Inês Barge está pronta para enfrentar as dificuldades

 

Nasceu numa altura em que o futebol feminino deixou de ser visto como “invulgar.” Aos olhos de Inês, as mulheres têm conquistado o seu espaço no mundo do desporto e, “cada vez mais há um maior número de apoiantes.” Contudo, a evolução não impede “comentários: como o lugar da mulher é na cozinha ou deixa isso para quem sabe”, lamenta. Há ainda alguns mais “inapropriados e desconfortáveis” para e com as jogadoras. Porém, não é isso que a faz desistir e sente que os positivos são sempre superiores. “Há menos preconceito e mais aceitação,” concluí.

Mas quando é que o futebol e a Inês se encontram? Foi na primária, que a professora de Inês Barge, percebeu que ela tinha uns ‘pézinhos’ talentosos. E, enquanto jogava à bola com os rapazes, a professora “insistia com os meus pais para me inscreverem no futebol.” Uma paixão que Inês nunca escondeu “os meus pais sempre souberam.” E aos 10 anos, deixa o pátio da escola, e ruma ao Boavista.

Durante as 3 épocas que se seguiram, Inês foi ‘pantera’, até se mudar para a Dragon Force “onde fiquei duas épocas.” Na época de 2016/2017, veste pela primeira vez as cores do Valadares Gaia ,clube que “me acolheu faz 4 anos.”

 

A jovem defesa do Valadares, tem apenas 18 anos, e muitas vitórias pessoais, mas sobretudo coletivas.

Nada se faz sem uma equipa. E nesse ainda pequeno, mas grande percurso, destaca “duas Taças da Segunda Divisão,” a presença “num dos maiores torneios de futebol internacional (Gothia Cup),” no verão de 2019- prova que se realiza desde 1975 na Suécia para atletas de todo o mundo que tenham entre 11 e 19 anos – e ainda com “uma final no Torneio Inter Associações e uma final da Taça de Portugal,” disputada na época passada frente ao Sport Lisboa e Benfica.

No campo individual destaca a chegada à Primeira Liga e a chamada à Seleção Nacional nos escalões sub-17 e sub-19. Como terá sido a sua primeira internacionalização?  Foi “algo inexplicável.” É uma das suas grandes conquistas, é um “objetivo pessoal importante,” e o momento em que “ouvi o hino” é “um momento que nunca irei esquecer,” afinal,“estás a lutar por Portugal.” Esta época vestiu a camisola das Quinas por seis vezes. Um dia espera “ter a oportunidade de jogar na equipa principal.”

Sente que até aqui “foi uma boa caminhada” que espera que continue. Todos os dias trabalha e evoluí para e com o futebol.

E por falar do seu percurso, como terá sido a época da Inês e do Valadares? “Foi uma época imprevisível.” Começa por dizer. E por quê? “A equipa teve momentos bons e maus.” E com algumas das complicações acabaram por terminar numa posição à quem das expectativas. Por ser um clube “com ambições” fica um sabor amargo. Contudo, “retiramos pontos que possam servir como objetivos a alcançar na próxima época e que se possam melhorar.” Fica a promessa que tudo farão para entrar ainda mais fortes.

Esta época, Inês jogou 1409 minutos, e fez dois golos. E como tal o balanço é positivo. Durante a época “procurei aperfeiçoar a minha técnica e ajudar sempre a equipa ao máximo,” para ela jogar bem não chega “há que tentar ser sempre melhor.”

Mas nem só de futebol se faz a vida. E fora das quatro linhas como é a vida da Inês? Leva uma vida passada junto dos amigos e da família, sobretudo dos avós, “gosto dos visitar e passar tempo com eles.” Gosta de jantares fora, de sair para beber café e não diz que não a um jogo de bowling. Manter o bichinho competitivo fora de campo. Mas nem só de agitação se faz a vida da Inês, também gosta de relaxar vendo séries e filmes. E como será que estão a correr estes dias em que está confinada? “Estar fechada em casa o dia todo é um pouco cansativo, mas necessário.” Não perde o foco, apesar de às vezes ser complicado, continua a trabalhar “a treinar de forma mais individual e autónoma,” para estar preparada para os próximos desafios. Tem tentado manter uma rotina ‘normal’ com aulas de manhã e treino à tarde. E nestes tempo que demora em passar vai contando os dias para voltar a jogar.

Esta paragem permite-nos pensar e refletir sobre uma quantidade de coisas. E quando toca ao futebol feminino, a pergunta é: o que é que lhe faltará para chegar ao nível de outros países?

“Acho que ainda faltam coisas essenciais.” Para a jogadora do Valadares “existe pouca aposta nos escalões inferiores,” mas não só “há pouca propaganda e falta de investimento nos clubes.” Sabemos que não é fácil e a “maior parte das jogadoras estudam/trabalham durante o dia e treinam à noite” nem todos os clubes têm capacidades “para que sejam profissionais.” No entanto, e mesmo que “não seja num patamar tão elevado” o futebol feminino em Portugal “está a crescer e a apresentar melhorias ao longo do tempo,” agora é continuar.

Tal como Inês irá continuar a lutar pelos seus sonhos. E com eles surgem as inspirações e influências dentro dos relvados. Se tivesse que destacar uma seria a internacional norte-americana, Alex Morgan, uma das melhores do mundo, e dona de uma medalha de ouro alcançada pelos EUA nos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. 

Se um dia gostava de ser como ela? Talvez. Contudo, o que a jovem de 18 anos pretende, é “chegar o mais longe possível” e quem sabe vestir as cores do Futbol Club Barcelona.

Desde o pátio da escola que sonha em ser jogadora de futebol “tenciono fazer disto vida” e irá “aproveitar todas as oportunidades.” Está ciente das dificuldades. E se “por acaso não correr de acordo com aquilo que quero” irá optar por outra coisa. Encontra-se neste momento num “curso de Línguas e Culturas estrangeiras” e será esse o seu plano B “turismo ou tradução.” O importante é que em qualquer uma delas se “sinta feliz a fazer o que gosto.”

 

 

 

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