“Antes a bola queimava, agora criamos problemas”, Francisco Neto

Ele fez história com elas. Aos 35 anos, Francisco Neto liderou a seleção feminina de futebol ao primeiro Europeu em que participou, em 2017, numa experiência que pretende voltar a repetir em breve: “Em casa, sentado no sofá, sou sempre o melhor treinador do mundo. Quando a gente está num Europeu e tem de tomar decisões em função do que está a ver, as coisas alteram-se…” Na FPF desde 2014, tem visto o futebol feminino crescer vertiginosamente e garante que o melhor ainda está para vir. Até a campeã mundial, EUA, teve problemas contra Portugal, particularmente pela estrutura de 4-4-2 losango utilizada pela seleção: “A treinadora do EUA deu-nos os parabéns porque não entendia o nosso losango. Teve muita dificuldade em perceber como é que nós conseguíamos tão facilmente criar-lhes problemas”. Hoje, em jogo de preparação contra a Hungria (16h, Alverca), a estrutura será outra: 3-5-2. O treinador explica porquê, à Tribuna Expresso, numa conversa sobre futebol – que, jogado, é o mesmo, no feminino e no masculino

ANA BRIGIDA

Em 2017, quando Portugal se qualificou para o Europeu pela primeira vez, era o melhor momento do futebol feminino; em 2018, quando a seleção faz uma grande Algarve Cup e batem-se recordes de assistência com o Sporting-Sporting de Braga, dissemos que era o melhor momento; este ano, Portugal chega ao top 30 mundial pela primeira vez, as sub-17 qualificam-se para o Europeu, o Benfica-Sporting bate recordes de assistência e estamos de novo no que parece ser o melhor momento. Isto agora vai ser sempre a subir, todos os anos?
O que acho é que estamos todos a trabalhar muito para que haja todos os anos momentos muito bons. Isso é o compromisso que temos e todos acreditamos nisso. Tanto nós, Federação, como os clubes – que referiste, e bem -, porque também temos tido bons momentos com tanta gente a ver os jogos, é um sinal de crescimento. Portanto, temos Federação, Associações e clubes a crescer. Há também um outro momento marcante para nós, que é conseguir o maior número de praticantes femininas de sempre, também este ano. Estamos a trabalhar para todos os anos termos estas bandeiras, digamos assim, para podermos içá-las com muito orgulho.

Como é que surgem tantas coisas boas ao mesmo tempo?
Como te disse, o trabalho é sempre triangular: há a FPF, há as Associações distritais e há os clubes. Nós dependemos todos uns dos outros, não vale a pena escondermos isso. Eu vim dos clubes, passei por uma Associação e agora estou na FPF, portanto sou um defensor desse trabalho triangular – quando isso acontece, as coisas tornam-se mais fáceis. A FPF criou um programa de desenvolvimento que deu uma lógica às coisas, conseguiu coordenar isto com as Associações e com os clubes, direcionando tudo no mesmo sentido. Como é lógico, não é um processo que está fechado, está em permanente evolução, e é natural que também tenha os seus erros, mas são as pessoas que estão no terreno a refletir sobre as coisas e a tentar alterá-las de forma a perseguirmos um objetivo comum. Neste momento, o que sinto é que este triângulo tem um objetivo comum: o crescimento do futebol feminino. E isso, para nós, é o mais importante.

A qualificação das sub-17 para o Europeu, derrotando a França, é sinal de que as gerações mais novas já começam a estar em patamares superiores às mais velhas?
Os apuramentos no feminino para as grandes provas ainda são só com oito equipas…

São mais difíceis.
Exatamente, são mais difíceis. Conseguir reunir um conjunto de circunstâncias boas para chegar lá não é fácil. Já no ano passado ficámos em 2º na Ronda de Elite [de qualificação], só fomos superados pela Holanda, e com muitas jogadoras que este ano voltaram a estar nessa equipa sub-17 e para o ano algumas ainda podem estar. Isso significa que na base estamos a ter cada vez mais jogadoras e cada vez mais qualidade; estamos a criar espaços onde elas possam crescer, nos clubes e nas competições, e isto vai ser um trajeto normal. Acredito que seremos mais competitivos a cada ano que passa. Além disso, esqueci-me de referir, este ano já vencemos um torneio de desenvolvimento sub-16, contra equipas fortíssimas. Ou seja: estamos a trabalhar cada vez melhor na base, há cada vez mais opções e isso depois faz com que as jogadoras quando chegam ao espaço de seleção nacional estejam mais preparadas. Também criámos um novo patamar, a seleção sub-15, já temos miúdas internacionais nesse escalão, e criámos também um Interassociações sub-14, que vai ser disputado para a semana [8 a 12 de abril, em Castelo Branco], pela primeira vez. Este talentos vão ser acompanhados cada vez mais cedo, de forma próxima, e depois é aquele trabalho triangular de que falámos: clubes, Associações e FPF. As seleções acabam por ser o lado mais visível, em alguns momentos, mas a verdade é que dependemos todos uns dos outros para a simbiose ser boa.

Já se pode dizer que as melhores jogadoras mais novas vão ser superiores às melhores mais velhas?
[risos] Isso não se pode dizer. É muito difícil, não sou bruxo, não posso prever o futuro. O que queremos é que as mais novas tenham contextos competitivos que as mais velhas infelizmente não conseguiram ter. Ou tiveram mais tarde…

Ou no estrangeiro.
Ou no estrangeiro. Quanto mais dificuldades tiverem nos respetivos contextos, melhores serão. Essa é a nossa grande preocupação. Por isso é que nós, a nível de seleções, estamos a tentar participar em cada vez mais torneios: fomos ao torneio Concacaf nos EUA, vamos aos torneios de desenvolvimento… Isso para nós é que é importante. Depois terão o seu crescimento normal e cá estaremos quando chegarem ao espaço das A para avaliar. Com tantos anos pela frente é difícil prever o futuro, mas vamos criar boas condições para que consigam lá chegar de uma forma sustentada.

ANA BRIGIDA

Foste ver o Benfica-Sporting?
Fui, fui.

E que tal?
Foi um jogo competitivo. Acima de tudo, mais do que o jogo, houve uma causa que foi bem defendida e as duas equipas entregaram-se a isso mesmo. Ao nível do jogo, no nível técnico, estavam muitas jogadoras internacionais envolvidas e, como é lógico, foi um jogo mais aberto do que é habitual em campeonatos, porque o que estava em causa era outra coisa, mas as equipas procuraram, cada uma delas, ter o seu jogo. Acabou por ser um jogo bastante agradável para quem o viu.

Quem é a melhor jogadora dali?
São todas [risos].

Todas não podem ser.
Não me enganas com essa pergunta [risos]. As selecionáveis, as nossas, por assim dizer, são sempre as melhores.

No masculino falou-se muito de naturalizações, depois da chamada do Dyego Sousa. Havendo uma situação semelhante no feminino, convocarias a jogadora em questão?
A partir do momento em que reúne condições e é portuguesa, entra no lote de possíveis convocadas, seja quem for. Depois é a prestação dela que ditará o futuro, mas será avaliada, tal e qual como são as outras.

