Mónica Jorge em entrevista

Mónica Jorge está, há uma década, ligada à Federação Portuguesa de Futebol. Primeiro como adjunta de treinadores como Nuno Cristóvão e José Augusto e, desde 2007, como Seleccionadora Nacional.

Em véspera do arranque do XVIII Algarve Cup, a responsável técnica lusa mostra-se convicta, em entrevista ao fpf.pt, de que Portugal tem condições para atingir o seu melhor resultado de sempre na prestigiada competição (no actual modelo competitivo que contempla 12 equipas) e não receia assumir o favoritismo no Grupo C da competição.

A Seleccionadora Nacional acredita, também, que o Futebol Feminino Português tem bases para crescer e evoluir, considerando que a presença de Portugal na fase final de uma grande competição é, não só desejável, como fundamental, para que a nossa Selecção dê um “pulo” significativo em termos de qualidade, visibilidade e prestígio.

fpf.pt: Com que metas parte a Selecção Nacional Feminina para esta XVIII edição do Algarve Cup?
MÓNICA JORGE: Temos vários objectivos que se complementam e interligam. Por um lado, ambicionamos atingir a melhor classificação de sempre da nossa Selecção nesta competição [oitavo lugar] e, para isso, teremos de terminar a fase de grupos no primeiro lugar e, depois, vencer o derradeiro encontro de classificação [onde estará em disputa o sétimo lugar]. Outro ponto importante é o de melhorar os níveis de competitividade das jogadoras e, por seu intermédio, da própria equipa. Pretendemos, ainda, dar continuidade à subida de Portugal no Ranking da FIFA, cimentando uma imagem de crescimento e qualidade do nosso Futebol Feminino. Por outro lado, este ano o Algarve Cup servirá, também, para desenvolver e aperfeiçoar novas estratégias do modelo de jogo da equipa e para aumentar o nível de observação competitiva das jogadoras, tendo em conta as grandes exigências que este Torneio implica e a próxima fase de qualificação para o Campeonato da Europa, da qual a nossa Selecção fará parte.

fpf.pt: Do grupo de Portugal no Algarve Cup fazem, também, parte o Chile, o País de Gales e a Roménia. Qual acredita ser a selecção favorita ao primeiro lugar?
MÓNICA JORGE: Acredito que nos podemos afirmar como favoritos. Jogamos no nosso País, conhecemos bem dois dos três adversários – sobre o Chile não existem grandes informações – e estamos bastante motivados para cumprir os nossos objectivos. Há um compromisso entre todos nesse sentido. Já não receamos assumirmo-nos como favoritos, embora tenhamos sempre a consciência das dificuldades que iremos encontrar para provar em campo a vantagem que pensamos possuir no plano teórico. Esta é, também, a assumpção de uma responsabilidade por parte de todo o grupo de trabalho que está consciente do seu valor, do trajecto evolutivo que tem tido ao longo dos últimos anos, mas que também sabe que no Futebol Feminino de hoje já não há equipas fáceis. A modalidade tem crescido muito a todos os níveis, quer no plano de Clubes quer, obviamente, ao nível de Selecções Nacionais.

fpf.pt: Qual a importância desta competição no âmbito da preparação da nossa Selecção?
MÓNICA JORGE: O Algarve Cup terá uma importância competitiva estratégica a três níveis: curto, médio e longo prazo. A curto prazo, centrado na ambição de conquistar o primeiro lugar do grupo e na procura do sétimo posto final da prova, o que constituiria a melhor classificação de sempre da nossa Selecção. A médio prazo, pela observação, em regime de competição, das jogadoras, tendo em vista a qualificação para o Campeonato da Europa, aproveitando a experiência competitiva que as atletas irão assimilar e padronizar. A longo prazo, tendo em conta que o grupo é bastante jovem e com uma grande margem de aprendizagem e progressão. Isso dá-nos algumas garantias de que a melhoria de competitividade da nossa Selecção e do próprio Futebol Feminino Português será uma realidade.

