Sun Wen: “Marta continuará brilhando”

Ícone do futebol feminino chinês, a ex-atacante Sun Wen sabe bem o que é alcançar o sucesso pessoal e coletivo na Copa do Mundo Feminina da FIFA. Eleita a melhor jogadora do século passado pela FIFA, ao lado da americana Michelle Akers, Sun disputou a competição quatro vezes. Ela chegou ao auge no Mundial de 1999, quando marcou sete gols e ficou com a Bola de Ouro adidas. Naquela ocasião, a China foi vice-campeã, perdendo a decisão para os EUA, assim como havia acontecido no Torneio Olímpico de Futebol Feminino Atlanta 1996.

Figura fundamental nos anos dourados da seleção chinesa, Sun agora está se dedicando a formar uma nova geração de talentos. No comando do Xangai, ela fez uma pausa na preparação da equipe para o Campeonato Feminino Chinês e conversou com o FIFA.com sobre a experiência como treinadora. Além disso, falou das suas expectativas quanto ao futebol feminino na China e na Ásia em geral, da soberania de Marta e também contou o que espera para a Alemanha 2011.

FIFA.com: Qual é a sensação de ser treinadora pela primeira vez, agora que você está à frente do Xangai?
Sun Wen:
Após me aposentar em 2006, passei alguns anos trabalhando na divulgação do futebol, tanto na Copa do Mundo Feminina da FIFA 2007 quanto nos Jogos Olímpicos de Pequim, no ano seguinte. Porém, o meu maior interesse sempre foi o esporte em si. Assim, era natural que eu agarrasse o primeiro trabalho que aparecesse como técnica. Foi em dezembro do ano passado, quando o Xangai me ofereceu a oportunidade. Estou muito feliz de voltar aos gramados.

Como uma das melhores jogadoras de todos os tempos na modalidade, qual é a sua meta como treinadora?
Como jogadora, sempre me preocupei com a beleza do futebol e desfrutei muito da felicidade que ele me trouxe. Agora, apesar da diferença entre as funções, a minha postura continua a mesma. Estou preparando a minha equipe para o Campeonato Feminino Chinês deste ano, que será disputado entre abril e setembro. Há 16 equipes participando e, portanto, a corrida pelo título será dura, mas nos esforçaremos para sermos campeãs.

Em que a experiência como jogadora pode ajudar no seu novo trabalho?
Para ser sincera, em todos esses anos vim me preparando para treinar uma equipe. Como ex-jogadora, consigo me comunicar bem com as minhas atletas. Sou rápida para descobrir onde começam os problemas e isso me facilita encontrar soluções.

Quais são as suas expectativas para a Copa do Mundo Feminina da FIFA, que começa em junho?
Sem dúvida será uma excelente competição. As potências tradicionais, como os EUA, a Alemanha e o Brasil, continuarão a dominar o cenário internacional, mas outras seleções, como a Inglaterra, a Suécia ou mesmo países da Confederação Asiática, como a Coreia do Norte e a Austrália, têm condições de serem adversárias à altura.

É decepcionante assistir à primeira Copa do Mundo Feminina da FIFA sem a participação daChina?
Estou decepcionada, mas não surpresa, porque nos últimos tempos tivemos atuações irregulares e não investimos muito na evolução do esporte. Apesar disso, sou otimista em relação ao futuro, já que várias jovens promissoras estão surgindo nas categorias de base. Agora a seleção está concentrada na preparação para Londres 2012, e acredito que estamos caminhando na direção certa.

Tanto a Alemanha quanto os EUA buscarão o tricampeonato. Qual das duas seleções é a sua favorita ao título?
São dois dos países mais fortes no futebol feminino. Os EUA podem se orgulhar de terem uma quantidade enorme de jogadoras à disposição, enquanto a Alemanha é famosa pelo profissionalismo das suas treinadoras. Como anfitriãs, as alemãs terão um apoio inédito da torcida local, mas as americanas, mesmo passando por um período de transição, mesclando jogadoras jovens com outras mais experientes, estão sem sombra de dúvidas entre as principais candidatas ao título.

E quais são as expectativas para as seleções da Confederação Asiática?
O sorteio colocou o Japão em um grupo mais acessível, ao lado de Nova Zelândia, México e Inglaterra. Tendo em conta a recente evolução das japonesas, a classificação para as quartas de final está ao alcance delas. Já a Coreia do Norte terá mais uma vez pela frente os EUA e a Suécia, mas é plenamente capaz de se classificar, como aconteceu há quatro anos. A Austrália também caiu em um grupo difícil, pois tanto o Brasil quanto a Noruega são adversários duros, e a Guiné Equatorial é uma força em ascensão na África.

Você acredita que Marta, que acaba de ser eleita Jogadora do Ano da FIFA pela quinta vez consecutiva, continuará sem ter rivais no aspecto individual na Alemanha 2011?
Antes, era normal que várias estrelas internacionais disputassem tanto o título do Mundial quanto os prêmios individuais, mas isso mudou completamente com a chegada da Marta. Ela já tinha velocidade, explosão e força física naturais, mas trabalhou as suas habilidades de tal maneira que hoje se sobressai entre todas as colegas de profissão. Ela com certeza continuará brilhando, a não ser que sofra alguma lesão. Porém, também podemos esperar que algumas jovens de talento surjam e se destaquem na competição.

In pt.fifa.com

Sandra Costa

O futebol faz parte da minha vida. Desde cedo que jogo futebol e decidi criar o Portal Futebol Feminino em Portugal porque senti que ninguém conhecia, sabia ou falava de futebol feminino.