Qual é a tua primeira recordação do futebol feminino?
Foi em… Estava a tentar recordar-me do ano… Possivelmente terá sido quando assumi a primeira seleção distrital sub-17 feminina da Associação de Futebol de Viseu. Foi o primeiro ano em que Viseu participou no Interassociações e eu fui o treinador, na altura com a Francisca Martins, que agora é treinadora do Lusitano de Vildemoinhos, e a Neide Simões, que então era avançada, como jogadoras, juntamente com um conjunto de meninas do desporto escolar. Eu tinha, talvez, 19 anos. Entrei na AF Viseu com 18 anos, a treinar a seleção sub-13 e no ano seguinte fiquei com a seleção feminina, talvez com 19 ou 20 anos já, e fomos ao Interassociações. Foi a primeira vez que tive um contacto de maior proximidade com o futebol feminino e tive de ir ao desporto escolar, porque Viseu não tinha, na altura, equipas, por isso tivemos de fazer isso, porque a direção da AF Viseu queria – e bem – participar no Interassociações. Então lá fui eu bater à porta dos professores de educação física para tentar escolher aquelas que eram as melhores do distrito.

Nessa altura já conhecias as jogadoras de referência? Carla Couto, Edite Fernandes…
Sim, sim, isso sim. Porque na altura a FPF convidava todos os coordenadores técnicos das Associações a estarem presentes em algumas ações e, na altura, na AF Viseu, o coordenador técnico era o professor [António] Amaro, que foi convidado a ir à Algarve Cup, integrando um estágio do feminino. Como trabalhava com grande proximidade com o professor na altura, fazia também o acompanhamento desses momentos e claro que sabia quem eram as grandes referências. Depois, quando passei a coordenador da AF Viseu, em 2007, também tive a felicidade de continuar a fazer esse acompanhamento do futebol feminino.

Agora jogam melhor do que nessa altura?
Jogam diferente. Não é que seja melhor ou pior. Tiveram um contexto de crescimento diferente, tiveram experiências diferentes. Estamos a falar de uma altura em que só havia a seleção A, com pouca competição anual… Mas sinto que, acima de tudo, jogavam com o mesmo compromisso e com a mesma paixão que têm pelo país. Independentemente das dificuldades que tinham, porque nós também as continuamos a ter, mas com outro tipo de problemas, jogavam com o mesmo compromisso e com a mesma honra em defender o país. Acho que isso tem passado sempre de geração em geração.

Lembras-te da final da Taça de Portugal ser disputada em Cucujães?
Lembro-me, estive presente nessa final.

Agora parece que foi há um século, tais as diferenças.
É o crescimento que estamos a ter com a aposta que está a haver, mais uma vez, daquele tal triângulo. Claro que cada um com o seu peso e com as suas responsabilidades, mas sempre em sintonia e felizmente estamos no bom caminho. Refletindo sobre o que havia no passado, agora temos de olhar para as coisas boas que temos vindo a fazer e olhar para a frente.

Falavas da Algarve Cup, onde estiveste a estagiar. É nessa altura que entras na seleção feminina, mas como treinador de guarda-redes. Como é que isso surge?
Na altura, eu e o professor Pedro Moreira, que agora é o preparador físico do Paulo Fonseca e que na altura era o coordenador técnica da AF Algarve, fomos convidados a integrar a seleção, com o Pedro a ficar mais na área da observação do treino e da análise, conjuntamente com a professora Mónica Jorge e com o professor Carlos Sacadura, e eu fiquei mais entregue ao espaço do treino de guarda-redes. Depois a equipa técnica e a direção gostaram do trabalho e foram-me convidando para as sucessivas ações pontuais, até que houve a integração – e bem – de um treinador de guarda-redes a tempo inteiro. Foi aí que eu saí.

Mas foste guarda-redes?
É realmente uma parte específica do jogo e fiz a minha formação na área, mesmo na altura a FPF fez o primeiro curso de treinadores de guarda-redes em Portugal, esteve cá o professor José Sambade, que era o responsável por esta área em Espanha. Quando joguei, também foi uma das posições que ocupei, mas não por muito tempo. Deixei a baliza e fui para a defesa. Mas acho que consegui dar resposta. Não temos de ser guarda-redes para sermos treinadores de guarda-redes, não é? Claro que ajuda, não digo que não.

Deixas de jogar mesmo muito novo, portanto devias ser péssimo.
Não era péssimo [risos], era o que era. Tinha paixão.

Jogas com elas?
Não.

Porque levavas baile?
[risos] Se estiver a jogar não consigo liderar o exercício, tenho de estar focado.

Sim, mas de vez em quando há momentos mais lúdicos.
É muito difícil quando tens quatro dias para preparar um jogo, que é o que nos acontece várias vezes. Dificilmente tens um momento de relaxe em espaço de treino na seleção. Na continuidade, como na preparação do Europeu, aí sim, porque já tínhamos mais tempo. Acima de tudo, deixei de jogar porque percebi que já não me satisfazia só aquilo. Entrei na faculdade com 18 anos, no Porto, em desporto, e como ainda vivia em Viseu, fui convidado pelo professor Amaro para integrar as seleções da AF Viseu, portanto não fazia sentido dar continuidade à carreira de jogador, fazia mais sentido entrar no treino, porque não tinha condições para tudo. Mas quando joguei, joguei nos nacionais, não foi nos distritais, ok? [risos]

Ah, peço desculpa pela ofensa então.
Por isso… [risos] E joguei com internacionais portugueses. Joguei com o Marco Almeida, que na altura jogava em Mortágua, a minha terra natal, e depois foi para o Porto, e depois joguei com o Mauro Almeida, também central, que entretanto foi para Angola e foi internacional angolano – eles estiveram no Clube Futebol Os Repesenses, que foi o clube que representei quando deixei de estar em Mortágua e fui viver para Viseu. Mas daquela geração o que sobressaiu mais foi o Nuno Piloto, capitão da Académica durante muitos anos.

Esse interesse tão precoce pelo treino teve a ver com o teu pai, que era treinador?
Tal como te disse, cresci numa vila do distrito de Viseu, Mortágua, e a nossa casa era mesmo atrás do campo de futebol.

Um sonho para uma criança.
Sim [risos]. Saltávamos o muro e tínhamos acesso ao campo, e tínhamos sempre bolas porque conhecíamos o técnico de equipamentos, que nos deixava sempre lá umas bolas para jogar. No meu bairro havia muitos rapazes, por isso facilmente se arranjava alguém para ir jogar…

Era um luxo: não jogavas na rua, jogavas no campo.
Jogávamos imensas vezes no campo, com balizas, era o nosso acesso privilegiado [risos]. O meu pai, ex-jogador, era o treinador da equipa, e o meu irmão Luís, cinco anos mais velho do que eu, era jogador do meu pai. Portanto eu ao fim de semana não ia ficar em casa com a minha mãe [risos]. Normalmente ia com eles e acompanhava tudo, gostava de ir ao balneário, gostava de ajudar a rapaziada nos aquecimentos e no intervalo a ir buscar as bolas e tudo o que necessitassem. Aquilo se calhar foi ficando em mim, aquele gosto de estar sentado no banco, de perceber por que razão é que o meu pai tirava o meu irmão, se era filho dele… “Mas estás a tirar o Luís porquê?” [risos] Essas coisas se calhar desassossegaram-me, ficou o gosto. Mesmo quando jogava gostava de questionar este tipo de situações, de refletir sobre elas – ainda não muito sobre o exercício, mas fazendo aquelas coisas que quase todos fazemos: quando estamos a ver um jogo, tentar antecipar as substituições, se fosse eu o que é que fazia, etc… Havia sempre muito futebol lá em casa, portanto foi natural o futebol ir ficando.

