“Vestir a camisola da seleção, é um país que levamos às costas”, Mónica Mendes, University of Texas at Brownsville

1)B.I. Futebolístico
Nome completo: Mónica Soraia Amaral Mendes
Nome Futebolístico: Mónica Mendes
Local e data de nascimento: Lisboa 16-06-1993 (19 anos)
Nacionalidade: Portuguesa
Profissão: Estudante
Ano que iniciaste a prática futebol federado: 2004
Clubes que já representaste no futebol: SRBBela Vista, Beira Mar Clube Atlético de Almada, S.U 1º Dezembro, DC United e University of Texas at Brownsville.
Clube Actual: University of Texas at Brownsville
Posição especifica: Defesa
Títulos Colectivos Conquistados: Vice- Campeã Distrital de Futsal pelo SRB Bela Vista (2004-05); Campeã Nacional da II Divisão de Futebol11 e Vice Campeã do Torneio Ponte Frielas pelo Beira-Mar Clube Atlético de Almada (2007-08); Campeã Nacional da I Divisão de Futebol 11, Campeã da Taça de Portugal e Vice-Campeã do Lisboa Cup pelo S.U 1º Dezembro (2009-10); Campeã do Interassociações pela AF Lisboa (2010); Campeã Nacional da I Divisão de Futebol 11 e Campeã da Taça de Portugal pelo S.U 1º Dezembro (2010-11); Campeã da Red River Conference (NAIA) pela UTBrownsville (2011-12); Vice Campeã Sub-20 dos Estados Unidos pelo DC United (2012); Campeã da Red River Conference (NAIA) pela UTBrownsville (2012-2013).
Títulos Individuais Conquistados: Melhor Defesa da Semana, Melhor Defesa do Ano e eleita para a Melhor Equipa do Ano da Red River Conference (NAIA) pela UTBrownsville (2011-12); Eleita para a Melhor Equipa do Ano dos USA Sub-20 pelo DC United (2012); Melhor Defesa da Semana, Campeã de Carácter e eleita para a 2ª Melhor Equipa do Ano da Red River Conference (NAIA) pela UTBrownsville (2012-2013)
Número de internacionalizações: Sub-19 = 28 internacionalizações; AA = 4 internacionalizações
Clube Favorito: Todos por onde passei.
Número Preferido: 2
Jogador preferido: Cristiano Ronaldo
Jogadora preferida: Maurine Dornelles (Brazil)
Uma virtude: Persistente
Um defeito: Teimosa

2)Como é que começaste a praticar futebol?

O futebol foi um “bichinho” que nasceu comigo e por isso sempre foi algo que gostei de jogar. Quer estivesse em casa ou na rua tinha de ter uma bola de futebol comigo. Sempre fui assim desde que comecei a andar. Quando entrei para o infantário eu não gostava de dormir à tarde, então “escapava” às escondidas da sala e sem as minhas educadoras verem ia jogar futebol para o recreio com os rapazes da minha escola.

 

Portugal vs Dinamarca – 4º Torneio Internacional de São Paulo

3)Tiveste o apoio da tua família?

Felizmente, sempre tive o apoio da minha família para qualquer coisa que faça!

4)O futebol foi sempre a única paixão, ou gostavas de fazer desporto em geral?

Não… Eu confesso que sou uma apaixonada pelo desporto mas há dois desportos que eu sou completamente “perdida” de amores: o Futebol 11 e o Karate.

5)Qual foi o melhor e o pior momento que viveste no futebol até hoje e porquê?

O pior momento foi quando cortei o meu joelho esquerdo a jogar futsal. Cortei 8cm de comprimento e 4mm de profundidade e fiquei com a rótula e os ligamentos à mostra. Felizmente, acabei por ficar marcada para o resto da minha vida só com uma cicatriz.
O melhor momento foi sem dúvida o dia 5 de Abril de 2012 quando a Seleção Nacional Feminina Sub-19 conseguiu o apuramento para a fase final do Campeonato da Europa na Turquia. Também um momento muito especial na minha vida foi a 1ª Internacionalização quer como Sub-19 e quer como AA no 4ºTorneio Internacional de São Paulo frente ao Brasil.

5 de Abril de 2012 – Golo contra Bélgica no minuto 90. Golo que apurou pela primeira vez, na história do futebol feminino Português, para uma fase final do Campeonato da Europa Sub-19 na Turquia em 2012

6)Como te descreves como jogadora?

Sou focalizada/concentrada, persistente, trabalhadora, determinada, lutadora, muito exigente comigo e com os outros, gosta muito de ouvir e aprender com a minha equipa e jogo sempre com tudo o que tenho. Saio sempre dos meus jogos com a sensação que dei tudo de mim para conseguir ajudar a minha equipa atingir os seus objetivos.

