Edite Fernandes: “Vontade de ser melhor”

Made in Portugal

O desenvolvimento e crescimento do Futebol Feminino em Portugal podem ser mensurados, não só pelos resultados recentes da nossa Selecção e subsequente subida no Ranking da FIFA, como também pelo facto de muitas jogadoras portuguesas terem ganho o seu lugar no competitivo mercado internacional.

Entre as habituais eleitas de Mónica Jorge para os jogos e estágios da Equipa das Quinas, surge o nome de diversas atletas que optaram por prosseguir as suas carreiras no estrangeiro, disputando as mais competitivas ligas femininas.

Para a edição 2011 do Algarve Cup, por exemplo, a Seleccionadora Nacional convocou 13 jogadoras que actuam fora de Portugal. Ana Borges (Espanha), Carole Costa (Alemanha), Jamila Marreiros (Espanha), Cláudia Neto (Espanha), Edite Fernandes (Espanha), Sofia Vieira (Espanha) e Sónia Matias (Espanha) e as luso-descendentes, Ana Cristina Leite (Alemanha), ou as irmãs Brandão, Lissette e Kimberly (Estados Unidos) são mais-valias importantes para a Equipa das Quinas, não só pela qualidade que emprestam ao conjunto, mas também pela experiência que trazem dos competitivos campeonatos onde actuam.

O fpf.pt falou com três das atletas “estrangeiras” da nossa Selecção, Edite Fernandes, Jamila Marreiros e Sofia Vieira, que testemunharam a importância e benefícios das suas “aventuras” internacionais. Todas reconhecem que são, agora, jogadoras mais completas e competitivas. No entanto, e apesar de estarem longe do seu País, as três atletas não esquecem as suas origens e mostram um orgulho enorme em cada chamada à Equipa das Quinas.

Edite Fernandes: “Vontade de ser melhor”
Edite Fernandes é uma verdadeira “globettroter”. Depois de ter iniciado a sua carreira em Portugal, no Boavista – de onde rumou ao 1º de Dezembro –, a talentosa ponta-de-lança lusa teve a sua primeira experiência internacional na China. Seguiu-se uma curta passagem pelo Arsenal (Inglaterra), para partir, depois, para novas paragens, nomeadamente Espanha e Noruega. Após a edição de 2011 do Algarve Cup, Edite vai começar uma nova aventura, na W-League norte-americana, representando o Santa Clarita Blue Heat (Los Angeles).

Aos 31 anos, Edite é uma referência da nossa Selecção, somando 90 internacionalizações e 25 golos, e confessa que a aposta que fez na internacionalização da sua carreira está a ser amplamente compensadora. “O que me levou a sair de Portugal foi a vontade de ser melhor jogadora e de realizar os meus sonhos e objectivos. No nosso País, para uma mulher, ainda é impossível viver só do Futebol e se queria fazer uma carreira como jogadora teria de procurar outros campeonatos e outras realidades. Foi uma aventura e ao mesmo tempo uma decisão pensada e segura”, começa por explicar ao Jornal da Selecção.

A sub-capitã lusa reconhece que as experiências internacionais a ajudaram a crescer como atleta. “Noto uma grande evolução, principalmente no aspecto físico, até porque beneficio de uma outra preparação e de um trabalho diário constante. O facto de viver do Futebol, de ser este o meu trabalho, eleva o grau de exigência. No entanto, e mesmo tendo estado fora do Campeonato Português, tenho notado alguma evolução no Futebol que se pratica no nosso País e na qualidade das nossas competições. Mas, é óbvio, que ainda há ainda muito trabalho pela frente” sublinha.

Apesar de passar muito tempo longe do País, Edite Fernandes não esconde o orgulho que tem nas suas raízes e em vestir a Camisola das Quinas. “Representar a Selecção é o ponto alto da carreira de qualquer atleta e eu não fujo à regra. Sinto a Selecção como o meu Clube, a minha “família”, onde existe um grupo de trabalho bom, saudável, unido e com qualidade. Sempre que ouço o nosso Hino é algo de indescritível, de tal forma que, confesso, ainda hoje me arrepio e as lágrimas vêm-me aos olhos”, refere.

Edite tem uma ligação profunda com o Algarve Cup, ou não tivesse participado em onze edições da prova, sendo a segunda melhor marcadora da equipa na competição, com dez golos apontados. “O Algarve Cup tem para nós, Selecção Nacional, uma grande importância, porque é uma prova onde podemos medir forças com as melhores equipas do Mundo e, assim, ganhar mais experiência. É sem duvida um torneio onde gostamos de estar e competir, até por tudo o que o envolve: a organização, a localização, as condições climatéricas, a importância que a Comunicação Social dá a esta prova. Tudo isto torna-o mais apetecível e grandioso”, sustenta.

Ambiciosa como é, Edite olha sempre mais além e, no futuro, traça um objectivo muito claro. “Quero estar presente no próximo Campeonato da Europa de 2013 a representar o meu País. Espero, sinceramente, que o próximo sorteio para o Europeu, em Março [dia 14], nos seja favorável e que, desta vez, tenhamos mais sorte com as equipas que iremos enfrentar na fase de qualificação”, conclui.

Jamila Barreiros: “Não há barreiras inultrapassáveis”
Para a guarda-redes, Jamila Marreiros, a chegada a Saragoça (Espanha) representou o concretizar de um sonho: o de fazer do Futebol a sua principal actividade profissional. Apesar de a mudança de país não ter sido fácil, a jovem “keeper” lusa está apostada em singrar no competitivo Futebol Feminino espanhol.