Tiveste logo vontade de ser treinador ou quando foste tirar o curso de desporto ainda não pensavas nisso a sério?
As coisas foram acontecendo e como aconteceram tão cedo, acabas por não ter tempo para projetar a longo prazo. Aos 18 anos já estou a ser convidado para a AF Viseu para os sub-13; passado um ano, já não estou só com os sub-13, estava adjunto dos sub-15 a ir ao torneio Lopes da Silva e a começar com o feminino; passados dois anos, já liderava a equipa sub-15, ou seja, as coisas foram acontecendo. Depois passei a ser coordenador a tempo inteiro e responsável por todas as seleções, por isso, aos 25 anos, já sou, entre aspas, profissional, na AF Viseu. Portanto, mais nada fazia sentido naquele momento senão o futebol. Depois tiras o nível três, tiras o nível quatro, e as oportunidades surgem. Acabo por ter um convite para ir para a Índia, numa experiência muito gratificante, completamente diferente de tudo o que se possa imaginar, e depois entro na FPF com 32 anos. Como é lógico, era novo – e ainda sou [risos] – e não era normal haver selecionadores nacionais tão novos, mas, felizmente, a direção apostou e acho que as coisas estão a correr bem.

Os treinadores, para formarem a sua ideia de jogo, têm pessoas que acabam por ser estruturantes na aprendizagem. Quem é que te influenciou na tua forma de ver o jogo e pensar o treino?
A minha primeira referência, na altura…

Agora tens de dizer o teu pai.
Claro, o meu pai [risos]. Como entro muito cedo no treino com o professor Amaro, foi com ele que comecei a refletir. Já era um treinador muito experiente, que tirou o curso em Lisboa, onde é agora a FMH, portanto o antigo ISEF, na altura do professor Carlos Queiroz, do professor Rui Caçador… Bebi muito dele, porque tinha muita experiência a nível local e nacional, percebia muito do jogo. Depois, o espaço da faculdade, onde tive o privilégio de ser aluno do professor Vítor Frade, que é sempre uma influência muito grande para todos os seus alunos, assim como o professor Júlio Garganta. E depois é a tua reflexão, a tua busca, o que queres aprender. Os cursos de treinadores, particularmente os níveis três e quatro, são sempre momentos muito bons de partilha, onde consegues, com os colegas, por estarmos todos num internato, num espaço em que se vive futebol 24 horas sobre 24 horas, a debater e a refletir muito. E claro que o espaço de faculdade é dos mais importantes também em termos de partilha com os colegas, com aquele desassossego, aquela vontade toda que temos na altura em que achamos que somos os melhores no mundo e ninguém nos pode pegar e que somos capazes de liderar qualquer equipa. Quando saímos da faculdade temos sempre estas ideias, sem medo nenhum, mas depois as coisas, como é lógico, não são assim.

Porquê?
Porque entretanto aprendes que isto não é só o treino. Não é a só a criação do exercício, não é só a liderança no jogo e a leitura do jogo. O futebol tem muito mais do que isso e quem está por dentro sabe que há muito mais decisões a tomar, há um sem número de coisas muito importantes que temos de conseguir também gerir e isso são coisas que não se aprendem na teoria, vivem-se e vão-se aprendendo com as vivências ao longo da carreira. Todas essas coisas são muito importantes e depois tem de haver sempre muito futebol, claro, tanto visto como lido como partilhado com as pessoas em que confias. É isso que faz com que tu, enquanto treinador, vás crescendo.

Idealmente, qual é a tua ideia de jogo?
Isso tem sempre a ver com o lado estético.

Sim, há quem prefira ver as equipas de Guardiola e quem prefira ver as de Simeone.
Uma coisa é perguntares-me o que é que, esteticamente, é uma equipa que reconheço mais, outra… Para mim o mais importante é ver que é aquilo que o treinador quer. Há equipas, como é lógico, que gosto de ver, gosto das equipas do Pep Guardiola, gosto das equipas do Klopp, gosto de tantas… Porque aquilo que gosto mesmo de ver é equipas que acho que têm um sentido, isso para mim é que é de valorizar. Gosto de olhar e perceber que os onze jogadores pensam a mesma coisa ao mesmo tempo – isso é um sinal que estão todos orientados no mesmo sentido, é um sinal de trabalho, é um sinal de organização, isso para mim é que é realmente de valorizar. Gosto muito de ver o Wolverhampton do Nuno Espírito Santo. Acho que tem as coisas bem assimiladas. Sempre gostei muito das equipas do Paulo Fonseca… Gosto dos treinadores portugueses. Como é lógico, o Mourinho foi e é uma referência para todos os treinadores portugueses. A nível de seleção, o mister Fernando Santos, pela forma como consegue que a equipa pense o jogo da forma pragmática como o faz. Esteticamente, as pessoas podem gostar mais ou menos, a mim agrada-me perceber que os jogadores estão com o treinador na forma como ele quer que a equipa jogue. Isso é que gosto de ver.

Falaste no Fernando Santos e pensei que fosses referir o Rui Jorge, porque a seleção feminina entretanto passou a jogar em 4-4-2 losango, como os sub-21 já jogavam. Foi ele que deu a dica?
Não foi ele que deu a dica, mas já partilhámos muitas vezes ideias sobre a abordagem a alguns momentos do jogo do losango deles com o nosso, que tem características diferentes em algumas alturas. E sem dúvida nenhuma que o Rui não deixa de ser – como o Hélio e o Peixe – treinadores ao mais alto nível, que estão nas grandes competições e ganham muitas vezes, isso é sinal das suas competências. Felizmente, na FPF, estamos rodeados de gente de altíssima competência, o que nos permite também ter estes momentos de partilha. O Rui, estando numa equipa que esteve cinco anos sem perder um jogo… acho que está apresentado. O Hélio foi campeão em dois escalões, o mister Fernando Santos campeão europeu… Também me dou bem com o [Jorge] Braz, do futsal, é outra pessoa altamente competente. Isso permite-nos sempre partilhar as nossas angústias e às vezes dissipar dúvidas.

Quando entrevistei o Rui Jorge, ele salientou que além do querer jogar bem e do ganhar, dava muita atenção a outras coisas, chegando a chamar jogadores se deixassem comida no prato. Na seleção feminina há preocupações semelhantes?
Faço a pergunta ao contrário: qual é a equipa no mundo onde o treinador não tem de se preocupar com outras questões? Não acredito que não haja. Aqui, connosco, pode haver pequenos momentos, mas não fazem por mal. O que achamos que não está dentro da norma, assim que alertamos – não é preciso ser uma dura, nem nada disso -, aquilo que não estava tão correto é rapidamente corrigido. Há sempre sintonia entre a equipa técnica, a direção e as jogadoras, elas percebem isso. Ainda agora no Fórum dos Treinadores o Mourinho deu o exemplo do Pogba, que acabou um jogo e queria ir embora num Rolls Royce…

Podes dar um exemplo de uma situação aqui?
Aqui é tudo perfeito.

