Megan Rapinoe existe, tem voz e não tem medo

O escritor Bruno Vieira Amaral escreve sobre a jogadora-símbolo deste Mundial: Megan

Confesso o meu desinteresse por futebol feminino, extensível a muitas outras modalidades, independentemente do género dos praticantes. Sei que os nossos canais de televisão, provavelmente guiados pelo farol das audiências, gostam muito de transmitir jogos de futsal e mundialitos de futebol de praia, mas a mim esses desportos enchem-me de um inultrapassável tédio. Não contesto a excelência dos desportistas, nem critico os aficionados dessas modalidades exóticas, como jamais me passaria pela cabeça atacar os praticantes de petanca que, neste fim de semana, disputaram o campeonato na Gafanha da Nazaré.

O golfe, por exemplo, é outro desporto que me desperta tanto interesse como a sueca ou o chinquilho. Por vezes tropeço numa transmissão de golfe na televisão e pergunto-me como é que um espectáculo tão soporífero como a Baby Tv atinge audiências gigantescas em certos países. Sei que os zelotas do golfe, bem como das outras modalidades, consideram isto uma blasfémia e um sinal de irremediável ignorância porque cada um julga o desporto da sua preferência de acordo com as razões do coração e a capacidade para nos sentirmos ofendidos por quem não as entende tem alcançado máximos históricos.

Dito isto, gostaria que algum dos canais portugueses tivesse tido a visão de comprar os direitos de transmissão do campeonato do mundo de futebol feminino. Em primeiro lugar, não acho que as minhas preferências pessoais possam servir de critério geral. A televisão está cheia de programas que não me interessam ou que, quando por acaso ou masoquismo os vejo, torturam a minha sensibilidade, e não vejo que essa seja uma razão válida para sugerir a sua proibição. Em segundo lugar, o campeonato do mundo que decorre em França é o primeiro, tanto quanto me parece, a suscitar um genuíno interesse global. Basta ler a imprensa internacional generalista e ver o espaço dedicado à competição.

Haverá várias razões extra-desportivas a contribuir para isso, mas que não invalidam o essencial: sem Jogos Olímpicos, sem Mundial nem Europeu masculinos, o campeonato do mundo de futebol feminino tornou-se num dos maiores eventos desportivos do ano. Sei que a nossa seleção não está presente, que o futebol feminino ainda não é uma força avassaladora em Portugal, mas canais que transmitem semanalmente corridas de Nascar, “combates” de Wrestling e jogos de Futsal espanhol que opõem o El Pozo ao Unidos de la Desgracia certamente não perderiam muito em mostrar vinte e duas mulheres aos pontapés numa bola.

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In https://tribunaexpresso.pt/

AnaSilva

Adepta do desporto em geral, mas apaixonada pela modalidade REI (Futebol). Passei a fazer parte deste projecto Portal Futebol Feminino em Portugal com a intenção de poder ajudar na divulgação e promoção do Futebol Feminino.

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