“Não tem havido em Portugal nenhum clube a crescer ao mesmo ritmo que nós”, Miguel Santos

Miguel Santos, 34 anos, treinador da equipa sénior feminina do Sporting Clube de Braga. Depois de algumas passagens pelo futebol masculino, o treinador da equipa invicta no campeonato de futebol feminino revela a O Desportista aspectos técnicos e táticos do futebol da sua equipa e fala abertamente sobre o seu futuro e sobre o Sporting Clube de Braga.

Como surgiu a oportunidade de treinar o SC Braga?
O convite surgiu pelo bom trabalho feito no escalão de sub-15, onde fomos vice-campeões nacionais, deixando o FC Porto e o Sporting CP para trás, apresentando um nível e uma organização de jogo que muito agradaram à Direcção e coordenação técnica do SC Braga. Embora o trabalho que fiz no Vilaverdense FC, onde fui campeão distrital e nacional de sub-19 feminino, também não passou ao lado da direcção do SC Braga.

Que motivos o levaram a trocar o futebol masculino pelo feminino, tanto quando foi treinar o Vilaverdense, como quando foi para Braga?
No caso do Vilaverdense FC, foi um convite feito pelo actual presidente do Clube, na altura diretor desportivo, que sabia que eu estava parado e com vontade de voltar ao ativo, e apresentaram-me o projeto para reorganizar o futebol feminino do Vilaverdense FC, tal como me tinham feito no passado, na reorganização do escalão de sub-19 masculino, que correu muito bem.
No caso do SC Braga, o convite surgiu quando estava no Gil Vicente FC, no escalão de sub-15, onde curiosamente o vice-presidente do clube me tinha convidado para, mais uma vez, reorganizar a equipa que estava com um nível muito baixo para competir no campeonato nacional de sub-15, e nós passamos o verão todo a construir uma equipa totalmente nova, para que pudesse fazer todo um percurso no clube de forma a chegar a maior parte do jogadores aos sub-19. O trabalho ficou incompleto, mas até à data do convite do SC Braga fizemos uma reorganização a todos os níveis notável.
Quando o convite do SC Braga chegou, e me obrigou a estar 100% no clube, não pensei duas vezes. Era a oportunidade de me tornar profissional de futebol, o sonho de uma vida.

Que diferenças existem entre treinar uma equipa masculina e treinar uma equipa feminina?
No treino e no jogo, nenhumas. Na liderança, ao nível do discurso, algumas, especialmente na forma como dizemos algumas coisas às jogadoras, ou seja, por vezes não podemos ser tão diretos como nos homens e temos de “ir à volta” para chegarmos onde queremos, porque de resto, é exatamente igual. Agora o ritmo, a intensidade e a velocidade de jogo, no masculino são superiores, mas apenas e só isso. Mas para toda a gente perceber um pouco melhor a realidade, nós fazemos exercícios de jogo que são exatamente iguais aos que são feitos pelas equipas masculinas, nomeadamente a equipa A e B.

Alguma das críticas que se ouvem em relação ao futebol feminino, por parte dos mais céticos, prendem-se com o facto de o jogo não ser tão veloz e técnico como a variante masculina. Pensa que o futebol feminino poderá, algum dia, atingir níveis de qualidade técnica semelhantes ao futebol masculino?

Na velocidade, concordo, e é um factor fisiológico e anatómico, portanto não há muito que se possa fazer. Os homens serão sempre mais rápidos que as mulheres, mas apenas na velocidade pura, porque na velocidade mental, a realidade é que tens mulheres a pensar tão ou mais rápido que os homens e, por vezes, a tomar melhores decisões táticas que alguns homens. No que diz respeito à parte técnica do jogo, estão enganados, porque a técnica de uma jogadora é tão boa ou tão fraca como de um jogador. Portanto, nessa dimensão em concreto, não há diferenças nenhumas.

O que pensa da competitividade do nosso campeonato e da chegada do SL Benfica à primeira divisão, no próximo ano?
A competitividade na luta pelo título irá aumentar, pois irão haver 3 candidatos claros ao título. No que diz respeito à luta pela manutenção, não se irão registar novidades nenhumas.

Ambiciona regressar ao futebol masculino?
Regressar ao futebol masculino, neste momento só pensaria nisso, se fosse para um projecto igualmente profissional, porque se não, nem ouvia a proposta. Estou muito contente no SC Braga e neste projecto, no entanto a primeira pessoa com quem irei conversar sobre o meu futuro será com o Presidente António Salvador. A partir dessa conversa logo se verá.

Qual é o segredo para em 13 jogos no campeonato ter-se não só 13 vitórias, mas 73 golos marcados e 3 sofridos? O plantel do Braga é assim tão mais valioso para ser tão avassalador?
O segredo passa por ter um plantel muito competitivo, com muitas soluções. A partir daqui, ter um bom modelo de jogo, que consequentemente te leva a um bom modelo de treino e que consequentemente te leva a um bom modelo de exercícios. Paralelamente a isto, e igualmente tão importante, ter uma liderança sólida, clara, transparente, onde todas as jogadoras saibam os princípios que tu queres para o teu balneário e, neste caso, estou a falar de tudo menos de jogo, mas que influencia positivamente a tua forma de jogar, pois as atitudes e comportamentos dentro de campo estão ligadas a todas as tuas atitudes e comportamentos fora do campo. Juntando isto tudo, que não é fácil, tens uma boa equipa e um bom grupo de trabalho.

É inevitável questionar isto: após a conquista inédita da Supertaça, considera que este ano os adeptos minhotos estão muito próximos de festejar também o campeonato?
Estamos mais perto que no início da época, pois neste momento já temos mais 5 pontos no campeonato que o 2º Classificado, neste caso, o SCP, e faltam cada vez menos jogos para o campeonato terminar. Mas também te digo desde já que no meu balneário ninguém fala em título, porque ainda faltam muitos jogos e nós pensamos jogo a jogo, semana a semana.

Para terminar. O Braga é um projeto desportivo, em grande amplitude, de referência, com um desenvolvimento assinalável nos últimos anos, aproximando-se, cada vez mais, dos designados “três grandes”. O que é há de tão especial no clube que está a tornar este projecto numa autêntica potência desportiva?
O SC Braga neste momento é um dos grandes do futebol masculino e feminino. Atingiu esse estatuto com suor, trabalho, organização e boas decisões. O que se passa é que o SC Braga cresce a “olhos vistos” diariamente e, nesse aspecto em particular, não tem havido em Portugal nenhum clube a crescer ao mesmo ritmo que nós. Portanto, a cada dia que passa, o SC Braga fica maior e os títulos cada vez mais serão uma realidade neste clube.

In http://odesportista.net

AnaSilva

Adepta do desporto em geral, mas apaixonada pela modalidade REI (Futebol). Passei a fazer parte deste projecto Portal Futebol Feminino em Portugal com a intenção de poder ajudar na divulgação e promoção do Futebol Feminino.

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