Clubes ingleses têm prejuízo, apesar dos estádios lotados

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O futebol feminino vive um bom momento na Inglaterra. A poucos dias do Campeonato do Mundo, clubes ingleses chegaram a um número recorde de participações em campeonatos na Europa e atraem cada vez mais torcedores para os estádios lotados. De olho neste cenário, as marcas estão investindo pesado nas equipes, confiantes no potencial de crescimento do esporte no país.

O quadro parece animador, mas esconde um detalhe preocupante. As contas apresentadas pela Superliga Feminina (WSL) mostram que os clubes profissionais tiveram prejuízo financeiro no último ano, segundo matéria do The Guardian.

Além disso, as contas apresentadas pela Superliga Feminina (WSL) mostram números inconsistentes. A impressão é de que não há uma regra ou padrão, já que cada clube segue seus próprios critérios para expor os dados.

Em meados do ano passado, a WSL tornou-se totalmente profissional e passou a ter jogos transmitidos pela BBC. Os maiores clubes do país, como o Manchester City, o Chelsea e o Arsenal, não economizaram com seus times femininos nos últimos anos. No entanto, o retorno ainda não veio. Pelo contrário!

O Manchester City viu seus prejuízos crescerem de 357 mil libras para mais de 1 milhão. O Arsenal, embora tenha reduzido oficialmente seu déficit de 264 mil para 219 mil libras, tem custos operacionais adicionais de 2 milhões bancados inteiramente por sua controladora.

O Chelsea viu suas perdas operacionais crescerem de 107,7 mil libras para 776.7 mil enquanto o Birmingham, que já foi um clube lucrativo, viu seu lucro 9, 8 mil se transformar em um déficit de 13 mil. O Everton foi a única exceção, com um pequeno lucro de 770 libras. Ainda assim, bem menor do que as 2,6 mil libras do ano anterior.

Os negócios comerciais estão em ascensão, a FA garantiu sete novos acordos comerciais nos últimos 12 meses e algumas contas de clubes mostram pequenos aumentos em suas receitas comerciais – o Manchester City subiu 7,3% para 77,6% de seu faturamento, o de Liverpool subiu 2,1%. 83,9% do seu volume de negócios.

No entanto, as receitas dos jogos continuam caindo. A de Birmingham, por exemplo, caiu de 4,7% para 1,5%, enquanto a do Liverpool caiu de 1,3% para 0,9%.

Há esperança de que esse quadro mude. A presenças na WSL aumentaram 13% em relação ao ano passado, o que deve ser refletido nos resultados do ano que vem. Esse aumento, no entanto, ainda está aquém do crescimento comercial.

O relatório Football Money League, da Deloitte, que analisou o futebol feminino pela primeira vez, destaca esse potencial. Três quintos dos clubes de futebol das principais ligas femininas do mundo contam com patrocinadores exclusivos (que não são da equipe masculina) e preveem que isso aumentará para 100% antes do Campeonato do Mundo Feminina de 2023.

A Super Liga Feminina tem a menor proporção de patrocínio exclusivo para os times femininos, com apenas quatro clubes nesse modelo. Acordos separados de patrocínio para as equipes femininas representam uma oportunidade para os maiores clubes do mundo aumentarem suas receitas comerciais. Enquanto o futebol masculino está saturado de acordos comerciais, no feminino isso ainda não acontece.

Se o crescimento não se materializar, porém, há pouco incentivo para que as marcas mantenham os patrocínios no longo prazo. Isso não significa que elas estão prestes a pular do barco – muito pelo contrário. Tudo indica que a maioria está comprometida para ajudar a mudar esse quadro.

No Brasil, ainda falta público nos estádios

Enquanto na Inglaterra falta dinheiro para o futebol feminino, mas sobram torcedoras nos estádios, no Brasil os clubes ainda carecem de público para apoiá-los.

De acordo com dados de boletins financeiros da CBF e informações de clubes publicados pela EBC, apenas dois dos 52 jogos até o momento no Brasileirão Feminino conseguiram pagar os custos operacionais (como arbitragem, ambulância, policiamento, taxas, entre outros) com a renda de bilheteria: as partidas do Iranduba contra o Santos e Corinthians.

Para a jornalista Lu Castro, do blog Futebol Para Meninas, o aumento de público depende de uma mudança profunda na organização do futebol feminino. “Clubes poderiam investir na comunicação com uma assessoria de imprensa, por exemplo. Seria mais fácil de pautar a mídia. A organizadora também deveria criar mecanismos para chamar os torcedores ao estádio. No momento, a atuação é nula”, disse à EBC.

In http://www.espn.com.br

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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