Futebol Feminino: um crescimento sustentado a gerar reconhecimento

No artigo desta semana vamos falar sobre o crescimento e reconhecimento do futebol feminino.

A chegada do futebol feminino aos grandes clubes deram início ao desenvolvimento desta modalidade, havendo cada vez mais praticantes, bem como mais mediatização, contratações e melhores resultados. Sendo que também já há mudanças em curso já assumidas pela UEFA.

“O potencial do futebol feminino não tem limites”. A frase é de Aleksander Čeferin, presidente da UEFA, numa visão complementada pela do “vice” Michele Uva: “O futebol é para todos Este é um dos maiores saltos culturais [diferença entre homens e mulheres] que o desporto ainda tem de fazer”. Os dirigentes justificaram, desta forma, a medida de separar as finais da Liga dos Campeões masculina e feminina. A partir deste ano, a Champions feminina terá um evento próprio, em Budapeste, com a masculina a ser jogada em Madrid. “A ideia é dar ao jogo feminino uma plataforma só para si, para continuar a crescer e tornar-se, por direito, um evento e um espetáculo televisivo imperdível”.

Em Portugal, o cenário é semelhante e o futebol feminino está a crescer a todos os níveis: número de praticantes, competitividade dos campeonatos, mediatização da modalidade, exportação de talentos, contratação de jogadoras e até resultados da Seleção nacional. 

Segundo dados da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), de 1990 até 2018 o número de jogadoras, a nível sénior, subiu de 375 para 1073. A nível europeu, um relatório da UEFA também aponta para dados de claro crescimento: de 2017 para 2018 houve mais 7,5% de jogadoras federadas, o número de jogadoras profissionais e semiprofissionais duplicou nos últimos quatro anos e o número de equipas de jovens raparigas subiu de 21 mil para 35 mil. Mónica Jorge, ex-jogadora e atual diretora da Federação Portuguesa de Futebol, já chegou a assumir, em 2017, ao Bancada.pt, que Portugal “ainda está muito longe do patamar europeu”, falando, no entanto, de um crescimento “de uma forma sustentada”. 

Mais praticantes trazem mais interesse e mais interesse traz “tubarões”. A entrada em cena de Sporting, Sp. Braga ou Benfica trouxe uma combinação de estratégias: ao aumento de praticantes e ao desenvolvimento da formação de jogadoras adicionou-se a lógica de “pescar” talento estrangeiro. Segundo um relatório da FIFA, que analisou o panorama mundial do futebol feminino, Portugal ainda tem números pouco relevantes em todas as áreas analisadas menos no número de contratações de jogadoras: surge no top-10, atrás de potências como Alemanha e França.

A Liga Feminina portuguesa, a nível mundial, ainda é das poucas que conjuga a ausência de limite máximo de estrangeiras com a obrigação de ter, na ficha de jogo, um mínimo de jogadoras formadas localmente (oito). Estes dados atestam, sobremaneira, a ideia da FPF para o desenvolvimento do futebol feminino, que passa por fomentar a formação, sim, mas com alicerce na procura de talento estrangeiro. Para já, a estratégia de contratar lá fora tem tido efeitos claros. Ainda que generalizada, esta premissa advém também da observação da classificação da primeira divisão: genericamente, as equipas estão organizadas, na tabela pontual, pela mesma ordem da “classificação” do número de estrangeiras no plantel (o Boavista é a excepção) e os três primeiros classificados (Sp. Braga, Sporting e “Fofó”) estão no top-4 do número de estrangeiras.

Há, ainda, o claro benefício de ter jogadoras experientes. Prova disso é o facto de os três primeiros classificados estarem, também, no top-4 em média de idades. Na cauda da classificação surgem as equipas mais jovens, as únicas com médias abaixo dos 22 anos. Este facto não é indissociável da impossibilidade de, para já, ter um número alargado de equipas profissionais. As equipas acabam por apostar, sobretudo, em jogadoras jovens – estudantes, na sua maioria –, mais disponíveis para conciliar o futebol e os estudos. Trata-se de uma inevitabilidade que Alfredina Silva associa ao “fosso competitivo” entre as equipas do topo da Liga e as equipas menos fortes: “Obviamente que se nós só treinamos duas ou três vezes por semana fica difícil competir com equipas que treinam todos os dias”.

Apesar desta abertura ao potencial estrangeiro, o futebol feminino está, no que concerne às idades e às jogadoras contratadas lá fora, bem abaixo das principais Ligas mundiais. Um estudo do Observatório do Futebol mostra que, nos seis principais campeonatos, a idade das jogadoras é bastante mais elevada: quase 25 anos, em média, contra apenas 22 em Portugal. Em termos de talento estrangeiro, a diferença entre Portugal e o futebol de topo é ainda maior: 22% de jogadoras estrangeiras, em média, nas principais Ligas, um número que, na Liga Portuguesa, apenas o Sp. Braga alcança, com as dez jogadoras estrangeiras que tem no plantel.

A partir de 2020, com a UEFA a aumentar as verbas encaminhadas para as Federações para desenvolvimento do futebol feminino, a FPF terá em mãos 150 mil euros (mais 50 mil do que recebe atualmente). Uma ajuda extra na missão de levar o futebol feminino de um nível médio, no panorama mundial, para o “pelotão” da frente.

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