Edite Fernandes diz adeus à Seleção Nacional – SC Braga

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Após 20 anos, 132 jogos, 9184 minutos e 39 golos marcados ao serviço da seleção lusa, Edite Fernandes decidiu colocar um ponto final na sua carreira internacional. Para muitos a melhor jogadora portuguesa de todos os tempos, a camisola 8 da equipa das quinas teceu algumas declarações depois de anunciar a sua despedida aos palcos internacionais.

 

– Quais são os principais motivos para renunciares à Seleção Nacional?

Não há um principal motivo. Ao fim de muitos anos, ponderei bastante esta decisão e chegou a altura de dizer adeus à seleção. Não há uma razão, mas sim um momento certo para o fazer.  Neste momento, quero focar-me somente no clube que represento, o SC Braga.

 

– Retiras-te numa altura em que a Seleção Nacional vive um momento de sonho. A decisão não se tornou mais complicada?

É complicado. Foi uma decisão bastante ponderada, onde tive o apoio dos meus amigos e familiares. Depois de não ter sido convocada para o playoff, achei que estava na altura de dizer adeus à Seleção Nacional. Apesar de estar presente numa fase final do Campeonato da Europa ser o meu sonho, na vida temos de tomar decisões e este era o momento certo.

 

– Vestiste a camisola da Seleção Nacional por 132 vezes.  Como recordas a tua passagem pela equipa das quinas?

Foi bastante positivo. Costumo dizer que a seleção nacional era o meu clube do coração. Tenho um amor muito grande à seleção portuguesa e nesse aspeto todos estes 20 anos que a representei foram muito positivos. Entreguei-me de alma e coração.

 

-Recordas-te do teu primeiro jogo pela Seleção A? Como foi esse momento?

Claro que recordo, a primeira internacionalização nunca se esquece. Foi contra a Bélgica, em Cantanhede e tinha 18 anos. O estádio estava cheio recordo-me como se fosse hoje e nesse encontro. Foi um momento marcante na minha carreira.

 

– És a melhor marcadora de todos os tempos da seleção lusa (com 39 golos)? Para ti alguém pode atingir esta marca?

Para mim é um grande orgulho terminar a minha carreira na seleção como a melhor marcadora. Se alguém irá atingir esta marca, não sei. Em Portugal temos grandes talentos e os recordes são para se baterem. Gostava que alguém quebrasse este recorde um dia.

 

– Para além disso, capitaneaste a seleção nacional durante um longo período de tempo. Poucas envergaram essa braçadeira. O que significou isso para ti?

Comecei a capitanear a Seleção Nacional com a selecionadora Mónica Jorge. Sempre foi fácil ser capitã da Seleção. Era um bom grupo, havia um bom ambiente, uma boa família e uma grande união. Evidentemente, a responsabilidade era muito maior, porque estás a liderar uma seleção. Ser a líder e a porta voz do grupo ao longo de 8 anos acabou por ser fácil graças grupos e com os selecionadores que eu apanhei.”

 

– Como vês o futuro da Seleção Nacional? Acreditas que a distância em relação a outras seleções de referência está a ser encurtada?

Sinto isso já há alguns anos. Com a entrada deste selecionador, os resultados têm sido mais positivos e, hoje em dia, enfrentamos olhos nos olhos as melhores seleções do mundo. Atualmente, somos respeitadas pelas melhores seleções. A diferença já não é tão grande, nós temos um grupo com muito talento e não temos medo de ninguém.

 

– Sara Brasil disse esta época que tu és a principal referência dela no Futebol. Como te sentes ao ser o exemplo de tantas jovens atletas?

A Sara Brasil é uma querida (risos). É um motivo de orgulho quando és a referência para as mais jovens. É sinal que deixei um bom legado e que as mais jovens seguem o meu exemplo.

 

– Muitas pessoas dizem que és a melhor jogadora portuguesa de todos os tempos. Assumes esse titulo?

Nada disso, construí a minha carreira e o meu caminho. Existiram muitas jogadoras com muita qualidade, e com grandes feitos e não me posso equiparar à melhor jogadora portuguesa de todos os tempos. Sou uma jogadora que contruiu uma carreira muito bonita e que teve títulos e orgulha-se daquilo que conquistou.

 

-Acaba por aqui o teu percurso pela Seleção. Contudo, no SC Braga vamos ter a Edite Fernandes por mais tempo, certo?

Uma coisa de cada vez. Ainda tenho contrato com o SC Braga e vou cumpri-lo e desfrutar até ao final da época. Depois aí vou decidir com o treinador e com o clube. Talvez ainda consiga jogar mais uma época.

 

– Que objetivos traça até ao final da sua carreira?

Até ao final da minha carreira pretendo dar tudo pelo SC Braga. Vou tentar dar o máximo juntamente com as minhas colegas para fazer o melhor por este maravilhoso clube.

 

– Após acabares a tua carreira no futebol enquanto atleta, pretendes ficar ligada ao futebol feminino?

Gostava. É a modalidade que ajudei a crescer. Dei tudo de mim, daquilo que sou e gostava de ficar ligada à modalidade. É uma situação a pensar apenas no final da minha carreira como jogadora. Neste momento estou focada na minha carreira.

 

– Se tivesses de escrever um texto sobre a história da Edite Fernandes na Seleção Nacional, qual seria o título?

O título que escolhia era “Edite, a estrela”. Isto tem uma história… há 20 anos atrás, jogava pelo Boavista e estávamos a perder 1-0. Entrei, fiz dois golos e fomos campeãs nacionais. Recordo-me que um jornal desportivo, a seguir a esse jogo, colocou esse título. Este título andou comigo durante anos a fio porque acho que sempre tive uma estrelinha no futebol. Sou uma pessoa que fui guiada por uma estrela.  Esse jogo deu-me a conhecer ao futebol e a partir daí fui a todos os estágios e jogos da seleção. Acho que esse titulo e que essa estrelinha andaram sempre comigo e que nunca me falharam.

In http://scbraga.pt/

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