Liga BPI – análise ao primeiro terço da prova

“Oito jornadas decorridas e confirma-se o que vinha sendo anunciado desde a época passada: um Benfica dominador assumindo a vontade de ser campeão desde o primeiro minuto do início da época. Pelo caminho já defrontou o Sporting, em casa, e pareceu demasiado fácil a forma como marcaram três golos sem resposta. Os restantes adversários têm sido corridos a goleadas, exceptuando a deslocação ao Futebol Benfica na sétima jornada em que venceu pela margem mínima. Aguarda-se com alguma expectativa o jogo com o Braga, que encerrará a primeira volta da Liga BPI.

Por muito que possa haver algum equilíbrio pelo meio da tabela, a verdade é que a luta pelo título de campeão se faz a três (Benfica, Braga e Sporting) e presume-se, de forma pouco falível, que estes dificilmente percam pontos a não ser entre si. A presunção não é absurda e só existe porque o desnível das condições de trabalho e qualidade das jogadoras é abissal. Falamos de equipas profissionais, que treinam diariamente com todas as condições, contra equipas amadoras que treinam à noite, em horário pós-laboral e no máximo três vezes por semana. Foi interessante a luta que o Futebol Benfica deu, mas o Benfica tinha obrigação de ganhar aquele jogo e conseguir ultrapassar as contingências tácticas criadas pela equipa da Madalena Gala. Não há desculpas para as equipas profissionais, porque a diferença de condições é mesmo muito acentuada.

A seguir está um núcleo de três equipas (Valadares, Futebol Benfica e Marítimo) que procuram não se afastar do quarto lugar e têm tido um comportamento de referência nesse sentido. Nomeadamente a equipa da Madeira, que volta a surpreender, ou talvez não, nesta edição da Liga BPI. Também será curioso ver como se irão posicionar estas equipas no final da primeira volta, já que o Marítimo vai jogar com as outras duas e o Valadares ainda jogará com Benfica e Sporting.

Ouriense, Clube de Albergaria e Estoril compõem o grupo seguinte, que tem oscilado bastante na tabela pontual. O Ouriense tem tido muitas dificuldades em casa, onde habitualmente era muito forte e tem esbanjado pontos com equipas do seu nível. O Clube de Albergaria vai alternando semanalmente entre os resultados positivos e os negativos e na próxima jornada vai defrontar o Sporting, que não deverá dar margem para recuperação. O Estoril tem demorado a recuperar um lugar mais condizente com aquilo que foi o seu desempenho na época passada, mas neste final de primeira volta tem um calendário que poderá ajudar a sair do desconforto pontual.

No grupo dos aflitos estão Ovarense, Cadima e A-dos-Francos. A equipa do Oeste dificilmente sairá da última posição, porque não tem conseguido revelar qualidades para surpreender os adversários, mesmo frente aos que estão perto na tabela classificativa. Ovarense e Cadima irão fazer braço de ferro até ao fim, para ver quem sai da posição incómoda. A Ovarense já se adiantou, roubando um precioso ponto ao Valadares na última jornada. Será certamente um osso duro de roer para todas as outras equipas, exceptuando as três profissionais. Veremos se o Cadima conseguirá ultrapassar essa pressão, mas não será tarefa fácil.

Apesar das diferenças de orçamento, entre as diversas equipas, há um compromisso que tem sido procurado por todos os treinadores: independentemente de jogarem mais ou menos destemidamente, há qualidade no futebol jogado pelas equipas. Há personalidade. E isso é um facto que tem de ser realçado, porque ajuda a que o futebol feminino seja cada vez mais valorizado. E para o espectador torna-se cada vez mais motivante assistir aos jogos.”

Texto de Anabela Brito Mendes originalmente publicado no Sindicato dos Jogadores

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