriense,” onde acabaria por conquistar o Campeonato Nacional da II divisão (2011/2012) e o Campeonato Nacional I divisão, um ano mais tarde. No entanto, “senti que deveria regressar ao futsal por ser mais o meu estilo de jogo.” Na época que se seguiu 2013/2014 vestia as cores do Centro Desportivo de Fátima “que havia subido ao Campeonato Nacional de futsal no ano anterior”. Depois de uma época menos conseguida a nível individual e coletivo, a jovem regressaria a ‘casa’, até aos dias se hoje.

E depois de todos estes anos que significado tem vestir a camisola do Ouriense? O significado é mesmo esse: sentir-me em casa.” Anita, continua e fala de uma “atmosfera enorme à volta do futebol feminino” um clube que tem “bastante apoio com uma massa considerável de adeptos a assistir aos nossos jogos”. Sabemos com os adeptos são importantes e por isso a atleta destaca “a relação adeptos-jogadoras” que “é muito positiva”. Tudo porque “no final dos jogos existe sempre um pequeno convívio” o que ajudou e ajuda a este bom ambiente “é mesmo a minha casa”, finaliza. E não há nada melhor do que estarmos em casa.

Teve e tem a sorte de acompanhar a mudança e evolução do clube. É normal que “existiam algumas diferenças no clube que se devem muito à visibilidade do futebol feminino neste momento, tanto ao nível de organização, como de apoios (monetários) às jogadoras, mas principalmente ao nível de instalações que tem vindo a ser bastante melhoradas e hoje, temos das melhores instalações da Liga BPI. Contudo, destaca a grande aposta do Clube Atlético Ouriense no futebol feminino, e acredita mesmo que “tenha sido dos clubes que mais contribuiu para que o futebol feminino em Portugal começasse a crescer da forma que se tem visto.” Com 10 anos de ‘casa’ onde o amor, a entrega, o trabalho prevalecem será que vestiria outra camisola? “Não vou dizer nunca”, no entanto afirma que “ para sair do Clube Atlético Ouriense, teria de ter uma proposta, irrecusável.” Qualquer coisa que “não pudesse comparar.

D.R. ANITA

 

Como ter a oportunidade de um dia chegar a profissional “era a melhor coisa que podia acontecer”. E entre os objetivos para o futuro, falamos do passado e dos momentos que têm marcado a sua carreira, que são bastantes. Mas o mais marcante de todos foi a passagem aos dezasseis-avos-de final da Liga dos Campeões no ano de 2014, “por ter sido a minha única participação nessa competição, e por termos sido a primeira equipa portuguesa a consegui-lo. ” Momentos que marcam a história da Anita e do futebol feminino em Portugal.

História essa que está repleta de acontecimentos, evoluções e mudanças, que hoje nos permitem escrever sobre quem lutou e luta por ela. O caminho é longo e como tal há ainda muito trabalho pela frente. Como “mais igualdade de géneros no que toca aos apoios dados aos clubes e visibilidade (TV, patrocínios) ainda que estejamos a caminhar a passos largos nesse sentido.” E é continuar.

Como o clube de Anita tem feito até agora. E qual será o balanço que fazes da história desta época que terminou? Esta época ficou um bocadinho aquém dos objetivos tanto no individual como no coletivo,” começa por dizer. No campo individual acabaria por sofrer uma lesão que a deixou de fora da competição, durante algum tempo. Aliás estava a regressar quando fomos obrigadas a parar por toda esta situação.”  No coletivo “porque não conseguimos alcançar o lugar na tabela a que nos propusemos no início da época, e terminamos com um sentimento um bocadinho negativo porque temos consciência de que conseguíamos mais e melhor.”

Agora é tempo de corrigir os erros e trabalhar para que na próxima época o clube continue a sua aposta “forte no futebol feminino (dentro da possibilidade que tem) para que possamos cada vez mais fazer frente a equipas que têm argumentos bastante diferentes dos nossos (falo de Benfica, Sporting e Braga neste momento).” Da sua parte, a médio de 26 anos, continuará a tentar fazer aquilo que tem feito até ao momento.

D.R. ANITA

 

E fora dos relvados como é a tua vida ? “Adoro uma tarde de sol na esplanada com os meus amigos.” Não diz que não a um bom passeio sobretudo se for num sítio novo. E nem na pausa, deixa o desporto de lado, é apaixonada por praticar desportos que contactem com a natureza “sempre fui muito ligada à natureza.”

 E para lá da jogadora que conhecemos é ainda Personal Trainer. Uma vida inteira dedicada ao desporto. Algo que a completa e faz feliz. Vive em correria constante num tempo que se divide “entre ginásio, escolas e treinos.” A conjuntura atual, veio-lhe mudar a vida a “200%,” contudo não baixou os braços e decidiu fazer uma “to do list”, como forma de ajuda e motivação. Gosta de se levantar cedo e aproveitar o dia. Cerca das 7:30h toma o pequeno almoço “leio um bocadinho ou vejo TV até começar as aulas de PT Online.” Almoça, estuda e continua as suas aulas. Depois de terminar o seu trabalho “aproveito para treinar”  há que manter a forma e estar pronta para quando a época começar. Uma época que se anseia com impaciência

E por falar em época qual seria para ti o 11 ideal ? Que jogadoras destacarias? “Rute, Joana Marchão, Nevena, Diana Gomes, Ana Borges, Dolores, Andreia Faria, Tatiana Pinto,Jéssica Silva, Diana Silva, Darlene.” Num onze quase inteiramente formado por jogadoras da Liga BPI, com excepção de Jéssica Silva, que atua na Liga Francesa e que é para Anita a melhor jogadora, a que a tem inspirado.

Aos 26 anos, o futebol, ainda pode esperar muito de Anita, pelo menos enquanto se sentir feliz, continuará a correr atrás da bola e a driblar as jogadoras que admira, certamente também se encaixará bem no onze ideal.

Ficaremos a aguardar, pela próxima época e os próximos encontros, que prometem ser intensos e cheios de emoções. O futebol no feminino, está vivo, e bem vivo e elas são a prova disso.

 

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