“Os primeiros tempos custaram um pouco, não só pela adaptação a uma nova realidade, como também pelas saudades que sempre surgem da família, dos amigos e da própria vida que levava em Portugal. Mas para quem, como eu, gosta tanto daquilo que faz, não há barreiras que sejam inultrapassáveis e, neste momento, sinto-me completamente integrada”, resume em declarações ao Jornal da Selecção.

Aos 22 anos, Jamila tem uma enorme margem de progressão e acredita que a experiência que está agora a adquirir, no Prainsa Zaragoza, vai dar frutos no futuro. “Vim para Espanha com o intuito de evoluir, de me tornar numa jogadora mais completa e ganhar competências para, por exemplo, chegar à titularidade na nossa Selecção. Mas não posso esconder que a vertente económica pesou, também, na minha decisão”, explica.

No discurso de Jamila Marreiros – que antes de chegar a Saragoça actuava na Escola de Futebol Feminino de Setúbal – está sempre presente a alegria e o desejo de representar a Selecção Nacional, pela qual já realizou dez jogos (seis nas “AA” e quatro com a camisola das Sub-19). “Jogar com as cores do nosso País é, para mim, um orgulho muito grande e uma enorme satisfação. Estar pré-convocada para uma competição com a grandeza do Algarve Cup significa, por outro lado, que o meu trabalho está a ser seguido e reconhecido pela equipa técnica nacional, o que me enche de orgulho”, frisa.

Além de trabalhar todos os dias para chegar à titularidade da baliza do seu clube e da Equipa das Quinas, a guardiã nacional assume, também, a ambição de ver a nossa Selecção nos mais altos patamares do Futebol Feminino Mundial. “Acima de tudo, gostaria de um dia ver Portugal na fase final de uma grande competição. Até lá, vamos tentar ganhar tudo o que for possível e esteja ao nosso alcance, a começar já pelo Algarve Cup”, sintetizou.

Sofia Vieira: “Jogar a um nível mais alto”
Sofia Vieira está dividida entre dois “amores”, o Futsal e o Futebol. E o que mais impressiona na jovem internacional portuguesa é que revela igual talento e qualidade em cada uma das variantes, tendo já representado a Equipa das Quinas nas duas modalidades.

Com um trajecto completo cumprido nas Selecções Nacionais Femininas – Sub-18 (três jogos), Sub-19 (24 partidas e um golo apontado), “A” de Futebol (25 encontros, somando sete tentos) e “A” de Futsal (cinco jogos, dois golos) – Sofia Vieira passou, em Portugal, pelo CD Cartaxo e o SL Benfica, antes de ter a oportunidade de viajar até ao país vizinho para representar o FSF Móstoles e, depois, o Atlético de Madrid, onde já jogou Futebol e Futsal.

Há três anos em Espanha, está perfeitamente integrada na nova realidade em que vive. “A minha adaptação foi rápida e fácil, a cultura é muito parecida à portuguesa e tive a sorte de poder contar com o apoio das pessoas do clube para onde vim, que me ofereceram todas as condições para que pudesse integrar-me da maneira mais rápida e completa”, relata ao Jornal da Selecção.

Tal como Edite Fernandes e Jamila Marreiros, também a atleta do Atlético de Madrid emigrou em busca de se aperfeiçoar como jogadora. “A principal razão foi a vontade de jogar a um nível mais alto e de poder evoluir. Depois, porque queria conhecer outras culturas e porque sempre tive o desejo de passar pela experiência de jogar no estrangeiro, um desafio a nível pessoal que queria superar”, explica, adiantando que os progressos são visíveis: “Sinto-me muito mais completa a nível táctico e físico. A evolução aconteceu devido ao treino e à formação transmitida pelos treinadores com os quais tive a oportunidade de trabalhar”.

Ainda a estudar, o dia-a-dia de Sofia Vieira é passado “no mundo do desporto”. “Estudo na Universidade Autónoma de Madrid, onde estou a tirar uma licenciatura em Ciências da Actividade Física e do Desporto, dou aulas extra-curriculares de Futsal e finalizo o dia com os treinos no meu clube”, prossegue.

Mesmo estando em Espanha, as viagens a Portugal são frequentes, a maior parte das vezes para trabalhar nos estágios e jogos das Selecções Nacionais, facto que enche a centro-campista de orgulho. “A Selecção Nacional significa muito para qualquer atleta, algo difícil de descrever em palavras, porque é um sentimento de orgulho, honra e felicidade misturado e, por outro lado, acaba por ser a recompensa pelo esforço e dedicação a este desporto”, argumenta, formulando um desejo: “poder chegar a uma fase final de um campeonato da Europa ou do Mundo com a camisola da nossa Selecção”.

Sofia Vieira já participou em quatro edições do Algarve Cup e não esconde o carinho especial que nutre pelo torneio. “É uma das competições que mais gosto, porque significa muito para mim, dado que os meus primeiros passos e os momentos mais importantes a nível individual na Selecção “A” aconteceram nesta prova. Acho que é uma competição que tem vindo a ganhar um crescente reconhecimento no panorama internacional, conta com a presença de algumas das melhores selecções e jogadoras do mundo e é sempre com muito entusiasmo que encaro cada Algarve Cup”, remata.

In www.fpf.pt

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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