Liga BPI – O que nos deu a primeira volta?, Anabela Brito Mendes

Anabela Brito Mendes analisa a primeira metade do campeonato de futebol feminino.

Com metade da Liga BPI cumprida, 11 jornadas com 260 golos, impõe-se um ponto da situação. Em relação ao mesmo período da época passada, há menos um golo marcado – 260 para 261 – mas a predisposição das equipas em relação à disputa dos 3 pontos é maior: com 65 jogos disputados (há um Futebol Benfica – Estoril Praia em atraso que se vai disputar dia 29) somente cinco resultados são empates e todos com golos. Um grande atrativo para a promoção do futebol feminino.

Um dos grandes contribuidores para estes números é o Braga, que mantém firme a tradição de ter a equipa mais goleadora. Só que esta época, junta-lhe a eficácia no confronto direto com o Sporting. E à passagem para a 2.ª volta tem já 5 pontos de avanço na classificação da Liga BPI, tendo começado a época conquistando a Supertaça frente às leoas.

Um Sporting de menos foi aquilo que esta primeira volta nos mostrou. A única prova em que depende só de si é a Taça de Portugal, o que convenhamos é pouco para aquilo a que nos habituou nas duas épocas anteriores. Mesmo no registo ofensivo, está ao nível do Estoril Praia e muito próximo do Valadares, que não trabalham com as condições profissionais que o staff (treinadores e jogadoras) do Sporting tem acesso.

Há duas equipas que têm o seu destino, para a 2.ª Divisão, quase traçado. São elas Vilaverdense e Boavista. Vítimas da saída em massa de jogadoras durante o defeso, não conseguiram colmatar essas ausências para terem uma equipa minimamente competitiva. O único ponto conquistado foi no confronto direto, em Vila Verde, e já têm 8 pontos de diferença para a equipa mais próxima na classificação – a Ovarense.

Marítimo e Ovarense, as equipas estreantes da Liga, às quais se juntou o Ouriense, mercê da desistência do Ferreirense, com maior ou menor dificuldade têm conseguido aguentar-se bem à tona da manutenção. Claro que o facto de haver duas equipas que têm sido inexistentes no roubo de pontos, ajuda a esta posição. Mas se a Ovarense tem trilhado um caminho difícil conquistado a pulso, muito por força da sua determinação e capacidade de luta, o Marítimo tem tido uma vida mais tranquila. A manutenção prevê-se que seja uma realidade, o que será um bom prémio para o ano de estreia. O Ouriense, já conhecedor da realidade das competições de topo – foi bicampeão nacional e ganhou uma Taça de Portugal – começou a época muito bem, mas aos poucos caiu para o meio da tabela. Não é desprimor, visto que soube da “promoção” à Liga BPI já muito perto da mesma começar.

O A-dos-Francos, que na época passada se salvou na última jornada, tem tido um percurso algo irregular, mas ainda assim com pontos suficientes para disputar a Liga sem grandes sobressaltos. Mais uma equipa que beneficia com o a condição frágil de Vilaverdense e Boavista.

Das quatro equipas de que falta falar, três delas dominavam o panorama nacional, antes da entrada de Sporting e Braga. Falamos de Futebol Benfica, Valadares e Clube de Albergaria. Estas equipas têm conseguido aguentar as saídas e fazer algum recrutamento de forma a não beliscar grandemente a história que já têm. Na luta pelo 3.º lugar, já que os dois primeiros só por distração das duas equipas profissionais poderiam ser acedidos, junta-se-lhes também o Estoril Praia, que na época passada ficou nessa mesma posição. Qualquer destas equipas apresenta argumentos para o conseguir, mas se o Futebol Benfica vencer o jogo em atraso com o Estoril Praia, o Clube de Albergaria ficará a uns distantes 7 pontos. E o Valadares a 6. Perante esse cenário, talvez o 3.º lugar fique mais ao alcance das duas equipas que vão repor esse jogo já no próximo sábado. No caso de vitória do Estoril, estarão novamente as quatro em condições de lutarem pela 3.ª posição.

Em resumo, a Liga BPI tem-nos mostrado que o futebol feminino, apesar das dificuldades face aos clubes maiores, tem lutado com todas as forças para crescer ao nível sénior (em termos de formação já o crescimento é bastante evidente). As equipas têm procurado jogar o jogo pelo jogo, daí a quantidade de golos por jornada que ronda a média de 23. Há golos fabulosos, que a FPF nos mostra todas as semanas, com pequenos resumos dos jogos. O caminho está a ser trilhado com determinação, pelas jogadoras portuguesas.

Aguarda-se com bastante expectativa a segunda metade da época, que nos trará também a Taça de Portugal na sua fase mais interessante.

Texto e foto: Anabela Brito Mendes.

In http://sjogadores.pt

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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