7)Tens alguma superstição ou ritual antes ou depois dos jogos?

Eu sei que pode ser tudo uma questão de psicológico mas a verdade é que sou mesmo muito supersticiosa e por isso tenho rituais que nunca faltam antes dos jogos.

8)O que te motiva para continuares a jogar futebol?

Todos nós devemos de lutar para sermos felizes! Tudo aquilo que sinto quando estou a treinar ou a jogar é simplesmente inexplicável…é uma verdadeira paixão que eu tenho! Enquanto sentir-me a pessoa mais feliz deste Mundo por jogar e estar ligada ao futebol, não haverá nenhum obstáculo que me consiga parar de continuar a ser feliz com uma bola nos pés!

9)Alguma vez sentiste que o futebol te prejudicava nos estudos ou na tua vida profissional?

NUNCA! Até pelo contrário. Vou dar este exemplo: no meu 12º ano de escolaridade foi mais o tempo em que tive ausente do que em aulas devido a convocatórias e torneios de Karate e de Futebol. Estando eu no Curso de Ciências e Tecnologias, seria de esperar grandes dificuldades, certo? Mentira! A verdade é que nunca tive um ano tão bom e acabei o 12º com média de 16v e o secundário com média de 15v.

10)A falta de condições e de reconhecimento do futebol feminino é só um problema de dinheiro?

Também é! Todos nos sabemos que um desporto que envolva muito dinheiro mais facilmente é reconhecido pela sociedade uma vez que envolve mais sponsors e medias que um desporto chamado “amador”. No então, o futebol feminino está a evoluir aos pouquinhos. Degrau a degrau vai-se construindo uma enorme e talentosa “escada”, mas como tudo na vida, é preciso tempo e muita dedicação por parte de todos para que todos juntos consigamos ser ainda mais forte ultrapassando todos as dificuldade e fazendo crescer esta modalidade no nosso país.

4º Torneio Internacional de São Paulo – 1ª Internacionalização AA, Portugal vs Brasil

11)Achas que o futebol feminino ainda está ligado a preconceitos?

Ainda está e muito…mas está muito melhor em comparação a 5 anos atrás. Aos poucos, já se começa a notar uma pequena evolução na mentalidade da sociedade portuguesa.

12)Achas que num futuro próximo vamos ter uma liga profissional em Portugal?

Nada é impossível…mas não creio que haja uma liga profissional em Portugal na próxima década devido à grave crise económica que o nosso País atravessa.

13)Qual a liga estrangeira que mais te atrai?

Eu tenho três ligas que me atraem bastante: Americana, Alemã e a Espanhola.

A jogar pela equipa que jogo atualmente na final da Red River Conferencia (NAIA) pela University of Texas at Brownsville

14) Quando te apareceu a oportunidade de jogar no estrangeiro aceitaste imediatamente?

Não. Foi tudo muito bem pensado desde início. No ano em que recebi o convite para vir para os USA também recebi convites para jogar a nível semi-profissional na Europa. O que acontece é que somente os USA ofereciam condições para eu estudar e jogar o mesmo tempo. Todas elas eram propostas muito boas por diferentes motivos, mas no entanto, tive de pensar muito bem até tomar uma decisão final.

15) Até quando pensas jogar futebol?

Pretendo estar sempre ligada ao futebol mesmo que não seja a jogar em competições oficiais. Por isso é difícil responder a essa pergunta mas não me importava de parar só aos 100 anos ehehe 

16)Como é vestir a camisola da seleção portuguesa?

Vestir a camisola da Seleção Portuguesa é mais valioso do que ter 500 mil tesouros cheios de ouro na mão. Para mim, PORTUGAL É TUDO! A camisola da Seleção Portuguesa não é só uma camisola! É muito, mas mesmo muito mais que isso…É um país que levamos às costas, uma história que transportamos no sangue e uma Nação que levamos ao peito! Vestir e dar tudo em campo com a camisola da Seleção Portuguesa tem sido uma das maiores responsabilidades e ao mesmo tempo umas das melhores sensações que tenho vivenciado na minha ainda jovem carreira como desportista.

17) Qual a sensação antes de entrar em campo na 1ª internacionalização? As pernas tremem muito?

A sensação antes de entrar em campo na 1ª internacionalização é sempre uma sensação ótima e indescritível. Não é uma questão de as pernas tremerem muito, mas sentimos a responsabilidade de ter de lutar em todos os segundos do jogo para conseguirmos alcançar os nossos objetivos quer individuais quer coletivos e isso implica estarmos focalizadas e mentalizadas ainda antes do jogo. Talvez por isso às vezes haja aquele típico nervosismo miudinho.

Turquia vs Portugal – Primeiro jogo numa fase final de um Campeonato da Europa de uma Seleção Portuguesa

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