fpf.pt: O que representa para as nossas atletas a participação no Algarve Cup, tendo em conta que estarão incluídas numa competição da qual fazem parte algumas das melhores selecções e atletas do Mundo?
MÓNICA JORGE: É óbvio que todas as nossas jogadoras ambicionam disputar este Torneio, e é sempre um dos momentos mais altos das suas carreiras, visto que Portugal nunca teve a felicidade de participar na fase final de uma grande competição, nomeadamente Campeonato da Europa, Mundial ou Jogos Olímpicos. Como tal, este momento competitivo é estratégico e cria bastantes ambições nas nossas jogadoras e na própria equipa técnica nacional. A participação das melhores selecções e jogadoras constitui um motivo de inspiração e de superação para todos quantos participam no Algarve Cup. O Torneio tem uma imagem de excelência, o que motiva quem nele participa, que procura também enquadrar-se e corresponder a esse quadro de exigência.

fpf.pt: Após 17 edições do Algarve Cup, como se explica que o nosso País continue a passar um pouco ao lado do Futebol Feminino, mesmo quando tem “dentro de portas” uma competição com esta qualidade?
MÓNICA JORGE: Portugal é um País apaixonado pelo Desporto e, em particular, pelo Futebol. Mas a verdade é que a vivência desportiva está ainda muito centrada no masculino. Isso passa-se, com maior ou menor diferença, um pouco por todo o Mundo. Acredito, no entanto, que estamos numa fase de mudança, de abertura de mentalidades e isso vai reflectir-se também na forma como o Desporto no Feminino é visto. Obviamente que todos gostaríamos de ver os estádios cheios nos Jogos da Selecção Nacional Feminina, como acontece com o Clube Portugal, mas também temos a noção de que terá de ser a equipa – passo a passo – a chamar até si os adeptos e a criar um laço de afectividade em torno desta Selecção. Se conseguirmos bons resultados, se alcançarmos um grande feito – como a presença na fase final de um Europeu ou Mundial – estaremos, mais do que tudo, a abrir a porta à visibilidade, à identificação e ao afecto entre os portugueses e esta Selecção.

fpf.pt: No próximo dia 14 de Março, Portugal vai ficar a conhecer os seus adversários na fase de qualificação para o Europeu de 2013, na Suécia. Será expectável que possamos ver a nossa Selecção na fase final desse Campeonato da Europa?
MÓNICA JORGE: Seria muito agradável e importante que isso acontecesse. Será um passo verdadeiramente gigantesco no Futebol Feminino Português e no seu desenvolvimento, a diversos níveis. A qualificação para um Campeonato da Europa ou do Mundo será sempre um dos objectivos deste grupo de trabalho, e acredito que esse dia está cada dia mais próximo de chegar. Todos acreditamos nisso. Mas até lá, há muito trabalho para fazer e para dar continuidade no Futebol Feminino em Portugal. É uma tarefa conjunta que envolve os Clubes, a Federação e as Associações Distritais e Regionais. Independentemente dos adversários que nos calharem em sorte, a nossa Selecção vai continuar a perseguir esse sonho e a trabalhar da mesma forma, com a máxima dedicação. A equipa técnica nacional e as jogadoras acreditam que com o empenho e o sacrifício de todos será possível concretizar esse sonho.

fpf.pt: Completou já uma década como técnica da Federação Portuguesa de Futebol. Que balanço faz desta experiência? O que ainda gostaria de fazer?
MÓNICA JORGE: Tem sido um trabalho estimulante e muito gratificante. Durante esta década cresci muito pessoal e profissionalmente. Continuo a procurar aprender e evoluir todos os dias e a esperar atingir novas metas, adoptando estratégias para ultrapassar os obstáculos que se nos deparam. É, de facto, fantástico como estes dez anos passaram tão depressa e o que apreendi ao longo deste tempo. A experiência tem sido altamente positiva, mas ainda tenho a ambição de fazer mais e melhor. Há muitos projectos para o Futebol Feminino que já se iniciaram, mas que estão a ser implementados e testados. Espero, acima de tudo, que dentro das minhas possibilidades possa contribuir da melhor forma para o crescimento, visibilidade e resultados do Futebol Feminino Português.

In www.fpf.pt

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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