Acabaste de dizer que não era.
[risos] Não, não há nada de especial. Por exemplo, às vezes acaba o treino e não gostamos de ver as garrafas de água a ficar ali no chão, elas sabem que tem de ir tudo para o lixo. Temos algumas rotinas, é o normal. Acabas um jogo e o balneário tem de estar minimamente apresentável, independentemente de ganhares ou perderes. São coisas normais que às vezes num momento ou outro escapam mas depois rapidamente voltam a entrar na normalidade. Não é isso que as faz mais ou menos profissionais. No nosso espaço elas sabem que o recolher é às onze da noite e às onze não ouves um barulho no corredor. É tranquilo. Se calhar estão nos quartos a conversar, tudo bem, mas estão a descansar, estão no espaço delas. Sinceramente, em cinco anos aqui nunca tive grandes chatices com as jogadoras. Assim que há algum comportamento menos próprio, “professor, desculpe lá e tal”, e pronto, a gente ajusta.

ANA BRIGIDA

No espaço de seleção as jogadoras também ficam aziadas por não jogar?
Quem é que não quer jogar? Quem é que não quer representar o país? O aziar… Não sei. Uma coisa é ficar triste, isso ficam todas – ai de alguém que não fique triste, não é? Ou desiludida. Mas as jogadoras sabem que se não jogam, porque nós transmitimos isso, é porque achamos que tem de ser assim naquele jogo, ou estrategicamente, ou porque pode ser benéfico uma jogadora entrar na 2ª parte, ou porque o que ela produziu durante a semana não serviu para ser primeira opção. Quando isto é feito olhos nos olhos e elas sabem o motivo das coisas,… Agora, daí a ficarem aziadas e não respeitarem a minha decisão ou a colega que vai jogar de início, isso já é outra coisa, isso não temos sentido. Sentimos que as jogadoras estão comprometidas e unidas umas com as outras. Posso dar-te um exemplo: a Raquel [Infante] disse numa entrevista que o jogo mais importante da carreira dela foi o Roménia-Portugal, quando nos apurámos para o Europeu. E a Raquel não foi utilizada nesse jogo, teve zero minutos. Isto mostra um bocadinho aquilo que é o espírito que elas têm, independentemente de quererem participar ativamente no jogo. Queriam contribuir, mas a escolha não recaiu nelas naquela altura e respeitaram e apoiaram e assim que fazemos um golo são as primeiras a invadir o campo e a festejar com as colegas.

Há alguma diferença nisso entre mulheres e homens?
Nisto da gestão do jogar? Acho que é igual com os homens. Toda a gente quer sempre jogar, é normal. Mas há que respeitar as decisões e os colegas.

As grandes diferenças estão em quê? Além do físico, claro.
Há grandes diferenças. A experiência acumulada é uma delas.

É menor…
Sim, é menor no feminino. Estamos a tentar que elas tenham cada vez mais experiência internacional a nível de seleção, mas se fores pegar no trajeto de um jogador no masculino, quando chega à seleção nacional sub-15, no clube já foi a torneios quase a todo o lado e já jogou com o Real Madrid, com o Barcelona, o Manchester City… Ou seja, isso permite-lhes ter uma experiência internacional no clube que lhes dá outra bagagem, bagagem que as jogadoras ainda não têm. Felizmente, hoje em dia, com cada vez mais clubes e mais camadas jovens, possivelmente irá haver cada vez mais torneios e os clubes também vão querer dar essa experiência internacional às suas jogadoras, o que vai fazer com que elas estejam cada vez mais preparadas para os grandes momentos, para os momentos de decisão, que definem os pormenores que depois decidem se vais a um Campeonato da Europa ou não.

Já notas diferença nesse aspeto atualmente? Ou seja, as jogadoras agora já entram para os grandes jogos internacionais de forma mais tranquila?
Notamos muito isso em dois momentos: no balneário, antes do jogo, e no aquecimento. Há uns tempos, quando íamos à Algarve Cup jogar contra as equipas de top se calhar o balneário era mais silencioso, estava cada uma mais para o seu espaço, muito refletivas, no aquecimento estavam mais nervosas, a bola notava-se que queimava mais, não estávamos tão seguras. Hoje em dia isso não acontece, fruto da nossa experiência acumulada. Estão mais tranquilas, divertem-se mais, têm desafios diferentes, vão tentar colocar problemas a equipas de nível superior… Por exemplo, o jogo contra os EUA foi extremamente gratificante para elas perceberem isso. No final, a treinadora do EUA deu-nos os parabéns porque não entendia o nosso losango. Teve muita dificuldade em perceber como é que nós conseguíamos tão facilmente criar-lhes problemas e até teve um desabafo: pediu-nos para lhe tentarmos explicar quais os pontos mais fracos dos EUA, porque conseguimos criar-lhes muitos problemas.

Agora se os EUA ganharem o Mundial, em julho, já podemos dizer que houve ali 10% português…
[risos] Não, não é nada disso. Se ganharem o Mundial não há de ser por isso. Mas é curioso ter este reconhecimento, é giro para nós porque é o reconhecimento internacional daquilo que as nossas jogadoras fazem. Mais do que o início do jogo, a tranquilidade com que se vive um aquecimento e uma preparação é agora completamente diferente do que era no passado. Isso é um sinal de crescimento.

Falavas do losango. Antes a seleção jogava em 4-2-3-1, depois decidiram mudar para o 4-4-2 losango. Porquê?
Mudámos estruturalmente, mas procurámos manter os mesmos princípios. Acima de tudo, foi para nos dar um bocadinho mais de equilíbrio no corredor central. Sentíamos com a estrutura anterior que o nosso jogo acabava por ser muito lateralizado, porque tínhamos sempre as referências por fora e acabávamos por jogar muito mais em transições, tínhamos menos opções por dentro, menos linhas de passes para ligarmos o jogo. Decidimos experimentar o losango na Algarve Cup há três ou quatro anos por causa disso mesmo: iria permitir, na ligação da linha defensiva com a linha média, ter mais uma linha de passe do que era o normal, criaria dúvida nas adversárias, porque num contexto internacional há poucas equipas a jogar nesta estrutura e tendo em conta o número de médias com qualidade que foram aparecendo… É nesta exploração do espaço entre linhas que nós conseguimos ter um bocadinho mais de vantagem, porque as equipas que jogam ao nível internacional no feminino, quando jogam com quatro no meio, jogam em linha, ou seja, isso permite-nos ter sempre algum espaço para jogar, ou na ‘6’ ou na ’10’. Isto cria a tal dúvida que a treinadora dos EUA me dizia, porque elas jogam em 4-3-3 mas jogam com uma linha de três no meio, não jogam em 1-2 nem em 2-1, jogam mesmo com uma linha de três, e como nós estávamos a jogar com uma ‘6’ e uma ’10’, elas ficavam sempre na dúvida sobre quem saltava à pressão de uma e outra e como. Portanto, nesta estrutura conseguimos criar muitos problemas às equipas adversárias, procurando o espaço entre linhas, e ao mesmo tempo estamos sempre muito equilibrados no momento da transição, obrigando a adversária a jogar mais por fora e tendo o corredor central mais povoado, permitindo-nos estar mais consistentes no momento de perda da bola e na nossa organização defensiva.

