O Mundo ao Contrário por Bola no Chão

Vivemos tempos estranhos e que nos irão marcar para sempre. Coisas que considerávamos como dados adquiridos, num ápice deixaram de o ser. Coisas banais como “dar mais cinco” a um amigo, ou um bom dia acompanhado de um beijo aos nossos familiares agora não são possíveis, pelo menos para já, porque a precaução e o cuidado assim o exigem.

A nossa rotina diária foi alterada. O simples levantar de manhã, tomar o pequeno almoço, vestir, perder horas infindáveis nos transportes públicos para chegarmos a horas ao trabalho agora acabaram. Levantamo-nos e o tempo que demoramos a chegar ao trabalho é medido pelo tempo que o nosso computador demora a ligar.

Estou cansado. Quero ir beber um café ou uma cerveja ao final do dia de trabalho para “espairecer” as ideias, para me desligar do “stress” de mais um dia. Quero sentar-me numa esplanada ao fresco para pelo menos durantes alguns instantes não me lembrar que no dia seguinte voltará novamente o mesmo “stress”. E o que acontece. Bebo o café sozinho e num ápice volto para casa como se estivesse a fugir de alguém ou de algo. No meio de um gole na cerveja vejo alguém que penso conhecer, digo “olá” a esse alguém que nem percebo muito bem quem é, pois, a máscara tapa quase todo o rosto e o passo apressado nem me permite perguntar o que quer que seja.

Chega o fim de semana e o merecido descanso. Está calor. Apetece uma ida á praia, uma jantarada com os amigos. Hoje joga o nosso clube. Com umas “minis” e uns amendoins a acompanhar o jogo, de calção e chinelo com o calor que está até parece que isto tudo vai dar sorte para que a vitória esteja no “papo”.

Mas não. Não há esplanadas nos cafés e os nossos “amigos” não estão na rua. O estádio está vazio. E não á aquilo que mais gostamos, o futebol.

Interessante e ao mesmo tempo assustador. Como é que as coisas do nosso dia a dia, das mais simples ás mais complexas, das mais ás menos importantes mudam num piscar de olhos. Coisas que já nem damos muita importância porque consideramos serem “certezas” e que nunca nos faltariam. Mas a verdade é que faltam, não sabemos durante quando tempo e de que forma essas mesmas coisas voltarão até nós.

E como em tudo na vida o desporto não é exceção. E o futebol, desporto que amamos, também não foge á regra.

Estádios silenciosos. Camisolas de adeptos nas cadeiras vazias. Som de fundo do apoio de adeptos que não estão lá. Jogadores e treinadores de máscara e separados no banco de suplentes. Golos sem festejos. Parece mentira, mas é bem verdade. É a verdade atual com que temos que lidar. É a verdade á qual temos que nos habituar nos próximos tempos. Podemos concordar ou não. Podemos aceitá-la ou recusá-la. A decisão é nossa.

Mas a verdade parece-me ir ao encontro de algo que li uma vez, “… não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.

E como fica o futebol feminino no meio desta mudança que somos obrigados a fazer, mas que ninguém estava preparado para tal.

Ainda há poucos meses atrás referíamos a tremenda aposta que se estava a fazer no futebol feminino. Mais equipas, mais atletas e melhores condições. Clubes grandes á procura de talento em todo o lado e a formar melhores equipas. Melhores equipas são sinónimo de mais competitividade, maior busca pelo aperfeiçoamento e maior atenção ao detalhe. Ganhar pela qualidade e não pela quantidade.

Ver artigo completo em https://bolanochao.com/2020/06/05/o-mundo-ao-contrario-2/?fbclid=IwAR0P9akuhLMKdbY1-ASnsDTYVAy1EDdhqSkjyMqTvxr649Siz8flenVE4SA

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.

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