Nunca desistimos, lutamos sempre juntas – por Madalena Macedo

madalena macedo braga

1) IDENTIFICAÇÃO

Nome completo: Maria Madalena Gonçalves de Macedo

Alcunha: No Futebol VilaVerde

Data e local de nascimento: 22  de Março de 1967 – Vila Verde

Profissão: Funcionária dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (administrativa)

O futebol foi a tua 1ª modalidade federada? Sim, Sporting Clube de Braga

Ano de início de prática federada: 1985

Clubes que representaste no futebol: Sporting Clube de Braga, Vitória Sport Clube de Guimarães, Futebol Clube Vilaverdense e Merelinense

Títulos conquistados: Campeã do campeonato distrital, ficamos sempre em segundo lugar, atrás do Boavista.

Posição: Defesa Central

1 – Como começou a prática desportiva, mais concretamente a praticar futebol. O que a motivou?

Desde miúda que tinha paixão pelo futebol e sempre foi meu objectivo jogar à bola. No advento da minha adolescência tentei dar os primeiros pontapés na bola no campo do Vilaverdense numa equipa que então se tentava formar, mas que não chegou a bom termo. Aí, recordo que sobressaía das demais pelo meu talento. O treinador do S. Braga soube, por intermédio de um comerciante de Vila Verde, que eu gostava de jogar futebol, e então convidou-me para os treinos e aí fiquei.

Aos 18 anos, concretizei um sonho de menina: iniciei-me como jogadora de futebol feminino, passando por diferentes clubes de mérito nacional, destacando, nas várias equipas por onde passei, o Sporting Clube de Braga, Vitória Sport Clube de Guimarães, Futebol Clube Vilaverdense e Merelinense. Comecei como ponta de lança, havendo até um jogo, por sinal na estreia com S. Cabreiros em que ganhamos 10- 0 e onde eu marquei 3 golos.

2 – No início da prática federada, qual foi o apoio mais importante? E qual foi o apoio que mais falta sentiu?

Tinha o apoio dos meus irmãos e tínhamos bastante assistência, nos campos da rodovia. A falta de apoio era financeira e muitas vezes eram as atletas a contactar empresas para patrocinar o futebol feminino.

3 – Como viam as pessoas da altura em que jogava no SC Braga a existência de uma equipa de Futebol Feminino?

Viam com dos olhos, a princípio na sua presença apercebíamo-nos de certa malícia, inclusive alguns piropos menos próprios. Depois já se deslocavam para ver um espectáculo que gostava pois era futebol que se tratava.

4 – Quais eram as equipas mais fortes da sua altura? Como funcionava o campeonato de então?

A equipa mais forte era o Boavista. Havia campeonatos distritais (Braga, Esposende, Sta. Maria) e o Nacional de Futebol Feminino:

Zona Norte: Boavista Leça do Balio, Braga, Leixões Stª Maria, Esposende.

Zona Centro: União, Pocariça, Paivense, Pinheiros, Azilia, Oliveirense.

Zona Sul: A.Avalade, Carcavelo, Coina,Odivelas , Alcobaça e Amora.

Ano de 1986: Outras equipas; Terras da Costa Costa do Estoril, Azilia Estrela Azul, Ferreirense Varzim; Torre de Moncorvo, Foz Côa, Estrela Azul, Etc

5 – Continua a manter o contacto com as suas colegas de equipa?

Desenvolvi e cultivei amizades que conservo até hoje e aprendi que o desporto vale a pena pela actividade física mas muito mais pelo espírito de equipa e entreajuda daquelas que o praticam; e agora o facebook.

6 – Porque terminou o Futebol Feminino no SC Braga?

O Braga terminou com o futebol feminino e passamos todas para o Vitória de Guimarães. Passados alguns anos o Guimarães também acabou. Nesta altura passamos todas novamente para o Merelim. Entretanto, alguns anos depois o futebol feminino no Merelinense também acabou. Algumas amigas minhas  foram jogar para o Porto para o Gatões ai e acabei a minha carreira desportiva. Era muito longe e eu morava em Vila Verde.

7 – Quando acabaram com a equipa, houve tentativa de as atletas criarem outra equipa ou integrarem-se noutra já existente?

Nunca desistimos, lutamos sempre juntas.

8 – O que seria preciso para que esta equipa voltasse a existir? Consegue pensar em pessoas que gostariam de ajudar a “recriar” esta equipa?

Penso que com a nossa experiencia poderíamos ser uma mais-valia para estas novas equipa.

9 – Considera que em Portugal as raparigas treinam e jogam bom futebol?

O mal do futebol feminino em Portugal é não haver formação, as jogadoras que aparecem é porque tem jeito para a bola.

10 – O que pensa sobre a desculpa das “mentalidades” usada para justificar as dificuldades das mulheres e raparigas em conquistar o seu espaço no futebol?

Devemos sempre lutar pelo que gostamos e não desistir. Eu sonhei jogar futebol e 20 anos atrás consegui. Para as miúdas novas não desistam de sonhar com um futuro melhor no Futebol Feminino. Só quem passou pelo futebol é que compreende.

Eu adorava jogar futebol e o que me dói bastante é agora não o poder fazer por brincadeira por causa da minha saúde.

As minhas amigas de equipa continuam a jogar todas as semanas num pavilhão.

Recordo com muita alegria o reencontro das atletas do Braga passados 20 anos.

Espero com isto contribuir para incentivar as miúdas que estão a começar.

Obrigada Madalena pelo tempo dispendido.

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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