Mas também há a questão da largura.
Cria-nos alguma dificuldade na largura, quando o jogo fica muito central, mas não há estruturas perfeitas. Obriga a que as nossas laterais tenham algumas características especificas que nos possam dar alguma largura e tomar boas decisões para que o jogo passe por ali quando está fechado por dentro. Há jogos em que o nosso jogo interior é mais bloqueado e temos de ir por fora, claro. Com esta estrutura, conseguimos também potenciar duas jogadoras em corredor central na área, que é um aspeto com o qual tínhamos algumas dificuldades, na finalização. Por isso é que usamos muito este 4-4-2.

Na Algarve Cup não achaste se notou essa questão da largura, especialmente contra a Islândia?
Na Algarve Cup também tivemos alguns azares com as laterais, o que não nos permitiu depois fazer a rotatividade que queríamos. A Ana Borges teve de ser trocada e não foi [por lesão], a Matilde lesionou-se aos 15 minutos do primeiro jogo e teve de ir embora, e isso obrigou-nos a dar muitos minutos de utilização à Mónica Mendes e à Ana Leite, que fizeram um trabalho excelente, mas, como é óbvio, fazer três jogos num curto espaço de tempo acumula muita fadiga e isso faz que não estejam tão disponíveis para dar largura e amplitude ao jogo e que as decisões não sejam tão boas. Mas a Algarve Cup é sempre um bom torneio para observarmos e para nos prepararmos.

ANA BRIGIDA

Vão ter agora dois jogos com a Hungria, portanto estiveram esta semana com as jogadoras. Quantos treinos tiveram?
Quatro treinos.

Só?
Só. Nós entrámos em estágio na terça e trabalhámos com um treino por dia. Houve alturas, mais no início da época, em que nós dividimos o segundo treino da semana, repartindo-o, ou seja, em vez de fazermos 90 minutos ou 75 minutos seguidos, repartimo-los em dois momentos de 45 minutos, de manhã e à tarde, para não sobrecarregar as estruturas e para as jogadoras estarem mais disponíveis. Neste momento, fazemos apenas uma sessão diária, porque sentimos que tiramos melhor rendimento das jogadoras e conseguimos que o treino seja mais aquisitivo assim. Procuramos trabalhar com qualidade uma vez por dia, com treino da parte da manhã.

Com quatro treinos, como é que prioritizam o que irão treinar?
Essa é a grande missão de quem está nas seleções. Porque nós sentimos que temos muitas coisas para trabalhar…

Mas não há tempo suficiente.
Não há tempo. Temos de escolher aquilo que agrega as jogadoras. Neste estágio temos jogadoras de 11 clubes, o que significa que tens 11 lideranças de 11 treinadores diferentes, 11 ideias de jogo diferentes e 11 metodologias de treino diferentes. E tu tens que, em quatro treinos – cinco treinos, no máximo… Por exemplo, vamos pegar numa dupla jornada de apuramento para um Europeu, que é sempre igual: entras em estágio a uma segunda-feira, tens jogo na sexta-feira e tens jogo na terça-feira seguinte. São as datas FIFA, portanto não se podem mexer. Isto significa que, se elas jogam domingo no clube, na segunda-feira têm de fazer recuperação na seleção. Mas, ao mesmo tempo, tens de procurar já potenciar alguma coisa, é a nossa primeira grande missão. Temos de pegar nestas 23 jogadoras e fazer com que elas, rapidamente, pensem a mesma coisa ao mesmo tempo.

Já é difícil em geral…
E é uma coisa ainda mais difícil em cinco treinos. Por isso é que muitas vezes, no espaço de seleções, acaba por haver um núcleo de jogadoras que estão sempre presentes. Ter sempre as mesmas 12,13, 14 jogadoras permite acelerar o processo…

Porque elas já conhecem as ideias.
Claro. Porque se inicias cada estágio com 23 jogadoras completamente diferentes, as coisas são muito mais difíceis, é muito mais difícil dar uma resposta positiva no jogo. Hoje em dia temos um núcleo duro que tem estado sempre connosco e isso acelera muito mais os processos. Podes apontar qualquer seleção do mundo e eu digo-te 10 jogadoras que vão estar na próxima convocatória quase de certeza absoluta, é o normal. O que normalmente fazemos é partir do macro para o micro, pegando também um bocadinho num lado estratégico. No primeiro dia temos recuperação, mas tentamos ter algo mais agregador, mais macro, daquilo que é a nossa forma de jogar. Acima de tudo, nos primeiros dias, muita organização ofensiva e muita organização defensiva, num escala mais macro, com mais jogadoras envolvidas e com mais setores a trabalhar. Depois vamos reduzindo ligeiramente o número de jogadoras envolvidas, em escalas mais setoriais, mas depois, normalmente dois dias antes do jogo, lançarmos também um lado mais estratégico, onde já preparamos a abordagem e passamos alguma informação sobre aquilo que é o adversário. Então se tivermos quatro dias de treinos: são dois para nós; um sobre nós, mas já com um bocadinho de adversário, ou seja, como é que na nossa forma de jogar o adversário se vai encaixar, quais os problemas que nos vai colocar e de que forma é que vamos resolvê-los; e depois no último dia é só predisposição para o jogo, bolas paradas. Temos de estar sempre a tentar perceber – essa é a nossa grande missão – o que é que elas precisam naquele momento, porque não há muito espaço para errar. Nós passamos muito essa ideia às jogadoras: em espaço de seleção, se não treinamos bem num treino, já é 20% do nosso tempo, com tão poucos treinos. É um volume importante de trabalho que vai embora e não pode ser. Temos de potenciar muito aquilo que é o treino, ele tem de correr bem. Temos tão pouco tempo para treinar, que o que treinamos tem de ser muito importante. Isso também nos obriga, enquanto equipa técnica, a escolher muito bem o que vamos fazer, é um lado quase cirúrgico que temos de ter. A equipa está a precisar do quê neste momento? Depois da Algarve Cup, tendo em conta o que a Hungria vai trazer, a equipa precisa do quê? Que tipo de dinâmicas? Estamos com dificuldades em ligar entre a linha defensiva e a linha média? Estamos com dificuldades em instalar-nos no último terço e termos competência para tomar boas decisões perante equipas mais compactas? Não nos podemos expor tanto nas transições? É tentar trabalhar a nossa ideia de jogo neste sentido.

Então suponho que tenha sido isso que estiveram a fazer esta semana.
Não, esta semana foi um bocadinho diferente, porque vão ser jogos de preparação e vai ser o último estágio da época. Não tenho problemas nenhuns em dizer que estamos até a trabalhar uma estrutura diferente, dentro dos mesmos princípios, até pelo padrão de problemas que antevemos que o adversário nos colocará e que acreditamos que será diferente do que vivemos esta época. Nós vamos fazer este fim de semana o 14º e 15º jogo da época, o que, num ano de transição – ou seja, os anos sem competição – foi o ano com mais jogos. Tem sido uma época muito positiva num registo de grande adversidade: jogámos com os EUA, com a Suécia, com a Islândia, com a Suíça, com a China, com a Finlândia, com a Tailândia, que vai ao Mundial… Temos tido adversários muito poderosos e tem sido uma época longa. Já passámos por muitas dificuldades e já temos o 4-4-2 losango bem assimilado, por isso também sentimos que, para aquilo que será o apuramento [a partir de setembro], vamos ver se conseguimos vivenciar outra estrutura, com outro tipo de opções.

