Rita Coutinho a ambição dentro e fora dos relvados

Aos 21 anos, Rita Coutinho, médio do Clube Albergaria, sonha com voos maiores.

O amor pelo futebol nasceu com ela, mas cresceu e muito, por culpa do “pai é a minha grande influência”. Desde sempre que a “impulsionou para que jogasse”. Ele também “jogador de futebol” e apaixonado da modalidade.

Rita, deixou a teórica e passou à prática da modalidade, “ aos 7 anos com os rapazes”. E aí o pai voltou a ter um papel importante. A pequena Rita tinha que se equipar num balneário à parte e “ele ia sempre comigo e ajudava-me a equipar.” A partir daí nunca falhou um jogo.

Aos 13 anos chega a “equipa feminina do Escola Futebol Clube Molelinhos” segue-se o Viseu 2001, clube que representou durante “cinco épocas.” Faz uma época no Cadima e rumou ao Clube Albergaria, onde “estou há duas épocas”.

Estas duas épocas têm sido para a médio “muito positivas tanto a nível individual como colectivo.” Desde que chegou foi “muito bem recebida pela equipa e pela treinadora.” No Clube Albergaria sente-se em casa.

 

Mas nem sempre é fácil. Sobretudo quando se têm que “conciliar os estudos com os treinos e jogos.” No seu primeiro ano no clube, apenas “conseguia treinar duas vezes por semana com a equipa.” Rita, encontrava-se no “último ano da licenciatura na UTAD (em Vila Real)” e trabalhava com treinadora estagiária numa equipa de Viseu. “As deslocações, as frequências, os trabalhos, ter tudo organizado não foi fácil”, concluiu.

Esta época também não é fácil, mas é menos complicada, “o horário das minhas aulas acabou por coincidir com alguns treinos.” Frequenta o Mestrado em Ensino de Educação Física na Universidade de Coimbra. Contudo, o mais importante é que o “clube e a treinadora apostaram e confiaram em mim e no meu trabalho e só tenho de agradecer por isso.”

Contudo, o mais difícil, são as deslocações. As “viagens são o fator mais desgastante” , na vida de Rita, que se divide entre o futebol e a faculdade. Entre treinos, “implica sair de casa por volta das 18H30/19H e chegar por volta da meia-noite” e aulas “durante o dia.” Não estando a viver no mesmo sítio, complica um pouco mais. E para gerir tudo e não “reprovar” a nenhum, “ tento aproveitar ao máximo o tempo livre disponível que tenho,” da parte da manhã acaba por preparar tudo para o treino e tenta adiantar as coisas da faculdade.

E entre as deslocações ainda encontra tempo e espaço para estar “com os amigos e família, ler e desenhar,” duas outras paixões, que lhe dão paz e tranquilidade.

E foi com tranquilidade que a médio cresceu para o futebol. Esta época, que chegou ao fim, vestiu 16 vezes a camisola do Albergaria, num total de 1413 minutos em todas as competições oficiais.

Sente que o clube tinha “capacidade de estar melhor na tabela classificativa”, contudo, “tivemos algumas lesões” que prejudicariam a equipa. Irão continuar a trabalhar para voltar mais fortes e consolidarem o seu lugar no principal escalão e “estar o mais próximo possível dos lugares cimeiros.” Numa altura em que a Liga BPI está cada vez mais competitiva.

Também a Rita irá continuar a trabalhar para um dia “ser profissional do futebol” e se tal não for possível quer “estar num clube em que sinta que estou a evoluir” não só como jogadora mas também como pessoa.

Uma coisa é certa, sendo profissional ou não, o futebol e o desporto farão parte da sua vida. Estuda Educação Física, na vertente do ensino, nunca abdicou dos estudos, e espera trabalhar na área.

Atualmente, a médio, tal como todos nós vive “uma situação nova para toda agente”, que não é fácil. Estar sempre em casa, quando se leva uma vida de um lado para o outro, torna tudo ainda mais difícil de gerir. Contudo, Rita agradece por ela e os seus estarem bem.

Tenta não perder o foco e acabou mesmo por comprar “uma balança que indica a massa corporal gorda e magra,” a fim de controlar os seus índices. Sabe que “ainda falta bastante” mas tenta viver um dia de cada vez “de forma a não perder a minha condição física.”

Sem um plano especial dado pelo clube, a atleta vai fazendo exercícios, “como estou dentro da área consigo facilmente arranjar vários tipos de exercícios”, coisas mais específicas que a permitem trabalhar e ajudam-na a manter a forma.

Durante este período de confinamento, tentou não perder o ritmo, e é por isso que acorda cedo e planeia o seu dia “vou estudar e fazer os trabalhos da faculdade” depois faz “um treino antes do almoço”. A tarde é dedicada à família e à vida em família. No final do dia volta à carga com mais um treino.

E apesar de conseguir ocupar os seus dias, começa a sentir saudades da vida antes da pandemia, sentimos todos. Sente a falta do convívio com as pessoas de ir à esplanada, à praia, mas sobretudo de fazer o que mais gosta: “jogar futebol, sentir aquele nervoso miudinho antes dos jogos.”

Quando isto acabar irá a correr pisar a relva e rematar rumo ao futuro. Um futuro onde sonha vestir a camisola do Sport Lisboa e Benfica. Voltar a vestir a camisola das Quinas a sentir a emoção e o orgulho da primeira internacionalização.

Foi o “mais próximo do profissional mais próximo do profissional,” num contexto onde “ os níveis de exigência são máximos” e esteve “rodeada de jogadoras com muita qualidade.” Contexto que quer voltar a repetir. E é para isso que tem vindo a trabalhar. Chegar à equipa principal da Seleção e quem sabe jogar ao lado de “Dolores Silva, a Cláudia Neto e a Jéssica Silva,”jogadoras que tanto admira.

Contudo, sente que ainda há muito trabalho a fazer, sente que “há uma grande discrepância dos clubes grandes para os outros.” Não existem as mesmas oportunidades para todas. É da opinião que “deveria haver mais condições para os clubes não profissionais no sentido de muitos clubes não terem campo próprio acompanhamento médico, nutricional, preparador físico, possibilidade de fazer treinos de ginásio.” A seu ver são fatores muito importantes que iriam “garantir o máximo rendimento de qualquer jogadora.”

Falou de um campeonato competitivo, este português, embora um pouco longe do que se faz nas restantes ligas europeias. Há claramente uma superioridade dos 3 grandes “fruto das suas condições, investimento, jogadoras de muita qualidade,” que contribuíram para a notoriedade do mesmo. Mas, Rita pensa que “existindo boas condições de trabalho para todos os clubes não profissionais, que o campeonato iria ser muito mais disputado” e todos iriam sair a ganhar. Sobretudo as equipas profissionais que iriam sentir o aumento da competitividade e “as jogadoras para evoluir têm que ter constrangimentos, não é nos jogos fáceis que se evoluiu,” concluiu.

Mas enquanto a melhoria das condições de trabalho não chega, continuará a trabalhar com aquilo que tem, para estar preparada para qualquer desafio.

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