Equipa feminina do Pico sonha com sintético para chegar à I Divisão Nacional

Com três anos de evolução e duas equipas a competir nos campeonatos de Futebol 11 e Futebol 7, o plantel feminino da Associação Cultural Desportiva e Recreativa Pico de Regalados asseia pela instalação de um relvado sintético no Campo dos Abreus, na Vila do Pico, de forma a dar “passos mais firmes” e outra luta às melhores equipas nacionais que já dispõem de condições de excelência para o trabalho diário.

De acordo com Nuno Borges, técnico da equipa de Futebol 11, esse é um “desejo já com três anos”. “Não tem havido grandes progressos nesse particular. Há a promessa de instalação de um relvado sintético no campo de jogos do Pico. Só espero que não nos aconteça como ao ceguinho que andava sempre a dizer “vamos ver, vamos ver”, mas a verdade é que nunca viu”, comentou.

De acordo com o treinador da equipa feminina do Pico – que conta com um plantel com uma média de idades a rondar os 18 anos – “as condições de treino condicionam muito a forma como evolui o plantel”. “Até porque a concorrência leva já alguma vantagem. Nas redondezas não faltam já clubes que têm relvados sintéticos. Prado, Vilaverdense, Terras de Bouro, Gerês, FC Amares, Lago, são vários os exemplos”, lembra.

Por isso, o que interessa aos dirigentes do Pico é “que as máquinas comecem a trabalhar”. “Muitas vezes as miúdas perguntam-nos onde treinaremos quando começarem as obras. Isso é o que menos me preocupa neste momento. Para treinar num terreno pelado, tanto o fazemos no Pico, como numa freguesia vizinha”, refere Nuno Borges, explicando que “se dermos a escolher a uma miúda onde quer jogar, ele vai sempre preferir alinhar pela equipa que lhe dá melhores condições de treino”. “Não tenho dúvidas de que há oportunidades que se perdem por não termos as melhores condições de treino”, aponta.

Também Roger Pinheiro, técnico que se dedica mais à equipa de Futebol 7, ou seja, às atletas Sub-18 do plantel, “as condições de treino fazem toda a diferença na evolução da equipa”. “Se nestes dois anos evoluímos como evoluímos, imagine-se se tivéssemos um relvado sintético para treinar e jogar. É que a maioria das equipas com que jogamos já dispõem dessas condições, logo, sempre que as visitamos acabamos por estar em clara desvantagem”, observou.

Projeto de médio prazo para ‘atacar’ I Divisão Nacional

De acordo com os técnicos do plantel feminino do Pico de Regalados, a ideia passa por implementar um projeto de médio prazo permita “construir bases para a criação de uma equipa sénior alimentada pelos escalões de formação”. “Enquanto, por exemplo, aqui ao lado, o Vilaverdense FC tem condições para contratar jogadoras já formadas, nós temos que ensinar as nossas a darem os primeiros passos, inclusive a ambientarem-se com a bola, porque algumas delas nunca jogaram sequer”, explicou Roger Pinheiro.

Também Nuno Borges quer ajudar a “criar uma equipa consistente, sem pressas, para, nos próximos quatro ou cinco anos lutar pela subida de divisão”, avançando que “sem um campo relvado, facilmente se vê algum desse trabalho feito ‘fugir’ para outros clubes que oferecem melhores condições às atletas”.

Ora, como não há relvado sintético, “há que ser criativo”. “Se olharem para o nosso plantel, vêm que temos quase 30 atletas, das quais, algumas já vêm do Frossos ou do Vilaverdense porque gostam da maneira como aqui se trabalha, apreciam o ambiente”, sustenta.

Mas, como se criam rotinas de responsabilidade em atletas que nada recebem e treinam em campo pelado? “As rotinas vão ficando mais cimentadas, à medida que o tempo e a própria idade das atletas vai avançando. Começam a perceber que é aquilo que querem, que querem crescer para o futebol e entregam-se ao máximo, mesmo sabendo que em termos financeiros não têm qualquer compensação. O seu prémio é a evolução que sentem de dia para dia”, explica o técnico.

Por isso, nesta altura, “não há jogos fáceis nem difíceis, há jogos para melhorarem”. “As nossas atletas estão preparadas para qualquer desaire, porque a sua mentalidade passa por melhorar jogo a jogo. E, para isso, sabem que têm que ir escalando patamares. O que interesse é que notem em si próprias e no grupo de trabalho uma evolução concreta”, afirma Roger Pinheiro.

Futebol feminino teve forte evolução

Na perspetiva do técnico da equipa de Futebol 7 do Pico de Regalados, Roger Pinheiro, “Portugal, felizmente, nos últimos anos tem evoluído muito em termos de futebol feminino”. Como tal, a Seleção A está apetrechada “de belíssimas jogadoras”. Tal “acaba por dificultar a entrada nesses lotes de atletas do Pico”. “Estamos a falar – no caso das atualmente selecionáveis – de atletas que começaram a praticar futebol com 7 ou 8 anos. Quem sabe daqui a um par de anos não teremos também atletas do Pico na Seleção A. Para já, ainda é cedo”, admite o técnico.

Considerando que, no ano passado, em termos organizativos, demos passos firmes para a evolução da modalidade em Portugal, Nuno Borges adianta que “embora seja um bocado injusto, o futebol feminino ainda goza de alguns privilégios face ao futebol masculino”. “As multas, por exemplo, por cartão amarelo ou vermelho, são consideravelmente inferiores às que são aplicadas no futebol masculino. O mesmo se passa com as inscrições. Isso também acaba por funcionar como um pau de dois bicos, porque uma equipa que facilmente se inscreve também facilmente desiste da competição, desvirtuando a verdade desportiva”, lembra.

Por exemplo, neste momento, a equipa do Pico estar duas semanas sem competir, o que “perturba a evolução natural das atletas”.

Futebol 7 terá ‘ombro a ombro’ vilaverdense

A equipa de Futebol 7 do Pico de Regalados terá pela frente, na próxima jornada, a turma do Vilaverdense FC. Depois da desistência do Oleiros, restam duas formações para representar o concelho. E logo “dois candidatos”, acredita Roger Pinheiro. “Será um jogo de dois favoritos. Poderemos ter um campeonato de ombro a ombro, entre duas equipas vilaverdenses. Esse jogo será o nosso barómetro para avaliarmos se estamos no nível que acreditamos estar. Acredito que já estaremos com níveis mais equilibrados”, comentou o técnico.

No que diz respeito ao Futebol 11, os próximos adversários são Freamunde e Sandinenses. “São 1º e 2º classificados, com condições de treino magníficas, por isso, estão naturalmente noutro patamar”, entende o técnico.

Fim do policiamento obrigatório é ‘lufada de ar fresco’ em termos financeiros

Lembrando que, “no arranque de cada época é sempre complicado arranjar verbas para inscrever as atletas”, Nuno Borges defende que o “fim do policiamento obrigatório é ‘lufada de ar fresco’ em termos financeiros” para os clubes da região. “Ainda agora em janeiro inscrevemos uma atleta que já treinava connosco desde outubro, porque não é fácil conseguirmos verbas para tal. E todos nós sabíamos que ela tem qualidade para ser titular”, recorda, lembrando que o fim do policiamento obrigatório libertará, por cada jogo em casa, cerca de 150 euros que, “darão para pagar as deslocações dos jogos fora e os almoços que permitem à equipa arrancar mais cedo para cada jogo”.

In http://www.terrasdohomem.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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