Qual será a estrutura?
É o 3-5-2. Vamos experimentar. Porque pode haver alguns momentos, no espaço do apuramento, em que esta estrutura nos poderá ser útil.

ANA BRIGIDA

É engraçado porque não só têm pouco tempo para treinar como ainda optam por estruturas que acabam por ser menos conhecidas pelas jogadoras.
[risos] Há princípios, tanto no ataque como na defesa, dos quais não abdicamos, o que facilita a adaptação. E a verdade é esta e isto não é um cliché: a jogadora portuguesa é uma jogadora inteligente. Ela adapta-se bem, vai à procura e quer saber. Quando a desafias, ela gosta. E nós quando apresentamos as coisas à equipa, explicamos o porquê das coisas: por que razão vamos adotar esta estrutura, o que é que esta estrutura nos poderá dar – dá-nos referências por fora, por exemplo. No 4-4-2 losango, numa saída mais longa, as pontas de lança caem em corredor lateral quando estamos mais baixos, porque não temos a tal largura, para poder dar opção à nossa lateral. Com o 3-5-2, obrigamos as nossas pontas de lança a estar mais por dentro, ou seja, mais presença na área, temos mais linhas de passe por fora, mas continuamos a ter referências por dentro. Também obriga a que a nossa linha defensiva de três seja muito mais focada, vamos querer que elas basculem um bocadinho mais em corredor lateral, mas isso também é algo que nós já queríamos, porque quando a lateral se projeta para ir pressionar a linha de três bascula e dá cobertura. Ou seja, é ter uma estrutura diferente mas pegar em algumas coisas que já fazemos, não abdicando dos nossos princípios, com elas a saberem à mesma qual é o critério para ir pressionar, por exemplo. O que é importante é elas perceberem as coisas nas cabeças delas, por exemplo, as médias: se jogares em losango, a tua referência de largura é uma lateral que se vai projetar de trás para a frente e isso significa que não lhe posso pôr bola na bandeirola de canto, porque ela não vai conseguir chegar lá, não é? Em 3-5-2, a largura já é dada mais à frente, por isso já é uma referência diferente. Portanto, elas têm de perceber essas relações de proximidade, quem é que vai dar largura, quem é que vai dar profundidade… Independentemente da estrutura, a ideia que nós criamos é sustentada em duas coisas: primeiro, as características das nossas jogadoras, porque queremos potenciar as características do grupo que temos e, ao mesmo tempo, perceber quais os problemas internacionais que vamos encontrar e de que forma é que nós os conseguimos resolver, utilizando as nossas características. Montámos uma forma de jogar que, no nosso entender, é aquela que melhor potencia a jogadora portuguesa e, ao mesmo tempo, cria problemas aos adversários e responde aos problemas que os adversários nos podem colocar.

Imaginando que tens uma semana em que jogas com os EUA e outra com a Albânia: na primeira treinarias mais organização defensiva e na segunda ofensiva, por razões óbvias, ou, por ser um espaço de seleção, tens de andar sempre a trabalhar tudo para voltar a recordar as coisas?
Se for uma data FIFA só tens 10 dias, portanto não consegues trabalhar mais de 10 dias. É a tal coisa: de segunda-feira à terça-feira seguinte. Se tens dois jogos nessa data FIFA, como é lógico, ao fim do primeiro jogo…

Não tens tempo para trabalhar nada para o segundo jogo.
Claro. Portanto, tens de antecipar ao máximo os problemas. Claro que depois podes ter ali um lado mais estratégico na altura, mas tens de preparar antes os dois jogos. Independentemente de achares que contra os EUA vais passar mais tempo a defender, não podes deixar de trabalhar o resto. Muitas vezes até fazemos ao contrário. Contra os EUA procurámos trabalhar muito mais organização ofensiva, no sentido de que as jogadoras se sintam mais confortáveis com bola, porque nós só vamos conseguir discutir um jogo com os EUA durante 90 minutos se conseguirmos ter a bola em alguns momentos. Se vais dar mais ênfase à organização defensiva, nunca tens a bola e vai ser difícil para ti conseguir contrariar o adversário, porque é muito difícil estares 90 minutos a defender. Por exemplo, contra os EUA se calhar sabes que vais ter bola em situações de proximidade muito grande, pela mais-valia do adversário, por isso se calhar trabalhas situações em espaços muito mais reduzidos, mesmo em estruturas de 10×10 ou ou 10×8, o que for, obrigando a que as tomadas de decisão sejam muito mais rápidas. Nós em espaço de seleção fazemos sempre muita situação de jogo, para ter o todo envolvido. Por norma, durante o estágio, trabalhamos sempre um pouco de tudo, também para relembrar as coisas. E depois também sabemos, e tu também sabes, que o trabalho de organização defensiva é muito mais desgastante do que o de organização ofensiva. Obriga-te a fazer muito mais travagens, mudanças de direção e isso desgasta-te mais. Se estás à espera que no fim do jogo dos EUA haja ainda alguma disponibilidade mental e física para conseguir fazer algum trabalho aquisitivo… Não é só fazer uma vez e já está. As coisas tornam-se aquisitivas através da repetição, mas é preciso que haja frescura. Nós normalmente temos uma ideia daquilo que queremos para a semana, como um todo, e depois vamos diariamente ajustando em função daquilo que foram os nossos problemas. Ou seja, todos os dias a equipa técnica reflete sobre aquilo que se passou. Obviamente temos condições de top: os treinos são todos filmados e vemos os treinos no final, fazemos cortes de vídeo em função do que queremos mostrar…

Ia perguntar-te se o vídeo não é também uma ferramenta importante, tendo tão pouco tempo de treino.
Sim, utilizamos muito. Ainda hoje de manhã tivemos uma situação que vimos que não correu tão bem no treino anterior, por isso cortámos e as jogadoras viram isso antes do treino. Na nossa dinâmica, nós juntamos sempre as jogadoras antes do treino para mostrarmos o que vamos fazer no treino. Temos sempre uma reunião preparatória para mostrar às jogadoras o que vamos fazer e muitas vezes, nessa reunião, mostramos imagens do treino anterior. Se foi algo que não correu mesmo nada bem, na noite do treino até podíamos logo mostrar para acelerar a reflexão das jogadoras. Mas como normalmente não são assim coisas tão fortes, não é necessário. Nem mostramos em todos os treinos, nem todos os dias. Só quando entendemos que é útil. E depois é outro passo muito interessante que temos vindo a dar, que é a abertura das jogadoras para podermos discutir as coisas no grupo. Não há constrangimento nenhum. “Olha, Cláudia, queremos isto; Ana, tens de estar mais por dentro”. Elas não ficam sentidas por serem confrontadas, falamos todos com abertura sobre os assuntos, para haver uma ideia comum. Elas são altamente perfeccionistas e gostam de ver os treinos e de ver os jogos.

