“O mais importante é jogar onde nos sentimos felizes”, Aninhas#77

Boa tarde Ana, antes demais queria agradecer a disponibilidade e a partilha. Fazendo uma breve apresentação da sua ligação ao futebol, a Ana joga atualmente no Escola de Futebol Hernâni Gonçalves, estando a competir na II Divisão Nacional. 

Muito boa tarde, obrigada eu pela oportunidade de me dar a conhecer um pouco melhor.

Aninhas #77, Esc. Fut. Hernâni Gonçalves

1.     A Ana é caso raro no futebol, sobretudo no futebol feminino, estando ligada ao seu atual clube há nove anos. Como tem sido a experiência?

Tem sido uma experiência incrível, passei aqui momentos que jamais esquecerei, já ganhei muito, mas também já perdi muito, a vida é mesmo assim, temos de saber lidar com a vitória, mas também com a derrota. Sem dúvida, o que retiro de mais importante desta experiência são muitas memórias, mas sobretudo pessoas. Estas memórias só fazem sentido porque foram vividas com essas pessoas, que certamente levarei para o meu futuro, esteja eu onde estiver.

2.     Podemos dizer que a Ana é o “Totti” do Hernâni Gonçalves? Nunca pensou partir para outros voos?

Penso que não. Há uns anos, pensei, seriamente, em seguir outro caminho. Já tinha ganho tudo o que havia para ganhar na altura, mas é um local onde me sinto muito bem, no momento em que me deixar de sentir assim não terei problemas em partir para outros voos, mas é a minha casa e será sempre.

3.      Dada a sua qualidade, e a forma como cria desequilíbrios nas defesas adversárias, várias foram as propostas que recebeu ao longo destes nove anos para abandonar o clube que sente como uma segunda casa. O que ponderou mais nestas alturas? Como se gerem as emoções quando temos em mãos propostas de clubes grandes no futebol feminino?

Essencialmente, para mim, o mais importante é jogar onde nos sentimos felizes, eu sempre fui muito feliz aqui talvez por isso nunca tenha saído. Senti que ainda não era a minha hora e que ainda tinha algo a dar a este clube. Sempre tive quem me pusesse os pés na Terra, talvez por isso tenha sido fácil gerir tudo isso. Mas toda a jogadora sonha em jogar nos clubes grandes, sem dúvida, e quem sabe se um dia não terei essa oportunidade. 

Aninhas #77 em ação frente ao AD Argoncilhe

4.   De forma breve, como se descreve como jogadora? Qual acredita ser o seu maior ponto forte?

Nunca é fácil descrever-nos a nós próprios. Há muitas características que gostaria de ter e não tenho, tal como a altura e a velocidade, mas também tenho outras que acabam por ser bastante boas. Tenho uma boa colocação de bola, um bom remate e penso que seja boa na finta curta também. Mas o ponto que considero mais forte é o empenho e a dedicação que entrego naquilo que faço, o que depois permite que a qualidade possa vir ao de cima.

5.     O tempo que passou no clube permitiu-lhe acompanhar toda uma transição de futebol júnior (futebol de 7) para o futebol sénior. Quais foram para si e para toda a equipa as maiores dificuldades nesta transição?

Enquanto juniores, tivemos vários anos o mesmo treinador, o melhor que poderíamos ter tido, ensinou-nos as bases mais importantes do futebol, fez de nós jogadoras e acima de tudo criou um grupo unido. Quando transitamos para o escalão sénior ele seguiu outro caminho, talvez essa tenha sido a maior dificuldade, adaptar-nos a outra forma de jogar sem ele.

6.     Acredita que o feminino da Escola de Futebol Hernâni Gonçalves tem dado os seus frutos?

Sim, sem dúvida. Quando comecei a jogar na competição tínhamos apenas uma equipa e agora já somos três escalões diferentes, o futebol feminino tem evoluído bastante e cada vez aparecem jogadoras com mais qualidade. 

Aninhas #77 escalão sénior feminino Esc. Fut. Hernâni Gonçalves

7.     Qual é para si o maior objetivo coletivo para esta época? E a nível individual?

O ano passado tivemos uma época bastante difícil e este ano está a ser igualmente difícil. Há muitas coisas a melhorar e o caminho faz-se caminhando, acho que é isso que estamos a fazer, tentar melhorar a cada jogo e depois no final logo se vê. A nível individual é fazer sempre melhor, se possível cada vez melhor e acima de tudo disfrutar daquilo que o futebol me dá.

8.     Com uma terceira divisão feminina aí à porta, quais pensa serem as principais dificuldades para os clubes que competem hoje ao nível da II Divisão?

Penso que as principais dificuldades sejam dar continuidade às equipas, infelizmente é uma realidade do futebol feminino, terminam muitas equipas e com a criação da terceira divisão isso poderá acontecer.

9.     Vê a jogar numa 1º Divisão num futuro próximo?

Sinceramente? Não sei mesmo. Há muitos fatores em causa e muitos deles não dependem de mim, mas acho que é o sonho de qualquer jogadora um dia poder jogar na atual Liga BPI. Não sou exceção e gostaria de lá chegar. 

10.  Para finalizar, o que destacaria destes seus 9 anos de futebol capitaneando a equipa da Escola de Futebol Hernâni Gonçalves?

Ao longo destes anos nem sempre fui capitã, mas a minha postura e atitude sempre foram as mesmas e quem me conhece sabe disso. Como já disse anteriormente, destaco as pessoas que sempre estiveram comigo ao longo destes anos, que sempre foram um apoio para mim. É uma grande responsabilidade estar à frente de uma equipa, mas ao mesmo tempo, também é um grande orgulho, para mim, sentir que posso ser um exemplo para muitas delas. Só tenho a agradecer por puxarem por mim e fazerem de mim melhor pessoa.

Muito obrigada pela sua cooperação Ana, os votos de toda a equipa do Portal do Futebol Feminino para que esta seja uma época de sucesso

Muito obrigada, foi um prazer.

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