Liga nacional beneficia seleção australiana

Em 2007, a Austrália fez um belo papel na Copa do Mundo Feminina da FIFA ao chegar às quartas de final pela primeira vez. Incrivelmente, o ótimo desempenho foi obtido sem o país ter uma liga nacional. A maioria das jogadoras se preparou com treinos nas suas respectivas cidades, quase sempre contra times de garotos de até 15 anos, apenas com alguns jogos intercalados pela própria seleção.

Se avançarmos quatro anos no tempo, veremos que a paisagem mudou bastante. A liga australiana feminina, chamada de W-League, chegou ao fim da terceira temporada, e o técnico da seleção, Tom Sermanni, aposta que a profissionalização dará frutos na Copa do Mundo Feminina da FIFA 2011.

A Austrália terá uma difícil missão para repetir a campanha da China 2007, pois caiu no grupo do Brasil, da tradicionalíssima Noruega e da novidade africana Guiné Equatorial. Porém, assim como a seleção masculina, que chegou à segunda fase em 2006, as “matildas” do selecionado feminino esperam deixar a sua própria marca na Alemanha.

Troca da guarda
A seleção perdeu diversas jogadoras experientes nos quatro últimos anos. Entre as muitas que penduraram as chuteiras, estão Joanne Peters, Dianne Alagich, Alicia Ferguson e a inesquecível Cheryl Salisbury. A troca de geração foi dolorosa, como ficou evidente com a derrota de 5 a 1 para a Itália no início de 2009.

“Dois anos atrás eu estava muito preocupado com a geração que estava aparecendo”, comenta Sermanni. “A seleção estava passando por uma grande transição naquele momento, e nós precisávamos fazer mudanças significativas. Não havia um grupo de jogadoras prontas para a mudança, e estava difícil encontrar de onde tirar as alterações.”

A W-League começou no final de 2008, quatro anos depois do fim do certame nacional anterior, e foi uma bênção para o técnico e para o futebol do país como um todo. “A W-League foi benéfica de muitas maneiras”, diz Sermanni, que treinou a Austrália não só em 2007, mas também no Mundial de 1995. “A competição abriu um caminho de formação para jogadoras que estavam às margens da seleção, muitas das quais eram totalmente desconhecidas para nós.”

Competição de qualidade
Seis das sete equipes que disputam a competição feminina são afiliadas a um time da liga masculina, o que dá maior credibilidade ao torneio. Brisbane Roar e Sydney Football Club disputaram a decisão da temporada no último sábado, com vitória do time de Brisbane após um gol de Lisa De Vanna, uma das heroínas australianas da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2007.

A qualidade em campo na grande final refletiu o fato de que 16 das 20 jogadoras de linha faziam parte da seleção nacional. Além disso, muitas atletas de outros países aproveitaram para disputar o torneio e passar o verão na Austrália. O Perth Glory apresentou a sueca Alexandra Nilsson e a goleira dinamarquesa Tine Cederkvist. Já os Estados Unidos estiveram representados por jogadoras experientes como Kendall Fletcher, Lydia Vandenbergh e Allison Lipsher.

“O nível de competição e seriedade cresceu, assim como o desempenho”, destaca Sermanni, que terá uma dor de cabeça bastante agradável na hora de selecionar apenas 21 jogadoras para o Mundial. “As equipes melhoraram a preparação, o recrutamento, a organização. Tudo isso se combinou para uma grande elevação neste ano, com um salto significativo na última temporada.”

No ano passado, as australianas ganharam o título asiático pela primeira vez graças a uma grande contribuição de jovens formadas no próprio país, como Sam Kerr, Kyah Simon e Elise Kellond-Knight. “Algumas jogadoras importantes cresceram e mostraram qualidade e categoria nesta temporada”, destaca o treinador. “Agora temos um maior grupo de atletas em condições de serem convocadas, e isso se deve à W-League.”

In pt.fifa.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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