Não abrandar os esforços de desenvolvimento

O mais recente “workshop” KISS da UEFA sobre o maior desenvolvimento do futebol feminino discutiu formas de melhorar as infra-estruturas dos clubes, assim como as fundações da modalidade.
Não abrandar os esforços de desenvolvimento

A Irlanda tem sido um bom exemplo do desenvolvimento do futebol feminino, cuja selecção Sub-17 foi vice-campeã europeia em 2010©uefa.com 1998-2012. All rights reserved.

Reforçar as estruturas a nível de clubes e cuidar das “raízes” são componentes determinantes para o maior desenvolvimento do futebol feminino, segundo as principais conclusões de um “workshop” da UEFA realizado em Nyon, na Suíça.

O programa de Partilha de Conhecimento e Informação (KISS) da UEFA organizou o seu mais recente “workshop” sobre a evolução do futebol feminino, que decorreu, entre 21 e 22 de Fevereiro, em Nyon, com a presença de representantes de federações, clubes e da FIFA.

O objectivo do “workshop” foi determinar formas de melhorar a qualidade no seio dos clubes em termos de gestão, financiamento, aspectos comerciais e infra-estruturas.

Os delegados ficaram ao corrente de como as federações europeias podem beneficiar do programa HatTrick da UEFA, que oferece assistência às federações de todo o continente – a variante feminina tem recebido um novo ímpeto através do programa da UEFA para o desenvolvimento do futebol feminino (WFDP) lançado no ano passado e que, para este Verão, envolve financiamento a longo prazo através do programa HatTrick.

A presidente do Comité de Futebol Feminino da UEFA, Karen Espelund, desafiou as federações a recorrerem à ajuda da UEFA para criarem projectos para o futebol de “raízes” ou planos de desenvolvimento de jogadores, assim como reforçar as estruturas dos clubes. “Cabe às federações definir aquilo que é necessário para ajudar ao desenvolvimento de clubes mais fortes”, disse. “O programa HatTrick é feito à medida das necessidades das federações. Muitas delas deviam ter, pelo menos, um projecto de futebol de formação, porque precisamos que as fundações aumentem.”

Espelund explicou também que a estratégia de desenvolvimento do futebol feminino delineada pela UEFA continha certo número de prioridades, que garantiam liderança, especialização, conselhos e recursos por parte da organização que tutela o futebol europeu. As principais directrizes de desenvolvimento estão bem assinaladas na estratégia e as federações são responsáveis por implementar as suas próprias trajectórias de progresso de acordo com as especificidades das respectivas localizações.

Em particular, caso as raparigas e mulheres forem encorajadas a envolverem-se mais no futebol – como jogadoras, árbitros, dirigentes, voluntárias ou espectadoras – os padrões subirão e serão planeadas estruturas mais eficazes, não apenas a nível de federações como dos próprios clubes.

Várias apresentações deram exemplos e indicações para um futuro crescimento. A República da Irlanda deu recentemente início à sua Liga feminina e o presidente da Federação Irlandesa de Futebol (FAI), John Delaney, definiu o percurso que levou à apresentação da prova – a ajuda da UEFA, o apoio de todas as partes envolvidas e patrocinadores, as boas estruturas colocadas à disposição dos intervenientes e a criação, em 2006, de um plano de desenvolvimento do futebol feminino foram alguns dos motivos decisivos.

Desde a apresentação do plano, disse Delaney, o número de jogadoras federadas aumentou de dez para 23 mil, mais de 12 mil raparigas participaram no programa Soccer Sisters e foram criados oito programas de detecção de talentos emergentes. A trajectória de desenvolvimento de jogadoras também produziu excelentes resultados: a selecção feminina melhorou o ranking e a selecção Sub-17 feminina sagrou-se vice-campeã da Europa e esteve presente nos quartos-de-final do Mundial de 2010.

Klara Bjartmertz, da Federação Islandesa de Futebol (KSÍ), apresentou a estratégia do futebol feminino daquele país nórdico – um belo exemplo, onde uma nação com 320 mil habitantes possui uma selecção feminina de classe mundial. Bjartmertz disse que o sistema de clubes foi decisivo para esse sucesso, com as crianças a treinarem desde tenra idade e as jogadoras femininas a poderem evoluir em mais de 100 clubes espalhados pela ilha. Isto significa uma reserva contínua de jogadoras para a selecção, disse. Adicionalmente, o apoio da KSÍ revelou-se determinante em termos da boa formação de treinadores, instalações, sistema de competições e para ajudar ao desenvolvimento das infra-estruturas dos clubes.

Os Países Baixos também deixaram o seu contributo para o “workshop”. Mary Kok, responsável pelo futebol feminino no FC Twente, da Holanda, ofereceu um enriquecedor exemplo sobre como o planeamento e trabalho eficaz permitiu ao clube, que apenas criou a equipa feminina em 2007, sagrar-se campeã quatro anos mais tarde. Bob van Oosterhout, gestor holandês de marketing desportivo, apresentou a estratégia utilizada para atrair os media e parceiros estratégicos e de negócios para posicionarem de forma ideal uma liga na Bélgica e na Holanda.

“Precisamos de estratégias e visões. E de construir os patamares”, concluiu Espelund. “Peço às federações e aos clubes para utilizarem elementos do plano de desenvolvimento da UEFA de acordo com as situações a nível interno e de selecções. A UEFA está aqui para ajudar, através do programa HatTrick, especialistas exclusivamente dedicados ao futebol feminino, especialistas de marketing, especialistas do futebol de ‘raízes’. Quanto mais precisos forem sobre aquilo que necessitam junto da UEFA, mais precisos seremos no vosso auxílio.”

In pt.uefa.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *