“Sendo mulher nada me impediria de atingir o meu sonho enquanto desportista”, Patrícia Cavadas

 

Patricia Cavadas joga atualmente no Ovarense, estando a competir na Liga BPI. Anteriormente jogou no Boavista, Valadares, Leixões e Gondim, tendo feito quase a totalidade da formação no futsal.

1.     O futebol é hoje em dia uma coisa que leva com seriedade, quase profissional, mas não foi a primeira paixão, pois não?

Foi a minha primeira paixão, desde muito novinha comecei a dar os primeiros toques na bola e já lá vão 17 anos. O futebol é um dos pilares da minha vida, o que faz com que o encare com uma enorme seriedade. Desde pequenina que tenho esta paixão, já na escola passava os intervalos no campo a jogar no meio dos rapazes. Contudo, na minha infância o futebol feminino não era encarado como nos tempos de hoje, uma vez que já existem escalões de formação. Eu com 7/8 anos ou jogava com seniores ou não tinha outra hipótese, era absurdo.  Foi então que experimentei outras modalidades, tais como o karaté, a natação, o ténis, a capoeira, etc… Mas nunca me senti 100% realizada. Optei, então, por ingressar no futsal aos 12 anos, onde joguei até aos meus 15 anos. No entanto, o meu objetivo continuava a ser jogar futebol. Desta forma, fui realizar uns treinos e nunca mais parei até aos dias de hoje.

2.     O que pensa ter sido o ponto de viragem para a se dedicar a 100% ao futebol?

A ligação ao desporto desde muito cedo, passando por experimentar várias modalidades, fez com que tivesse a certeza do que de facto queria, o futebol.

3.     Profissionalmente a Patrícia acabou recentemente o curso de educação física e começou a trabalhar, estou certa? Conte-nos como concilia o trabalho com a prática desportiva e diga-nos quais são para si as maiores dificuldades?

Sim esta correta, fiz a licenciatura em educação física e desporto e finalizei o mestrado de ensino da educação física, tendo começado a trabalhar como Personal Trainer. Por vezes não é fácil conciliar porque desde acordar até a hora de ir dormir o desporto está presente na minha rotina diária, quer a nível de Personal Trainer, de treinadora e jogadora de futebol. Por isso mesmo, a maior dificuldade é o cansaço físico, pois para além do meu trabalho, treino todos os dias por volta das 20h e 30 minutos, sendo que a essa hora já há algum desgaste físico. Por tudo isto tem que existir uma paixão enorme pela prática do futebol.

4.     Na sua opinião não falta muito para que a Liga BPI se torne uma liga profissional?

Na minha opinião já não faltará muito para que a nossa liga atinja esse patamar, porque como é do nosso conhecimento já existem mudanças de paradigmas de que o futebol também é para raparigas, só nos cabe a nós enquanto mulheres/jogadoras mostramos o nosso potencial para que acreditem em nós. Também já existem investimentos financeiros e imposições da UEFA na obrigatoriedade da criação de equipas de futebol feminino. Com todas estas mudanças a nossa liga terá obrigatoriamente de se tornar uma liga profissional.

5.     Quais são para si as maiores dificuldades para quem compete na 1ª divisão nacional?

 Excluindo as 3 grandes equipas da liga BPI todas as restantes equipas passam por diversas dificuldades, não só pelos horários tardios dos treinos, número/falta de atletas, deslocações e todos os restantes apoios necessários. A discrepância é muito acentuada entre as 3 grandes e as restantes equipas, não só a nível financeiro bem como de todo o apoio necessário já anteriormente referido. Nem todas as equipas desta liga são vistas pelos próprios clubes como um projeto importante.

6.     Sempre teve essa ambição de chegar ao patamar mais alto do futebol português?

 Sempre foi e será o meu objetivo, tendo infelizmente passado por períodos muito difíceis, uma vez que na altura da minha formação não existiam tantos apoios e escalões no futebol feminino, como atrás mencionei. Quando comecei a jogar integrei equipas mistas, nas quais joguei até aos 12 anos, porque a partir dessa idade não me era permitido jogar com os rapazes, tendo então iniciado um percurso no futsal e posteriormente no futebol a jogar nos escalões de júnior e sénior.

7.     Qual é o seu segredo para se manter neste patamar há já alguns anos?

O segredo para me manter neste patamar além de muita resiliência, muito trabalho, dedicação, apoio familiar e a paixão pelo futebol, é porque sempre achei que sendo mulher nada me impediria de atingir o meu sonho enquanto desportista. Pelo facto do futebol ainda ser visto como um desporto de homens, ser mulher ainda não é de todo fácil.

8.     Sei que esta é difícil, mas qual foi a jogadora adversária que mais gostou de defrontar? E da sua equipa (atual ou anteriores clubes)?

Quem mais gostei de defrontar talvez tenha sido a Dolores Silva, não só pela sua capacidade técnica, bem como a sua performance e experiência em campo, penso que seja uma das atletas nacionais mais completas. Em relação a companheiras de equipa destaco a minha atual companheira Patrícia Dias, pela sua capacidade de explosão, raça e querer em todos os lances que disputa.

9.     Quais são os seus próximos objetivos no futebol? Coletivos e individuais?

A nível coletivo, a A.D. Ovarense, que eu integro, tem como objetivo a manutenção da liga BPI e chegar o mais longe possível na Taça de Portugal. No que diz respeito ao objetivo individual, quero chegar a uma das 3 grandes equipas nacionais, julgo que seja o sonho de qualquer jogadora chegar a esse patamar e poder integrar a seleção nacional.

10.  Para terminar, peço que defina as suas caraterísticas que pensa mais terem contribuído para seu enorme sucesso desportivo. Como se definiria?

Uma apaixonada pelo desporto em geral e pelo futebol em particular, muito resilente, motivada e empenhada.

Muito obrigada pela sua cooperação Patrícia, os votos de toda a equipa do Portal do Futebol Feminino para que esta seja uma época de sucesso.

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