JOSE CARLOS CARVALHO

Mencionaste agora a Cláudia Neto, que esteve algum tempo afastada da seleção para se focar no Wolfsburg, a pedido da própria, certo?
As coisas não são só “não quero ir à seleção e quero ficar no clube”. Tem um sentido e uma lógica que entendemos, foi a situação que houve com o Ronaldo. É uma questão de adaptação. Depois de conversarmos com a Cláudia e com os treinadores, percebemos que ela realmente tinha uma carga de jogos acima daquilo que era normal, estava num período em que estava a jogar com mais frequência do que na época anterior, que tinha sido uma época de transição do Linkopings, da Suécia, para a Alemanha, e fazia sentido ela fazer essa pausa na seleção. Sendo um ano de preparação para nós, sem competição, não era descabido. Não é por ser a Cláudia, se fosse outra qualquer poderia acontecer exatamente a mesma situação, se nós percebemos que isso é melhor para as jogadoras. Elas também já estão em níveis de exigência altíssimos e, como é lógico, nós queremos as jogadoras nas melhores condições, por isso fez sentido na altura, em função do contexto. Foi completamente normal, temos de ter essa abertura.

Voltando ao treino: que tempo e importância dás ao esquemas táticos? Porque, em geral, as portuguesas parecem ter algumas dificuldades nesse momento, particularmente defensivamente.
É verdade. Mas posso dizer-te que houve uma altura em que estivemos quase dois anos sem sofrer um golo de bola parada. Mas tivemos alturas em que ou sofríamos golo ou tínhamos pelo menos ali um calafrio ou outro. Lá está, tens de ir preparando as coisas e definir as tuas preocupações. Atualmente, muitas das jogadoras portuguesas estão no nosso campeonato, a Liga BPI. Os clubes onde elas jogam são dominadores, o que significa que sofrem poucos cantos contra e poucos livres contra. Mas claro que isso não pode ser uma desculpa para a seleção. Agora, nós temos prioridades que vamos selecionando e tudo vai dependendo do momento da época. Há momentos em que se calhar damos mais preponderância aos esquemas táticos ofensivos ou aos defensivos. Escolhemos em função daquilo que achamos que são as necessidades da equipa e em função dos adversários, é a prioritização daquilo que temos de treinar num espaço de 4/5 treinos. Os esquemas táticos são importantes, sim. Se me perguntares se os trabalho tanto tempo quanto gostaria, claro que não. Mas também não trabalho o suficiente a organização ofensiva, a defensiva, as transições… [risos] Gostávamos de poder trabalhar muito mais com elas. Só o conseguimos quando fomos ao Europeu, aí sim. Vamos tentando em todos os treinos integrar esses momentos nas situações de jogo. Por exemplo, se estamos a fazer jogo no treino e há um canto, se calhar batemos três ou quatro cantos seguidos ali para integrar um pouco aquele momento no treino, porque é difícil fazeres um momento de treino só para aquilo quando tens outras coisas de organização para trabalhar.

ANA BRIGIDA

Depois de reveres os jogos do Europeu, ficaste com algum arrependimento, em termos de abordagem dos jogos ou de decisões?
De preparação acho que não. As jogadoras chegaram lá como estávamos à espera que chegassem. A nível físico, não fomos inferiores a ninguém. O último jogo, contra a Inglaterra, foi prova disso – até houve algumas inglesas com cãibras e estavam com muito menos minutos do que nós: conseguimos encostar a Inglaterra às cordas na parte final. Como é lógico, há coisas difíceis de contrariar. O primeiro jogo, contra a Espanha, não foi um jogo brilhante. Não conseguimos sair…

Aí não houve uma abordagem demasiado defensiva?
Acho que não… Viste o Espanha-Inglaterra?

Vi.
Pronto. A Inglaterra ganhou 2-0, mas dizes que teve uma abordagem mais defensiva pela falta de bola que teve? Qual é a equipa na Europa que consegue, num jogo, ter mais posse de bola do que a Espanha? Diz-me uma.

É uma boa questão. Possivelmente a França, não sei.
Não sei, talvez. Mas percebes o que quero dizer? Elas têm qualidade e gostam desse tipo de jogo, querem sempre ter a bola. Não acho que a nossa abordagem tenha sido demasiado defensiva, foi fruto do jogo, era aquilo que tínhamos como estratégia para o Europeu. Era a primeira vez que íamos, estávamos numa grande competição, já tínhamos jogado duas vezes com a Espanha no apuramento e sabíamos que seria o registo delas, é uma equipa dominadora, que quer a bola, que consegue gerir bem o jogo… mas que também se expõe muito com isso. A nossa estratégia nesse dia era tentar apanhá-las desorganizadas para lhes criar problemas mas infelizmente não conseguimos ser competentes nisso. Conseguimos ser equilibrados defensivamente em alguns momentos mas depois no momento de ganho não tivemos a qualidade que queríamos e que tivemos depois contra a Inglaterra e contra a Escócia. Há coisas que, por muito que tu prepares… Ninguém imagina o que é a emoção de toda a gente a ouvir o hino português pela primeira vez num Europeu. Isto é que é o crescimento de uma equipa. É ir lá várias vezes. Nós fomos campeões da Europa de futsal, mas não fomos campeões da Europa na primeira vez em que lá fomos. No futebol masculino igual.

Então estás a dizer que eventualmente vamos ser campeões da Europa em futebol feminino…
[risos] Não estou a dizer isso. Estou a dizer que vamos procurar ir mais vezes às fases finais para que aquele nervosismo que se calhar nos travou um bocadinho no primeiro jogo seja uma coisa normal. A próxima vez que formos a um fase final de um Europeu nós vamos estar mais preparadas, percebes? Quando acabas um jogo e perdes, não podes dizer que fizeste tudo, porque há sempre coisas que podias ter alterado, mas também não ficas com a certeza que essas alterações tivessem efeito. Em casa, sentado no sofá, sou sempre o melhor treinador do mundo. Quando a gente está num Europeu e tem de tomar decisões em função do que está a ver, as coisas alteram-se. Acho que representámos bem Portugal no Euro, ficando aquele amargo de terminar num grupo em que o 1º classificado fica com nove pontos e as outras equipas ficam todas com três, ou seja, não passámos por diferença de golos. Acima de tudo, vimos que fomos crescendo ao longo da competição e no último jogo, teoricamente contra a melhor equipa, Portugal jogou olhos nos olhos. Cometemos os nossos erros, é verdade, e isso quebrou-nos em alguns momentos, mas as jogadoras nunca abdicaram de lutar e criaram problemas às adversárias e isso é sinal de crescimento. Claro que tens sempre mágoas e os “e se…” Mas ficamos de consciência tranquila.

Achas que todo esse percurso já permite às jogadoras entrar com confiança perante qualquer seleção? Ou seja, no teu primeiro ano se calhar diziam que estavas maluco se dizias que iam jogar de igual para igual.
Pois diziam. Quando dissemos que queríamos chegar ao Europeu, também houve gente a pensar nisso, mas o nosso trabalho é fazer com que elas acreditem. E valorizo-as muito porque elas realmente acreditaram muito nisso, acreditaram na nossa loucura, entre aspas. Loucura nossa e loucura também da direção, que apostou no futebol feminino e muita gente dizia que nunca íamos ser nada. O nosso presidente pôs num dos 100 compromissos que tinha para o seu mandato ir a uma fase final de um Campeonato da Europa. Se calhar era dos compromissos mais difíceis que ele lá tinha e ele teve essa coragem. E quando vês o presidente e a direção a escrever isso como compromisso, a ir buscar um treinador com 32 anos… Não tens outra hipótese se não chegar à beira das jogadoras e levá-las para aquele sentido: vamos ao Europeu. O mérito é todo delas.

