Capitã das Quinas vai jogar nos EUA

Edite Fernandes já correu o mundo a jogar futebol. É a segunda capitã da selecção nacional feminina, actualmente enverga a camisola do Prainsa Zaragoza, na Superliga Feminina espanhola, é uma das nossas concorrentes da Liga ZZ e está prestes a voar para os Estados Unidos da América para jogar pelo SC Blue Heat FC, em Los Angeles, integrando uma das ligas mais competitivas do mundo.

Ao longo da carreira já passou por ligas de vários níveis, cada uma com com o seu grau de exigência. Em Portugal jogou a nível amador e no estrangeiro já competiu a nível semiprofissional e profissional, nesta última etapa na Noruega, antes de regressar ao Prainsa. Agora tem a oportunidade de jogar no país com liga mais competitiva do mundo, o que é que isto significa para si?

EF: Como disse Shakespeare “somos feitos da mesma matéria dos sonhos” e eu luto diariamente para a realização dos meus. Estar na melhor liga do mundo é o topo para qualquer jogadora e sempre tive este sonho. Já tinham surgido oportunidades para jogar nos Estados Unidos no passado, mas fui obrigada a recusá-las por diversas razões. Esta vez o convite chegou com o timing perfeito e não tinha como dizer que não a um sonho de longa data.

A Edite faz parte de uma pequena elite de jogadoras nacionais que têm a oportunidade de jogar numa liga como a americana. Encara esta oportunidade como uma forma de abrir um precedente para as jogadoras nacionais?

EF: Claro que sim, até porque acho que temos bastante qualidade em Portugal e muito talento que pode perfeitamente ser exportado para as melhores ligas do mundo. Mas é óbvio que os objectivos de cada uma estarão sempre pendentes do seu empenho pessoal, e para fazer do futebol a sua profissão terão sempre que sair de Portugal.

Que informações tem sobre a equipa que a vai acolher?

EF: O clube é o SC Blue Heat FC e assumiu um projecto ambicioso e aliciante também. Neste momento estão numa espécie de segunda divisão feminina, a W-League, e o objectivo é subir à WPS. Estão a investir fortemente em jogadoras da Europa e pelo que percebi estão a tentar criar uma base sólida para subir e permanecer na WPS. A competição será entre Maio e Agosto e o clube tem o aliciante de estar localizado numa das mais apetecíveis cidades dos estados unidos, Los Angeles.

Que dificuldades acha que vai encontrar a nível profissional nos Estados Unidos?

EF: Sinceramente ainda não pensei muito nisso, até porque estou focada apenas no Prainsa e na Selecção. Mas bem feitas as contas, para quem já esteve a jogar na China e Noruega, países distintos mas com as suas peculiaridades, acho que os Estados Unidos apresentarão dificuldades idênticas. No meu caso tenho a facilidade de adaptação a jogar a meu favor, o que ajuda imenso.

Quem é a sua referência no futebol profissional americano?

EF: No compto geral talvez as maiores referências do futebol americano sejam a Hope Solo e a Abby Wambach, mas já tive o prazer de jogar lado a lado, ou neste caso, frente a frente, com alguns dos meus ícones do futebol feminino, como o são Mia Hamm, Michelle Akers, Carla Overbeck e também a sueca Hanna Ljungberg.

Após esta experiência, pretende regressar ao futebol europeu ou está nos seus planos ficar nos EUA?

EF: Boa pergunta! A ideia é regressar ao futebol europeu após a experiencia nos EUA, até porque a liga termina. No entanto não quero pensar nisso agora. Quero desfrutar cada momento. Estou consciente que tenho a sorte de poder estar a fazer o que mais gosto e além disso vou realizar um sonho. Como eu costumo dizer, enquanto o meu telemóvel tocar, é bom sinal [risos].

Finalmente, apesar de não ter sido convocada para este estágio prévio ao Mundialito, tem esperança de integrar a convocatória de Mónica Jorge para disputar o torneio?

EF: Obviamente que sim, tenho esperança. É para isso que trabalho, para merecer a confiança da seleccionadora para todos os torneios. Mas obviamente que entendo a necessidade de observar outras jogadoras que podem integrar os planos futuros da nossa selecção.

Quais são as expectativas para este ano tendo em conta que a Selecção Nacional medirá forças com Chile, País de Gales e Roménia?

EF: As expectativas são as mesmas de sempre. Como até hoje, encaramos este torneio com grande entusiasmo e seriedade, sempre com o objectivo de ganhar todos os jogos e ser primeiras do grupo. Estamos conscientes das dificuldades que iremos encontrar, mas o espirito do grupo é sempre o mesmo: ganhar! No geral, espero que seja um bom torneio e que estejamos à altura da concorrência!

In http://www.ceroacero.es

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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