Conheces Carolina Morace?

Ela é sem dúvidas a maior estrela do futebol feminino italiano. Em uma pesquisa recente, Carolina Morace foi citada como uma das mulheres mais conhecidas na história da Itália, ao lado de Santa Catarina de Siena, da pedagoga Maria Montessori, cujo rosto costumava ser impresso nas antigas notas de mil liras, da dançarina Carla Fracci e da atriz Sophia Loren.

Morace nunca se deixou intimidar por novos desafios. Entre muitas outras façanhas, ela talvez tenha sido a primeira mulher a treinar um clube masculino de futebol profissional. No entanto, a italiana nunca chegou a receber o mesmo reconhecimento dado aos astros da versão masculina do esporte mais popular do planeta. “É verdade que não ganhei nem de longe tanto dinheiro quanto os homens, mas sempre acreditei ser uma grande felicidade poder fazer o que eu queria, isto é, jogar bola”, declarou Morace, hoje com 46 anos.

Quatro gols em Wembley
A ex-jogadora nascida em Veneza teve uma carreira de vinte anos repletos de glórias. Morace tinha apenas 14 anos quando estreou na Série A e na seleção italiana. Nos anos seguintes, ela defendeu oito clubes, vencendo 12 títulos nacionais e quatro da Copa da Itália e marcando mais de 500 gols. Uma das suas partidas mais memoráveis aconteceu em 1990 contra a Inglaterra em pleno Estádio de Wembley, quando a italiana marcou quatro gols.

Morace foi a líder da Azzurra durante uma década e esteve presente na primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA, em 1991, na China. Além disso, a atacante, que era conhecida por ser muito temperamental, foi duas vezes vice-campeã europeia com o seu país. Mas, ao contrário do que costuma acontecer com os homens, o futebol não era tudo na vida da jogadora. Paralelamente à carreira, ela concluiu uma faculdade de direito.

Muito trabalho e muita sinceridade
Como treinadora, Morace começou a carreira na Lazio e também trabalhou em uma seleção feminina regional. Em junho de 1999, ela recebeu uma proposta que causou sensação em todo o país: a italiana foi convidada para treinar um time de futebol masculino. A inesperada oferta partiu de Luciano Gaucci, proprietário do Viterbese, um clube a 80 km de Roma que disputava a Série C.

“Talvez eu tenha sido a primeira mulher a ocupar um cargo como esse, mas não é nada de tão especial”, comentou a treinadora, com o seu jeito honesto e confiante. Ela aceitou o desafio, mas, após a segunda partida, uma derrota por 5 a 2 para o Crotone, Morace desistiu, declarando que havia “uma interferência forte demais de Gaucci”.

Grandes objetivos com o Canadá
Um ano mais tarde, o sonho da técnica se realizou quando o presidente da Federação Italiana de Futebol, Luciano Nizzola, convidou-a para treinar a seleção principal e também a sub-18. “A contratação da Carolina é apenas parte de um grande projeto”, declarou Nizzola à época. “Queremos dar uma grande importância ao futebol feminino, porque as mulheres são muito comparadas aos homens em quase tudo aqui na Itália.”

“Sempre disse que o ponto mais alto que se pode alcançar é treinar a seleção, não importa se é a seleção infantil, feminina, masculina ou de veteranos”, comentou Morace. “Dei muito de mim à seleção e também recebi muito em troca.” A ex-jogadora, que entrou em campo 153 vezes pela Azzurra, foi a treinadora do seu país entre os anos 2000 e 2005. Desde 2009, ela está no comando do Canadá. Depois de garantir uma vaga para a próxima Copa do Mundo Feminina da FIFA com o selecionado canadense, Morace vai em busca de grandes resultados na Alemanha 2011.

Informação retirada de pt.fifa.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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