Ela acreditou: Andreia Norton marcou o golo histórico que coloca Portugal no Europeu da Holanda

Ela acreditou: Andreia Norton marcou o golo histórico que coloca Portugal no Europeu da Holanda

DIOGO PINTO-FPF

Sabes que agora a expectativa inicial já é outra: é estar no próximo Europeu.
Isso é o monstro, entre aspas, que criámos e que queremos alimentar.

E o grupo é fácil…
O grupo não é fácil, o grupo é equilibrado. Como é lógico, se nos tem calhado uma Alemanha, uma Suécia, uma Inglaterra, uma França, tudo do pote 1, se calhar a nossa percentagem de possibilidades era diferente. Agora, também sabes que, nesses grupos, normalmente essas equipas ganham os jogos todos. E tu podes jogar com isso. No nosso grupo, isso não acontece, porque não podes contar que a Escócia, que é a equipa do pote 1, ganhe os jogos todos, porque sabemos que a Finlândia lhes pode tirar pontos, por exemplo.

O que complica as contas do apuramento.
Complica muito as contas. Abre-te a possibilidade do duelo direto com todos os adversários, mas não há certezas. Por exemplo, a Espanha acho que há três qualificações que é só vitórias, portanto quem está no grupo da Espanha sabe que possivelmente tem de apostar pelo 2º lugar e sabe em que jogos tem de apostar. Nós, aqui, temos um grupo muito mais aberto, o que tem o seu lado positivo mas também tem o outro lado. Mas o que é mais giro nisto tudo e o que me agrada mais é isto: irmos para uma qualificação a acreditar que podemos lá estar. É o libertar da jogadora portuguesa. Isso é que é o grande passo que demos. É uma coisa brutal, delas. Elas acreditam que podem lá estar e vamos trabalhar para isso. Vamos olhar as equipas olhos nos olhos para em setembro de 2020 podermos festejar. Metade está feito já: é elas acreditarem nelas próprias.

Tens contrato até quando?
Até ao final do ciclo de qualificação, como todos os treinadores.

Não me lembro de ter visto isso anunciado.
Acho que renovei só [risos]. É normal, é por ciclos.

Ainda não estás farto delas nem elas de ti?
Elas de mim não sei [risos], espero bem que não. Mas eu delas não. Todos os dias há coisas novas. É um grupo… Olha, estão ali no relvado quatro jogadoras que têm mais de 100 internacionalizações [Cláudia Neto, Ana Borges, Dolores Silva e Carole Costa]…

E ainda são novas.
E ainda são novas. A Tatiana Pinto entrou na seleção há cinco anos e já tem 50, a Diana Silva a mesma coisa, a Vanessa já tem 60 e tal, a Carolina e a Sílvia também estão quase nas 100… A Jéssica é uma miúda muito nova, a Norton também, a Matilde também, as guarda-redes… E além de serem novas estão em contextos competitivos altíssimos. A Cláudia no Wolfsburg, a Dolores no Atlético de Madrid, a Borges e Carole no Sporting, a lutar por títulos e que também já estiveram no estrangeiro… São miúdas que são reconhecidas e orgulha-me muito vê-las ali.

Tê-las em Portugal já não é um problema competitivo para a seleção.
Nunca foi um problema…

Refiro-me à profissionalização das equipas, Benfica, Braga, Sporting…
Por mim as 23 portuguesas podiam estar na final da Liga dos Campeões, 11 contra 11 e uma suplente [risos]. Isto era o sonho de qualquer treinador, porque era sinal que estavam em contextos altamente competitivos. Estou a brincar, claro, porque isto não existe. Mas a nossa preocupação é sempre o bem-estar das jogadoras. Quando fomos ao Europeu, havia jogadoras que não eram profissionais. A Matilde [Fidalgo] jogava no Clube Futebol Benfica e não foi por isso que não foi. Mas é claro que os clubes profissionais dão outro tipo de condições, que nos facilitam a vida e que ajudam a potenciar as jogadoras. Elas neste momento são pagas para jogar futebol, portanto podem descansar depois de um treino, podem ir todos os dias aos clubes tratar lesões, não têm a fadiga de ir trabalhar o dia inteiro e treinar à noite, não têm de pedir férias para irem à seleção… Isso são coisas boas. Nós queremos que elas estejam nos contextos mais competitivos e nós, enquanto seleção, também íamos resolvendo os problemas à nossa maneira: já chegámos a chamar quatro ou cinco rapazes para virem treinar connosco, para elevar a intensidade do treino. Ou seja, nós próprios íamos arranjando estratégias para aumentar a competitividade. Felizmente agora já não precisamos, porque elas são competitivas entre elas.

ANA BRIGIDA

Para acabar, assumindo que ficas na seleção até ao final do ciclo que referias…
[interrompe] Já me estás a despedir?

Não, não.
[risos] Ah pronto.

Isto para te perguntar: em 2020, onde é que vês o futebol feminino português?
Com mais praticantes, com mais clubes, com mais competições e com competições mais exigentes para as jogadoras. Esse é um passo. A nível de seleção, vejo-nos a disputar cada vez mais presenças nos Europeus, sendo cada vez mais competitivos para estar nessas fases. Ao nível das jogadoras, não tenho dúvidas que vão ser cada vez melhores, com a ambição e com a paixão que elas têm pelo jogo. Vão ser cada vez mais jogadoras e vão chegar-nos a nós cada vez mais jogadoras, cada vez mais preparadas. Todas vão ser melhores, as da formação e as da seleção A, que sabem que têm de ser melhores porque também vem qualidade de baixo.

A jogadora portuguesa é boa, a nível mundial?
Sem dúvida. A jogadora portuguesa reflete o jogo e toma boas decisões. É a única hipótese que tem para jogar a top.

No duelo, à pancada, é impossível.
Aí não vamos a lado nenhum. E na Europa o jogo é dominado por equipas muito físicas, não é? A primeira grande equipa do mundo que não foi muito física e teve sucesso foi o Japão, campeão do mundo. Se calhar foi das primeiras a ver que aquele caminho para elas era impossível. Se fossem pelo lado físico iam ter grandes dificuldades. A jogadora portuguesa precisa de ter dificuldades e crescer. Corremos o risco de perder no presente mas sabemos que vamos ganhar mais para a frente. É o trajeto que vamos continuar a fazer. Desde que começámos aqui, em cinco anos só não jogamos, do top 20 do mundo, com a Alemanha. De resto, jogámos com todas. Ganhámos umas, empatámos outras e perdemos outras. Mas somos melhores agora. Somos melhores a jogar contra as melhores. Ainda não lhes ganhamos as vezes que gostávamos de ganhar, mas lá chegaremos.

In https://tribunaexpresso.pt

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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