Bajramaj: “Saber lidar com a pressão”

Fatmire Bajramaj, conhecida como a “Garota Glamour” do futebol alemão, descobriu o seu amor pelo esporte ainda muito jovem. Aos quatro anos, a família da jogadora fugiu de Kosovo para a Alemanha, onde ela começou a jogar bola ainda no jardim de infância. No início, o seu pai foi contra, mas com o passar do tempo passou a apoiá-la incondicionalmente.

A meio-campista estreou com a camisa da seleção alemã no dia 20 de outubro de 2005 em uma partida contra a Escócia. Dois anos mais tarde, Bajramaj conquistou com o seu país o título mundial na Copa do Mundo Feminina da FIFA China 2007.

Faltando poucos meses para o maior evento do futebol feminino do planeta, a craque de 22 anos concedeu entrevista exclusiva ao FIFA.com, na qual falou sobre a Copa do Mundo Feminina da FIFAAlemanha 2011, a sua filosofia futebolística e algumas particularidades da modalidade.

FIFA.com: O ano de 2011 começou muito bem para você, com a indicação ao prêmio de Jogadora do Ano da FIFA ao lado de Birgit Prinz e Marta. Qual é a importância do ano de 2011 para você profissionalmente?
Fatmire Bajramaj: Este ano é o mais importante da minha carreira até o momento pelo simples fato de que será realizada uma Copa do Mundo Feminina na Alemanha.

Em 2007, você participou da sua primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA. Quais lições que você aprendeu naquele torneio poderão ser utilizadas na Alemanha 2011?
É claro que levaremos conosco para a Copa do Mundo 2011 a experiência e todas as vitórias que conquistamos na China 2007. Mas será um torneio completamente diferente. Não levamos nenhum gol e conseguimos várias goleadas naquela competição e isso não se repetirá. Será sem dúvidas um Mundial emocionante.

Como está a pressão externa sobre o selecionado germânico? Em 2007, vocês dominaram a competição completamente. É natural que a torcida tenha expectativas de que aquilo se repita…
Acredito que a pressão seja normal para nos impulsionar. É preciso saber lidar com isso e nós sabemos. Mas a maior pressão é aquela colocada por nós mesmas, pois jogaremos na Alemanha, na nossa casa.

No plano pessoal, o que significa para você disputar uma Copa do Mundo Feminina da FIFA no seu próprio país?
Para uma jogadora de futebol, não há nada mais belo do que disputar uma Copa do Mundo no seu país. Mas o mais incrível seria, obviamente, a conquista do título.

Quais são as suas expectativas para o torneio e, na sua opinião, quais seleções têm condições de brigar pelo título?
Acredito que teremos muitas surpresas este ano. Os favoritos são os mesmos de sempre, equipes como Suécia, EUA, Brasil e Inglaterra. Mas é claro que sempre pode haver outras seleções que surpreendam.

Quais, por exemplo?
O meu palpite é a Nigéria, mesmo que no ano passado tenhamos conseguido uma goleada muito alta contra as nigerianas.

Quais são as suas expectativas para o torneio em geral e qual papel você tem condições de assumir dentro da seleção alemã?
Muitos estádios lotados e uma ótima atmosfera, como a que reinou durante a Copa do Mundo dos homens em 2006. O meu objetivo é me tornar uma das líderes da equipe. Quero impulsionar e motivar as jogadoras mais jovens.

Como você descreveria a sua filosofia no futebol?
Esta é uma pergunta bem simples. Manter muita calma durante o jogo e evitar correria, agitação e stress. Simplesmente, divertir-se jogando futebol. Esta é a minha filosofia: curtir o jogo e me divertir.

Tanto na Alemanha quanto no resto do mundo, acredita-se que você deverá ser uma das melhores jogadoras do planeta nos próximos anos. Quais os fatores que mais contribuíram para o seu desenvolvimento no futebol?
A minha evolução futebolística se deveu principalmente à minha transferência para o Turbine Potsdam. Passei por um grande desenvolvimento lá tanto no plano pessoal quanto no profissional. Aprendi a lidar com a mídia e fico contente em despertar tanto interesse.

Você costuma marcar muitos gols. Quantas vezes você acredita ser possível balançar as redes no Mundial Feminino?
Para ser sincera, marcar gols não é tão importante para mim. É indiferente quem manda a bola para as redes — o importante é que a equipe vença.

A Alemanha é uma das nações mais bem-sucedidas no futebol feminino. Como você explica a força dessa modalidade no seu país?
Temos um campeonato nacional muito forte na Alemanha e treinamos de forma bastante intensiva. Isso já faz com que o futebol feminino alemão seja muito desenvolvido.

Você acredita que poderá haver um confronto com o Brasil ou os EUA no caminho até o título mundial?
Sem dúvidas. É normal que fiquemos pensando quem vamos enfrentar na semifinal ou na final. E o Brasil e os EUA estão certamente entre as seleções mais fortes.

Qual é a importância de uma vitória no jogo da estreia contra o Canadá?
O primeiro jogo é sempre o mais importante. Até hoje me lembro de 2007, quando iniciamos o torneio goleando a Argentina por 11 a 0. Não há dúvidas de que isso é extremamente importante para dar confiança à equipe. As outras equipes ficam impressionadas pensando: uau, elas ganharam de 11 a 0.

Como você costuma se preparar mentalmente para um jogo como a partida de abertura, que acontecerá em Berlim? Como lidar com o nervosismo nessa hora?
Antes de jogos importantes, procuro ficar tranquila e relaxada. Fico andando, converso, rio e me entusiasmo pela grande torcida no estádio.

Você considera muito importante a vantagem de jogar em casa?
Sim, extremamente importante. Os torcedores estarão lá para nos apoiar e todo o estádio estará torcendo por nós.

Para finalizar: qual é o seu grande objetivo? Defender o título?
Esta é uma pergunta divertida, na verdade (risos). Queremos continuar com a taça nas nossas mãos a qualquer custo. O nosso objetivo é o título mundial.

In pt.fifa.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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